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A reitora da Universidade de Cabo Verde, Astrigilda Silveira, reuniu-se com a equipa do Cubo de Inovação Tecnológica (iCUB) para analisar o contributo do laboratório para o processo de transformação digital da instituição e reforçar a articulação com os Serviços Técnicos e de Informática, docentes, estudantes e demais estruturas com competências na área tecnológica.

O encontro realizou-se na passada quinta-feira, 13 de agosto de 2026, na sala de reuniões do Edifício 2, no Campus do Palmarejo Grande, e contou com a participação do coordenador do iCUB, Aristides Silva, do diretor dos Serviços Técnicos e de Informática, Gilson Martins, e dos docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia e colaborador do laboratório, Júlio Barros e Erik Arbona.

Na abertura, Astrigilda Silveira defendeu uma abordagem integrada à transformação digital, aproveitando prioritariamente as competências existentes dentro da própria Universidade. A reitora destacou que a instituição já dispõe de um diagnóstico das suas infraestruturas, sistemas e plataformas, realizado em articulação com o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa e com a equipa interna criada para esta área.

A missão técnica do ISEL, realizada em julho, avaliou infraestruturas tecnológicas, sistemas de informação, plataformas digitais e capacidade institucional. O processo deverá resultar, entre outros instrumentos, num roteiro estratégico, num Plano Diretor das Tecnologias de Informação e Comunicação, num plano de capacitação e num caderno de encargos para orientar os próximos investimentos da Uni-CV.

iCUB como laboratório de prototipagem

Aristides Silva explicou que o iCUB deve ser entendido sobretudo como um laboratório de prototipagem, no qual estudantes podem desenvolver e testar soluções tecnológicas antes de estas avançarem para fases de implementação, empreendedorismo ou transferência para outras estruturas.

Esta natureza está prevista no próprio regulamento do iCUB, que o define como um laboratório transversal destinado à prototipagem de soluções tecnológicas inovadoras de base científica, com envolvimento multidisciplinar e interdisciplinar.

Entre os exemplos apresentados estiveram projetos desenvolvidos por estudantes para responder a desafios concretos, incluindo soluções para gestão de processos, controlo de presenças e sumários, filas de atendimento e outros serviços digitais.

O modelo já produziu resultados reconhecidos fora da Universidade. Em janeiro de 2025, o Sistema de Informação de Transporte Aéreo (SITA), desenvolvido no iCUB por docentes e estudantes para a Agência de Aviação Civil, conquistou o primeiro prémio de Inovação Universitária no Digital Awards Cabo Verde.

Júlio Barros, docente da FCT, destacou igualmente a existência de projetos desenvolvidos no âmbito de trabalhos de fim de curso que podem responder a problemas concretos da Universidade. Entre estes encontram-se soluções de gestão de workflows e desmaterialização de procedimentos, além de projetos nas áreas da inteligência artificial.

Um dos projetos que deverá avançar para experimentação é um sistema destinado a desmaterializar o registo de presenças e sumários. A solução prevê que docentes e estudantes possam utilizar tecnologias como QR Code e dispositivos já disponíveis, incluindo telemóveis, reduzindo tarefas administrativas e permitindo maior integração das informações académicas.

A intenção é testar inicialmente o sistema em duas turmas da Faculdade de Ciências e Tecnologia, avaliar o funcionamento e identificar eventuais ajustamentos antes de considerar uma utilização mais alargada.

O encontro reforçou a orientação da atual Reitoria para uma transformação digital construída também a partir das competências internas. A estratégia passa por ligar estudantes, docentes, laboratórios de inovação e equipas técnicas, transformar protótipos em soluções aplicáveis e utilizar a tecnologia para simplificar procedimentos e melhorar a experiência da comunidade académica.