
Eliane Semedo e Goreti Freire, docentes da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), integram a equipa de autoras do artigo científico “Livro didático de língua portuguesa em Cabo Verde: o que dizem os documentos legais sobre ensino, o que diz a obra?”, publicado recentemente na Revista do GELNE – Grupo de Estudos Linguísticos do Nordeste, no qual analisam o livro didático de Língua Portuguesa do 9.º ano.
O estudo resulta de uma parceria académica com as investigadoras da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Professora Doutora Nukácia Araújo e Professora Doutora Débora Arruda, reunindo investigadoras de Cabo Verde e do Brasil em torno de uma reflexão sobre o ensino da Língua Portuguesa em contexto cabo-verdiano.
Publicado no volume 28, n.º 1, de 2026, a investigação surge no contexto da reforma curricular implementada pelo Ministério da Educação de Cabo Verde, enquadrada pelos Decretos-Leis n.º 27 e 28/2022, e centra-se na análise do manual Língua Portuguesa – 9.º ano, de Ferreira (2023). O estudo procura compreender de que forma o material didático concretiza as orientações presentes nos documentos legais que sustentam o ensino da língua no país.
Entre as orientações legais e a realidade linguística cabo-verdiana
Partindo da realidade sociolinguística de Cabo Verde, caracterizada pela coexistência do português e do cabo-verdiano, as autoras discutem a necessidade de políticas e práticas pedagógicas que considerem o contexto multilingue do país.
O estudo analisa documentos como a Lei de Bases do Sistema Educativo e o Sistema Educativo estabelecido no Decreto-Legislativo, concluindo que as políticas linguísticas existentes ainda não respondem plenamente às especificidades sociolinguísticas cabo-verdianas.
A análise do manual incide, particularmente, sobre a organização das propostas de leitura, escrita, oralidade e análise linguística, procurando perceber como estas dimensões são trabalhadas no ensino do português enquanto segunda língua.
Um dos principais resultados apontados pelas investigadoras é a existência de limitações no material didático relativamente ao apoio à língua materna dos educandos. Segundo o estudo, a abordagem adotada pelo manual aproxima-se mais de uma perspetiva de ensino do português como língua materna do que como língua segunda, não contemplando de forma suficiente a realidade linguística dos estudantes cabo-verdianos.
O artigo encontra-se disponível em acesso aberto na Revista do GELNE e pode ser consultado aqui.

