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A Universidade de Cabo Verde realizou, de 27 a 30 de abril de 2026, uma visita técnica à Ilha Brava, no âmbito das aulas de campo destinadas aos estudantes da Licenciatura em Geologia do Centro de Recursos Integrados Polo Fogo/Brava. A atividade foi coordenada pela professora Sónia Silva Victoria, com o apoio do assistente Giovanni Lima, e teve como principal objetivo reforçar a formação prática dos alunos através do contacto direto com o terreno.

Durante a visita, os estudantes desenvolveram diversos trabalhos de campo, centrados no estudo da evolução magmática e tectónica da Ilha Brava, na interpretação da sua sequência vulcânica-estratigráfica, bem como na identificação das principais formas de relevo, litologias e lineamentos tectónicos. A atividade permitiu ainda analisar diferentes estilos eruptivos, avaliar a instabilidade de taludes, estudar maciços rochosos e explorar as potencialidades dos recursos naturais da ilha.

Os participantes destacaram a relevância da experiência para a sua formação académica. O estudante Ailton Gomes considerou a atividade “ótima”, sublinhando a oportunidade de aprender a interpretar taludes e avaliar possíveis movimentações associadas à sismicidade ativa. Já Leandro Ribeiro afirmou que sempre teve interesse em conhecer e estudar a Ilha Brava, mostrando-se satisfeito com os resultados práticos alcançados.

A estudante Leandra da Silva Pereira destacou o contacto com a diversidade geológica da ilha, salientando as diferenças entre as rochas basálticas predominantes na ilha do Fogo e as rochas fonolíticas observadas na Brava. A aluna referiu ainda a menor presença de diques e a estratificação das camadas piroclásticas, destacando também a beleza natural da ilha, em particular da localidade de Fajã d’Água.

A experiência ganhou um caráter ainda mais marcante com a ocorrência de um abalo sísmico no dia 29 de abril, por volta das 13h30, enquanto a equipa se encontrava no terreno. O fenómeno, classificado pelo Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica como tendo magnitude 4.1 na escala de Richter e profundidade aproximada de 2 km, permitiu aos estudantes observar, em tempo real, os efeitos da atividade sísmica, incluindo fissuras em edifícios na cidade de Nova Sintra.

Segundo o docente Giovanni Lima, a escolha da Ilha Brava deveu-se não só à sua proximidade com a ilha do Fogo, onde residem os estudantes, mas também às suas características geológicas e tectónicas particulares e relativamente recentes no contexto do arquipélago. O professor sublinhou ainda a importância de aprofundar estudos sobre taludes e depósitos piroclásticos, tendo em conta os riscos associados à erosão e à atividade vulcânica, temas diretamente ligados à unidade curricular de Geologia e Geotecnia Ambientais.

A visita contou igualmente com a participação da investigadora brasileira Lucélia Gonçalves Moraes, doutoranda na Universidade Federal de Pernambuco, que desenvolve parte da sua investigação em Cabo Verde em parceria com a Uni-CV.

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