
Uma delegação da Universidade de Cabo Verde reuniu-se, esta quinta-feira, 6 de agosto de 2026, com o ministro do Ambiente, Ação Climática e Energia, Carlos Alberto Ramos Varela, para analisar áreas de cooperação entre as duas instituições e aproximar a investigação universitária dos desafios ambientais e energéticos do país.
A comitiva, liderada pela reitora Astrigilda Silveira, integrou o Pró-reitor para a Investigação, Inovação e Extensão, Adilson Semedo, bem como o Vice-presidente da Faculdade de Ciências e Tecnologia, Silvestre Baptista e do Vice-presidente da Escola de Ciências Agrárias e Ambientais, Arlindo Fortes.
Durante o encontro, a reitora apresentou a disponibilidade da Uni-CV para atuar como parceira estratégica do Governo na produção de conhecimento, formação de profissionais, prestação de serviços especializados e desenvolvimento de projetos ligados à ação climática, gestão dos recursos hídricos, transição energética e sustentabilidade ambiental.
Astrigilda Silveira defendeu que a Universidade pode contribuir para estudar problemas concretos do país e produzir evidências que sustentem as políticas públicas, evitando que decisões em áreas técnicas sejam baseadas apenas em perceções ou análises fragmentadas. A proposta enquadra-se na visão institucional orientada pelos princípios “Humanizar, Colaborar, Transformar”.
Campus como laboratório de transição energética
Um dos projetos apresentados foi o plano de transição energética do Campus do Palmarejo Grande, concebido para ser implementado de forma faseada e reduzir progressivamente a dependência da rede elétrica e dos combustíveis fósseis.
A proposta prevê a combinação de energia solar e eólica, complementada por sistemas de armazenamento. A meta definida pela Universidade é alcançar, num horizonte de quatro a cinco anos, uma autonomia energética próxima dos 85%.
O projeto inclui ainda a instalação de postos de carregamento para viaturas elétricas e a possibilidade de aquisição de meios de transporte destinados a apoiar a mobilidade dos estudantes dentro e nas proximidades do campus.
Para além da redução da fatura energética e das emissões de gases com efeito de estufa, a iniciativa pretende transformar o Campus do Palmarejo Grande num laboratório vivo, no qual estudantes, docentes e investigadores possam desenvolver atividades de ensino, investigação, experimentação tecnológica e formação avançada.
A Uni-CV manifestou interesse em trabalhar com o Ministério na estruturação técnica da proposta e na mobilização de parceiros e financiamento para a sua execução.
Água, ambiente e formação de profissionais
A Escola de Ciências Agrárias e Ambientais apresentou as possibilidades de colaboração na gestão e monitorização das águas subterrâneas e superficiais, no estudo da qualidade da água e na avaliação da sua reutilização na agricultura.
Foram igualmente identificadas oportunidades de investigação relacionadas com os impactos ambientais e sanitários das novas tecnologias de produção e tratamento da água, incluindo a dessalinização e o aproveitamento de águas residuais tratadas.
A Universidade colocou também à disposição do Ministério os seus laboratórios e especialistas para a realização de análises, controlo de parâmetros de qualidade e prestação de serviços a entidades públicas e privadas.
Outra prioridade é a formação de profissionais capazes de responder às necessidades do país nas áreas do saneamento, prospeção geofísica, energias renováveis, gestão ambiental e recursos hídricos. A colaboração poderá incluir cursos de curta duração, formação especializada, estágios e participação de estudantes em projetos desenvolvidos pelo Ministério e pelas instituições sob a sua tutela.
Ciência para apoiar decisões públicas
Carlos Alberto Ramos Varela reconheceu a necessidade de reforçar as competências nacionais nos domínios tutelados pelo Ministério e manifestou abertura para trabalhar com a Uni-CV na preparação de projetos e na produção de conhecimento científico que apoie as decisões governamentais.
O ministro destacou áreas como a gestão das áreas protegidas, o equilíbrio entre conservação ambiental e desenvolvimento económico das comunidades, o controlo da qualidade da água, o tratamento de águas residuais, a integração das energias renováveis e a sensibilização da população para a utilização sustentável dos recursos.
Carlos Varela assumiu o Ministério do Ambiente, Ação Climática e Energia em junho de 2026. O governante possui experiência em gestão territorial, ordenamento do território e coordenação de projetos internacionais e já exerceu funções docentes na Universidade de Cabo Verde.

