Uni-CV_celebra_o_Dia_do_Geógrafo_e_do_Geólogo.jpg

A Universidade de Cabo Verde, através do Grupo Disciplinar de Geografia e Geologia e do Centro de Investigação e Formação em Género e Família (CIGEF), comemorou o dia do Geógrafo e do Geólogo no dia 30 de maio de 2022, sob o lema “Universidade alinhada e comprometida com os ODS, com algumas conferências alusivas à data, visando uma maior consciencialização e engajamento no aceleramento dos ODS e agenda 2030.

Este evento enquadra-se no plano de atividades do CIGEF e do Grupo Disciplinar de Geografia e Geologia e conta com a parceria do UNFPA em Cabo Verde, no quadro do PTA do CIGEF para 2022, mais concretamente a atividade sobre “Divulgação dos ODS no Ensino Superior Público cabo-verdiano”.

Tendo em conta a relevância das missões destas duas profissões e da própria Uni-CV para a concretização das metas traçadas para os ODS, as conferências abordaram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, no quadro da Agenda 2030 das Nações Unidas. Neste particular, fez-se a chamada de atenção para os desafios das mudanças climáticas, a saúde e o bem-estar da vida terrestre e cidades e comunidades sustentáveis. Como se sabe, o impacto das mudanças climáticas afeta a todos; sendo, porém, mais rigorosa para grupos em situação de vulnerabilidade, mormente mulheres. Deste modo, este evento serviu também para refletir sobre os impactos das mudanças climáticas nas desigualdades de género e estratégias de adaptação e mitigação, visando um futuro mais sustentável e a contribuição das universidades no combate às mudanças climáticas e redução das desigualdades de género.

A cerimónia de abertura do evento foi presidida pelo Presidente da FCT, Eng.º. Jorge Tavares, que realçou o papel dos profissionais dessas áreas, da sua responsabilidade para com o ambiente e a sociedade em geral.

O Painel I foi moderado pelo Geógrafo e Professor João Neves de Carvalho. Para iniciar, a Geógrafa e Professora Judite do Nascimento, proferiu a conferência intitulada “A relevância da Geografia para a prossecução dos desafios atuais da humanidade”. A conferencista começou por identificar os desafios atuais da Humanidade, associando-os aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 2015/2030), que vieram na sequência dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM 2000/2015). A Professora Judite Nascimento fez um recuo no tempo, e através de uma análise diacrónica que remonta aos anos 70, destacou dois grandes marcos: i) a assinatura do Protocolo de Montreal em 1987 e ii) A publicação do Relatório Brundtland (Nosso futuro comum - 1987); os quais, do seu ponto de vista, foram antecedentes e marcos importantes para a construção de uma agenda comum dos Países membros das Nações Unidas, para o desenvolvimento sustentável do Planeta Terra.  A autora destacou a relevância da geografia e o papel dos geógrafos, entre outros cientistas, na prossecução dos ODS, através da sua contribuição para atingir as importantíssimas metas da Agenda 2030. A conferencista aproveitou igualmente para mostrar a relação de complementaridade que existe entre a Geografia e as ciências com as quais tem maior proximidade, ressaltando a importância da multidisciplinaridade e da transdisciplinaridade para maior assertividade na prossecução das metas dos grandes desafios da humanidade. 

Na sequência, Ailton Tavares, Expert em Planificação Estratégica no projeto “Programa Plataformas Para Desenvolvimento Local e Objetivos 20/30 em Cabo Verde” (PNUD), apresentou a comunicação intitulada Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): que papel se espera das IES?”. Realçou a importância, o papel das universidades na produção do capital humano e na redução das mudanças climáticas na inovação no pós-pandemia. Aproveitando o exemplo do curso de Pós-Graduação em Curso de Especialização (Aperfeiçoamento) em Desenvolvimento Local e Agenda 2030 e os seus impactes, através da capacitação das autoridades locais e nacionais em resposta às prioridades nacionais relacionadas com a gestão, o desenvolvimento local e a coordenação de políticas públicas a nível local, demonstrou os compromissos que a Uni-CV tem assumido nessa matéria, visando a concretização da agenda 2030. Este curso resulta de uma iniciativa do Governo de Cabo Verde, e é financiado pelo Governo do Grão-Ducado do Luxemburgo, implementada pela Direção Nacional do Plano do Ministério das Finanças e com a assistência técnica do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Por sua vez, a Professora Luzia Oliveira, na sua comunicação sobre  “Os impactos das mudanças climáticas nas desigualdades de género – o papel das universidades no combate às mudanças climáticas e redução das desigualdades de género” destacou as dificuldades das mulheres em serem protagonistas das mudanças políticas, pelos desafios que enfrentam na atualidade, realçando a necessidade de se deixar de ver a mulher como uma vítima/vulnerável, na medida em que ela é um agente ativo da mitigação das mudanças nas respostas adaptativas e de mitigação. Segundo esta oradora, as mulheres têm potencialidades de liderar este processo, em todos os setores, e já deram provas disso. Finalmente, chama a atenção para o reforço da integração dessas questões na agenda das políticas públicas nacionais, visando a igualdade de oportunidades.

O segundo painel foi moderado pela Geógrafa Ivete Silves Ferreira do Instituto Nacional de Gestão do Território (INGT).

O Geógrafo e Professor José Maria Semedo fez a “Apresentação do Plano Verde da UNI-CV”. Na sua intervenção, Semedo chamou a atenção para a importância dos espaços verdes, realçando que o Novo Campus tem todas as condições para nele ser criada uma área verde de referência, baseada na colaboração voluntária do pessoal da Uni-CV.

A comunicação do Geógrafo Jailson Varela intitula-se “Avaliação do PDM de Santa Cruz” e resulta da sua dissertação de mestrado. Na sua opinião, existe um défice na avaliação de políticas públicas a nível do país e este é um elemento fundamental no setor do ordenamento do território que não deve ser negligenciado. Portanto, é preciso dar uma maior atenção a essa questão, sendo que sugere a criação de uma pós-graduação em avaliação de políticas públicas.

O geógrafo Patrick Silva foi o último orador, com o tema “Que relação existe entre o espaço construído (“desenho urbano”) e a criminalidade na cidade da Praia, Cabo Verde?” Patrick afirmou que o espaço é fundamental para se pensar o planeamento porque ele tem consequências nas atitudes e comportamentos dos indivíduos. A organização do espaço é um fator importantíssimo para justificar a variação do crime na cidade da Praia. Porém, chama a atenção, a correlação não implica relação. É preciso relacionar com a realidade. Conclui nos seus estudos que, nos bairros densos da capital, há mais crimes; os ambientes urbanos pobres estão associados a altas taxas de densidade criminal. Áreas comerciais (Fazenda, Plateau) são mais propensas ao crime; áreas como Tira-chapéu, onde há uma grande densidade de ruas e becos também é das mais propensas à criminalidade. Referiu ainda que, quando aumenta o índice de qualidade urbana, a criminalidade diminui. Igualmente concluiu que, quando aumentam os indicadores socioeconómicos, aumenta a criminalidade, pois, regra geral, os crimes (principalmente roubos) não acontecem em bairros pobres, mas sim nos bairros onde há maior poder económico. 

Galeria de Fotografias