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O ano académico 2026/2027 da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) foi oficialmente aberto esta segunda-feira, 12 de outubro, numa sessão solene no Centro de Convenções. Na cerimónia, o Ministro da Educação, Formação Profissional, Ensino Superior, Ciência e Inovação, Professor Doutor Arnaldo Brito, anunciou que o orçamento da instituição vai passar de 1,1 para 1,5 milhões de contos, um reforço de aproximadamente 400 mil contos.

“Isso é facto, está a acontecer”, afirmou o governante, sublinhando que se trata de “medidas concretas, que devem traduzir-se em melhorias efetivas para a universidade e para toda a comunidade académica”.

O Ministro associou o aumento orçamental a uma exigência de resultados. “Não queremos que os compromissos assumidos com a universidade permaneçam no papel. Queremos execução, acompanhamento e resultados”, declarou. Recordou ainda que, em 2023, foi anunciado um conjunto de medidas com o contrato-programa e que “nada saiu do papel”.

Dirigindo-se à comunidade académica, foi direto ao afirmar que “o aumento significativo do orçamento é para que a universidade crie melhores condições”, acrescentando que “não há desculpas” e que é preciso “trabalhar juntos para melhorar as condições nesta universidade”.

Arnaldo Brito afirmou que o Governo liderado pelo Primeiro-Ministro, Francisco Carvalho, assume o compromisso de colocar a educação e o ensino superior no centro da estratégia de desenvolvimento nacional.

Propinas gratuitas, mas com qualidade

O Ministro destacou também a gratuitidade das propinas na Uni-CV e na Universidade Técnica do Atlântico (UTA), que considerou uma medida de grande alcance social, com vista aliviar os encargos das famílias e inverter a tendência de redução do número de alunos no ensino superior. Contribui ainda para dar maior previsibilidade às receitas das duas instituições.

Ressalvou, porém, que a gratuitidade “deve caminhar de mãos dadas com a qualidade, o aproveitamento académico e a conclusão dos cursos”. “Não queremos apenas mais estudantes matriculados; queremos mais estudantes a aprender, a concluir os seus cursos e a entrar na vida profissional com competências sólidas”, disse.

Uma universidade ligada ao país

No discurso, o governante propôs uma reflexão sobre “que Cabo Verde queremos construir nos próximos 50 anos”. Defendeu que, meio século depois da independência, o país tem condições para “andar mais depressa e chegar mais longe”.

Para isso, quer uma Uni-CV que produza conhecimento endógeno e esteja articulada com os setores públicos. Deu como exemplos a ligação da Escola de Negócios e Governação à reforma do Estado e a da Escola de Ciências Agrárias e Ambientais aos desafios da segurança alimentar, da gestão da água e das alterações climáticas.

Aos professores, pediu que deixem de organizar o ensino em torno da exposição e da memorização e que levem os estudantes “aos laboratórios, às empresas, às instituições públicas e às comunidades”. Aos estudantes, deixou um apelo para que estudem muito e para que questionem, debatam e investiguem.

Reitora assume compromisso com as condições

Na sua primeira abertura de ano académico enquanto Reitora, Professora Doutora Astrigilda Silveira assumiu perante a comunidade académica a responsabilidade de “não vos pedir excelência sem trabalhar pelas condições que a tornam possível”. Retomou os três eixos com que iniciou o mandato, humanizar, colaborar e transformar, “não como um lema para repetir, mas como uma obrigação para cumprir”. Defendeu uma Uni-CV “aberta e plural” e de “Cabo Verde inteiro, e não apenas de quem consegue chegar a um campus”.

Também o Presidente da Associação Académica dos Estudantes da Uni-CV saudou a gratuitidade das propinas. Lembrou, no entanto, que muitos estudantes continuam a enfrentar dificuldades de alojamento, alimentação e transporte, sobretudo os deslocados de outras ilhas.

A sessão contou com a presença de membros do corpo diplomático, da Coordenadora Residente do Sistema das Nações Unidas e do antigo Reitor António Correia Silva. Foi acompanhada à distância a partir dos polos de São Vicente e de Santa Catarina.

O programa incluiu a atuação de Ivanilson Lima, vencedor do concurso musical Unitalentos, a passagem de testemunho entre estudantes veteranos e caloiros e a entrega dos prémios do concurso. Seguiram-se a fotografia oficial com os novos estudantes e a inauguração da pedra memorial da Universidade.

“Os próximos 50 anos de Cabo Verde começam também naquilo que formos capazes de aprender, investigar e transformar hoje”, concluiu o Ministro.