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A Mediateca da Universidade de Cabo Verde acolheu, no dia 9 de abril de 2026, a receção do grupo brasileiro Sambaiana, numa atividade promovida pelo Leitorado do Instituto Guimarães Rosa da Uni-CV. O encontro transformou o espaço universitário num lugar de celebração cultural, diálogo atlântico e valorização de heranças partilhadas entre Cabo Verde e Brasil.

Mais do que uma apresentação artística, a iniciativa afirmou-se como um momento de encontro entre duas realidades culturais ligadas por trajetórias históricas, memórias comuns e expressões artísticas marcadas pela ancestralidade africana. Ao longo da sessão, música, conversa e reflexão cruzaram-se num ambiente de partilha, onde o samba e o batuco surgiram como linguagens de resistência, pertença e continuidade cultural.

As integrantes do Sambaiana trouxeram ao público a força do samba enquanto expressão popular brasileira profundamente enraizada em matrizes africanas reinventadas no Brasil. Em contraponto e em diálogo, Cabo Verde fez-se representar pela vitalidade da sua própria tradição rítmica e comunitária, mostrando como a cultura continua a ser espaço de preservação identitária e de criação de sentidos coletivos.

Um dos momentos centrais da tarde foi a intervenção da batucadeira Ineida, que contextualizou o batuco como uma das expressões mais marcantes da cultura cabo-verdiana. Na sua abordagem, destacou a dimensão histórica, feminina e comunitária desta manifestação, sublinhando o seu papel na resistência cultural, na transmissão de saberes entre gerações e na preservação da memória do arquipélago.

Também o Presidente da Escola de Negócios e Governação da Universidade de Cabo Verde, Professor Edmir Ferreira, interveio na sessão, trazendo uma reflexão sobre a produção cultural no país. Oriundo de uma família de batucadeiras, o responsável defendeu a importância de reconhecer a cultura como património, conhecimento e força estruturante para o desenvolvimento de Cabo Verde. Sublinhou, igualmente, a necessidade de profissionalizar o mercado cultural e valorizou projetos como o Procultura, enquanto instrumentos de promoção do emprego e de dinamização das atividades culturais.

Na mesma linha, a Leitora do Instituto Guimarães Rosa, Karina de Fátima Gomes, destacou a importância dos editais brasileiros neste circuito de intercâmbio, salientando que esses mecanismos têm permitido, nos últimos anos, a circulação de artistas e a realização de atividades académicas e culturais em Cabo Verde, incluindo na Universidade de Cabo Verde.

Entre sambas e batucos, entre falas, cantos e memórias, a Mediateca da Uni-CV tornou-se, por algumas horas, símbolo de uma irmandade que ultrapassa fronteiras geográficas. O Atlântico, tantas vezes associado à distância, afirmou-se ali como espaço de ligação, de reconhecimento mútuo e de construção de pontes culturais.

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