
A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) assinalou, na segunda-feira, o Dia de África com a iniciativa “África We Want - Conecta e Projeta o Futuro”, na Mediateca do campus da Praia. A cerimónia, alusiva aos 62 anos da fundação da Organização da Unidade Africana, reuniu embaixadores, docentes, estudantes e artistas em torno dos desafios contemporâneos do continente - crises políticas, êxodo juvenil e inovação científica.
Na abertura, a Pró-Reitora para os Estudantes, Cultura Académica e Vida Universitária, Professora Elvira Reis, defendeu que a diversidade do continente é uma vantagem civilizacional: “as milhares de línguas faladas ao longo do nosso continente não são barreiras, são pontes”. Sobre o êxodo de jovens qualificados, foi categórica: “não podemos culpar os jovens por quererem voar; temos de culpar as estruturas que destroem os seus ninhos”.
O painel académico, moderado pelo estudante Ailton dos Santos, contou com o Professor Odair Varela e a estudante de Relações Internacionais e Diplomacia Emily Priscila. Varela diagnosticou que “as nossas economias continuam extravertidas - comunicam com as antigas metrópoles, não entre si”, e propôs dois conceitos para inverter a trajetória: econodiversidade e demodiversidade. Recordando que cerca de 60% da população africana tem menos de 25 anos, dirigiu-se ao auditório: “o continente está nas vossas mãos”.
Emily Priscila contestou a “propaganda negativa” veiculada pela média internacional e, citando Achille Mbembe, defendeu que África “precisa deixar de ser apenas um objeto de estudo de narrativas alheias e afirmar-se como sujeito político, epistemológico e científico do seu próprio destino”. O Embaixador da República de Angola, Agostinho Carlos da Silva Neto, apelou a ligações diretas entre Estados africanos: “para eu ir daqui para Angola, não deveria precisar de passar por Portugal”.
O programa incluiu ainda o desfile das bandeiras dos PALOP, a performance “As Gingas”, declamações do Grupo Cult e da poetisa Alegria, a Vitrine das Nações e uma mostra gastronómica na Ponte do Campus. As comemorações prosseguem a 27 de maio, às 17h00, no Auditório 101, com o Café Poético que encerra a Semana de África.