Reitora Astrigilda Silveira defendeu, em Brasília, uma nova era de cooperação académica entre os dois continentes, assente na mobilidade, na investigação colaborativa e na inovação.

A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) está a participar, desde segunda-feira, 25 de maio, no I Fórum de Reitores Brasil-África, que decorre até quarta-feira, 27, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. Representada pela reitora Astrigilda Pires Rocha Silveira e pelo Pró-reitor para a Cooperação Internacional e Parcerias Estratégicas, António de Jesus, a Uni-CV integra um encontro inédito que reúne 64 reitores africanos de mais de 30 países e 70 reitores brasileiros, com o objetivo de fortalecer a cooperação académica, científica e tecnológica entre o Brasil e o continente africano.
Uni-CV abriu a ronda de intervenções dos reitores
Num momento de particular significado para Cabo Verde, a reitora Astrigilda Silveira foi a primeira entre todos os reitores presentes a tomar a palavra na sessão de abertura, perante o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministro de Estado da Educação, demais membros do governo brasileiro e o corpo diplomático.
“Participar neste I Fórum de Reitores Brasil-África é testemunhar o encontro de futuro entre povos que reconhecem na educação uma das maiores forças de transformação das nossas sociedades”, afirmou a reitora, agradecendo ao governo brasileiro pela iniciativa e saudando a “visão e capacidade de reunir, neste momento histórico, universidades que acreditam que o conhecimento aproxima continentes”.
Uma agenda ambiciosa para a cooperação Brasil-Cabo Verde
No seu discurso, Astrigilda Silveira sublinhou que o Brasil e Cabo Verde “partilham história, mas, acima de tudo, partilham futuro”, e defendeu a construção de universidades “mais conectadas, mais inovadoras e mais empreendedoras”. A reitora apresentou uma agenda concreta para a Uni-CV na cooperação com instituições brasileiras, centrada em quatro eixos:
- Ampliação da mobilidade académica e da dupla certificação;
- Reforço da investigação colaborativa e da formação avançada de docentes e investigadores;
- Criação de ecossistemas de inovação, incubadoras, start-ups e spinoffs universitárias;
- Desenvolvimento de plataformas conjuntas de investigação e soluções baseadas em inteligência artificial aplicadas à educação, saúde, agricultura, energia e gestão pública.
“Reafirmamos o nosso firme compromisso com uma cooperação académica capaz de aproximar ainda mais o Brasil e a África por meio da ciência, da juventude, da inovação e da esperança”, declarou a reitora, concluindo que “quando as universidades se unem, os continentes se aproximam, as oportunidades se multiplicam e o futuro ganha uma nova dimensão”.
Lula destaca papel das universidades e anuncia novos programas
Na sessão de abertura, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o fórum representa “um passo decisivo para fortalecer e expandir a cooperação universitária” entre o Brasil e a África. O chefe de Estado brasileiro anunciou o programa CAPES-Move África, que criará 2.600 bolsas para mestrandos e doutorandos africanos realizarem investigação no Brasil, e referiu expressamente Cabo Verde entre os países que já beneficiam da oferta de disciplinas remotas por universidades brasileiras.
Lula propôs ainda o desenvolvimento do conceito de “universidades irmãs” para expandir a mobilidade académica, os programas de dupla titulação e as pesquisas conjuntas, recordando que já estão em vigor 235 acordos de cooperação entre universidades brasileiras e africanas, abrangendo 38 países.

Carta de Brasília vai fixar diretrizes da cooperação
Ao longo dos três dias, o Fórum integra painéis temáticos, reuniões bilaterais e workshops dedicados à construção de parcerias institucionais em áreas estratégicas como agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, indústria aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas. No encerramento, os participantes formalizarão a “Carta de Brasília do I Fórum de Reitores Brasil-África”, documento que reunirá as diretrizes para futuras ações de cooperação universitária internacional.
A iniciativa é promovida pelo Ministério da Educação do Brasil (MEC), pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), com o apoio do Instituto Guimarães Rosa, do Ministério das Relações Exteriores.
Para a Uni-CV, a presença em Brasília consolida o seu posicionamento como interlocutora privilegiada de Cabo Verde no diálogo académico Sul-Sul e abre uma nova etapa na agenda internacional da instituição, com vista à concretização de parcerias estruturantes nos próximos anos.