
A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) realizou, nos dias 16 e 18 de junho, no Polo do Mindelo, o seminário “Inteligência Artificial para Ensino e Investigação”, ministrado pelo Professor Miguel Sales Dias, docente e investigador do Iscte – Instituto Universitário de Lisboa e coordenador do projeto ORAL.
A iniciativa reuniu estudantes, docentes e investigadores da Uni-CV em dois momentos distintos de reflexão e aprendizagem sobre as potencialidades da Inteligência Artificial (IA) no contexto académico e científico.
No primeiro dia, dedicado aos estudantes, a sessão centrou-se na criatividade e na forma como esta pode ser articulada com as novas tecnologias de Inteligência Artificial. Recorrendo a metodologias de Design Thinking, os participantes trabalharam em grupos para identificar desafios e desenvolver soluções inovadoras. Como resultado do exercício, foram concebidos cinco projetos e criado um protótipo funcional de uma aplicação web com recurso à Inteligência Artificial generativa, desenvolvido durante a própria sessão.
Segundo Miguel Sales Dias, a participação dos estudantes superou as expectativas. “Fiquei positivamente admirado pelo interesse demonstrado durante a sessão. Conseguimos concretizar todos os objetivos e mostrar, de forma prática, como estas tecnologias podem contribuir para a capacitação dos estudantes e para a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem”, destacou.
A segunda sessão, dirigida aos docentes e investigadores, abordou o impacto da IA generativa no ensino superior, bem como os desafios éticos e regulatórios associados à sua utilização. Entre os temas debatidos esteve o AI Act, o novo quadro regulatório europeu para a Inteligência Artificial, cujas orientações poderão servir de referência para a adoção de boas práticas nas instituições de ensino superior.
Projeto ORAL desenvolve soluções de Inteligência Artificial para a língua cabo-verdiana
Durante a sua passagem pela Uni-CV, Miguel Sales Dias destacou também os avanços do projeto ORAL – kriOl(u) laRge lAnguage modeLs, do qual é coordenador científico. Desenvolvido em parceria entre a Universidade de Cabo Verde e o Iscte, o projeto visa criar recursos linguísticos computacionais e ferramentas de Inteligência Artificial para as variedades de Santiago e São Vicente da língua cabo-verdiana.
Entre os resultados já alcançados destacam-se a construção dos maiores corpora digitais conhecidos das duas variedades, bem como o desenvolvimento de sistemas de tradução automática entre português e Crioulo e tecnologias de reconhecimento automático de fala. Nos próximos meses, a equipa prevê ainda a criação de assistentes conversacionais e outras ferramentas digitais destinadas a ampliar a presença do Crioulo no universo tecnológico.
Para Miguel Sales Dias, o desenvolvimento destas ferramentas representa um passo importante para a inclusão digital e para a valorização da língua cabo-verdiana no espaço tecnológico. “Atualmente, a maioria das ferramentas de Inteligência Artificial funciona sobretudo em inglês e português. O nosso objetivo é permitir que os utilizadores possam interagir com estas tecnologias na sua língua materna, contribuindo para facilitar o acesso ao conhecimento, ao ensino e à aprendizagem”, concluiu.