
O Conselho Consultivo da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) apreciou, a 23 de setembro, a proposta de Plano Plurianual de Atividades 2026-2030, que define as prioridades da instituição para o atual mandato. A reunião decorreu em formato híbrido, na sala do conselho da Universidade, Campus do Palmarejo Grande.
A Reitora, Astrigilda Silveira, apresentou o documento, construído a partir do Programa de Ação 2026-2030 e do diagnóstico feito à situação da Universidade. O Plano assenta em três princípios de atuação (humanizar, colaborar e transformar). Para 2030, aponta para uma Uni-CV mais autónoma, inclusiva, digitalmente integrada e ambientalmente sustentável, com maior afirmação científica e internacional.
Os Estatutos determinam que o Conselho Consultivo se pronuncie sobre os planos estratégicos e plurianuais antes de estes serem aprovados pelo Conselho da Universidade, próximo passo do processo.
Nove eixos, da governação ao campus
A proposta organiza-se em nove eixos: governação, pessoas, estudantes, ensino, ciência e extensão, transformação digital, internacionalização, campus sustentável e cultura académica.
Entre as prioridades estão a revisão dos normativos, a regularização das carreiras docente e não docente, a avaliação de desempenho, a modernização dos sistemas de gestão, a digitalização dos serviços, o reforço da investigação e da mobilidade académica e a redução dos custos energéticos.
No ensino, o Plano prevê um Currículo 2030, ligado à inovação pedagógica e à qualidade da oferta formativa. Na investigação, propõe reforçar o financiamento competitivo e abrir diálogo com o Governo para a criação de um estatuto do investigador. Na área digital, a Uni-CV quer integrar os vários sistemas de gestão, digitalizar mais processos e serviços e usar dados para apoiar a decisão.
Metas para 2030
Até 2030, a Universidade pretende atualizar todos os normativos prioritários, reduzir em 40% o tempo médio dos processos prioritários e digitalizar mais de 90% desses processos e dos serviços aos estudantes. Pretende ainda aumentar a mobilidade académica.
A execução será acompanhada por indicadores, com monitorização trimestral e uma avaliação intercalar em 2028. As prioridades serão depois traduzidas nos planos anuais de atividades e nos respetivos orçamentos.
A Reitora terminou a apresentação com um apelo: "Chegou o tempo de transformar visão em realização, compromisso em resultados e conhecimento em desenvolvimento."
Na discussão, os conselheiros reconheceram a ambição do Plano e pediram que seja exequível. Luís Vasconcelos Lopes, Presidente da Comissão Executiva do Banco Cabo-verdiano de Negócios, defendeu uma universidade que responda às necessidades das empresas e do desenvolvimento do país. Entre os docentes aposentados, Alcides João Ramos alertou para um número de iniciativas acima da capacidade demonstrada pela instituição e recomendou concentrar os dois primeiros anos em poucos compromissos. Aidil Borges valorizou a prestação de contas e a avaliação intercalar.
Nuías Silva, Presidente da Câmara Municipal de São Filipe, afirmou que "em Cabo Verde, muitas vezes, o que nos falta (…) é precisamente ambição" e defendeu que se comece onde já existem recursos, para depois crescer depressa.
Os contributos serão tidos em conta antes de a proposta seguir para o Conselho da Universidade.

