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A Universidade de Cabo Verde e o Ministério da Economia, Comércio, Indústria e Transição Digital manifestaram interesse em construir uma parceria orientada para projetos concretos que aproximem o conhecimento produzido na academia das necessidades das empresas, dos empreendedores e dos setores produtivos do país.

O encontro de trabalho realizou-se esta terça-feira, 18 de agosto de 2026, nas instalações do Ministério, e reuniu uma delegação da Uni-CV liderada pela reitora Astrigilda Silveira e o ministro da Economia, Comércio, Indústria e Transição Digital, António Baptista. Participou igualmente o presidente do Conselho de Administração da Pró-Empresa, Ailton Moreira.

António Baptista defendeu uma maior aproximação entre a Universidade e a nova agenda económica do país, destacando a necessidade de utilizar a ciência, a tecnologia e a inovação para aumentar a produção, gerar emprego e criar novas oportunidades empresariais.

O ministro chamou particularmente a atenção para os setores primário e secundário, considerando necessário reforçar a utilização de conhecimento e tecnologia na agricultura, pescas, aquacultura, transformação alimentar e indústria. Na sua perspetiva, a inovação deve contribuir para resolver problemas concretos da economia e melhorar a produtividade e a capacidade de transformação dos recursos nacionais.

Universidade apresenta projetos de cooperação

Astrigilda Silveira reafirmou a disponibilidade da Uni-CV para atuar como parceira científica e técnica do Governo, colocando docentes, investigadores, estudantes, laboratórios e estruturas de investigação e extensão ao serviço do desenvolvimento económico.

A reitora apresentou um conjunto de áreas que poderão estruturar a futura cooperação. Entre as propostas estão a consolidação da Uni-CV como espaço de inovação, empreendedorismo e economia digital, a criação de programas de apoio à transformação digital das micro, pequenas e médias empresas e o desenvolvimento de uma academia orientada para competências relacionadas com a economia digital e a Indústria 4.0.

Foram ainda discutidas possibilidades de criação de um laboratório nas áreas da inteligência artificial e cibersegurança, utilização dos campi como ambientes de experimentação de soluções inteligentes, desenvolvimento de investigação aplicada à economia e criação de mecanismos de produção de dados e evidências para apoiar políticas públicas e decisões empresariais.

Empreendedorismo com maior ligação aos estudantes

A ligação entre formação universitária e criação de empresas mereceu particular atenção. As duas partes analisaram formas de reforçar o percurso que permite transformar uma ideia desenvolvida na Universidade em protótipo, negócio, startup ou solução colocada no mercado.

Neste contexto, a participação da Pró-Empresa poderá facilitar a articulação entre a formação, assistência técnica, incubação e acesso aos instrumentos de apoio empresarial. A instituição mantém programas dirigidos ao microempreendedorismo, startups e assistência técnica às micro, pequenas e médias empresas.

António Baptista defendeu ainda uma formação empreendedora mais abrangente, envolvendo um maior número de estudantes e integrando matérias como empreendedorismo, educação financeira, inovação e modelos de empreendimento coletivo. O objetivo é aumentar a capacidade dos jovens para identificar oportunidades e criar soluções empresariais, incluindo nos setores atualmente com maior necessidade de renovação de quadros e investimento.

A Universidade destacou, por sua vez, o processo de reorganização do seu Centro de Empreendedorismo e Prestação de Serviços, que deverá funcionar de forma articulada com os centros de investigação, unidades orgânicas e parceiros externos para apoiar projetos, consultorias, inovação e transferência de conhecimento.

A aproximação ao Ministério da Economia integra a agenda de encontros que a atual Reitoria tem mantido com diferentes departamentos governamentais, procurando identificar áreas em que a capacidade científica, tecnológica e formativa da Universidade possa contribuir diretamente para as prioridades nacionais.

A Uni-CV pretende, desta forma, reforçar o seu papel como instituição pública de ensino superior capaz não apenas de formar quadros, mas também de transformar conhecimento em soluções, inovação, empresas e oportunidades de emprego para Cabo Verde.