Encontro reúne líderes, académicos e profissionais de mais de 20 países para debater tecnologia, inclusão, sustentabilidade e valorização do capital humano

A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) acolheu, nos dias 24 e 25 de julho de 2026, no Campus do Palmarejo Grande, na Cidade da Praia, o Human Leaders International Congress Cabo Verde 2026, dedicado ao tema “Liderança humanizada para um futuro sustentável e inclusivo”. A iniciativa reuniu líderes, especialistas, académicos, empresários e representantes institucionais para refletirem sobre os desafios da liderança num contexto marcado pela inteligência artificial, pelas transformações organizacionais e por novas exigências sociais.
O congresso, organizado pela Human Leaders, contou com mais de 60 oradores e participantes provenientes de mais de 20 países, em sessões dedicadas à liderança, à cultura organizacional, à inovação, ao bem-estar, à diversidade, à inclusão, à sustentabilidade e à cooperação internacional.
Na sessão solene de abertura, a vice-reitora para a Área Académica da Uni-CV, Elga Carvalho, defendeu que o principal desafio do século XXI não será apenas tecnológico, mas também profundamente humano. Num período caracterizado pela intensa produção de conhecimento e pela rápida evolução da inteligência artificial, a vice-reitora considerou essencial formar líderes capazes de colocar a tecnologia ao serviço das pessoas.
“À medida que a própria inteligência artificial evolui nas demandas mais complexas, tornam-se ainda mais valiosas algumas competências humanas: a ética, a empatia, a capacidade de escutar, o diálogo, a cooperação e o compromisso com o bem-estar comum”, afirmou.
Capital humano como principal património
Elga Carvalho destacou que África pode contribuir para o debate mundial sobre liderança através de experiências construídas em torno da resiliência, da juventude, do empreendedorismo, da solidariedade e do sentido de comunidade.
A vice-reitora chamou também a atenção para a necessidade de reforçar a participação das mulheres nos espaços de decisão. Segundo afirmou, a liderança feminina deixou de ser apenas uma questão de igualdade de oportunidades para se afirmar como uma necessidade estratégica para o desenvolvimento sustentável das sociedades.
Neste domínio, sublinhou a responsabilidade das universidades na preparação de mulheres para assumirem funções de liderança com conhecimento, ética, capacidade de inovação e compromisso com o bem comum.
Ao abordar a experiência de Cabo Verde enquanto pequeno Estado insular em desenvolvimento, Elga Carvalho considerou que a grandeza de uma nação não depende da sua dimensão territorial ou da abundância de recursos naturais, mas da capacidade de desenvolver o potencial das pessoas.
“O nosso maior património não são os recursos naturais, é o capital humano”, declarou, defendendo que investir na educação, na liderança das mulheres e na valorização das pessoas fortalece as instituições e acelera o desenvolvimento sustentável.
Liderar é criar condições para os outros crescerem
Na sua intervenção, a vice-reitora relacionou ainda a liderança com a sua experiência enquanto investigadora na área da saúde. Para Elga Carvalho, liderar não significa apenas tomar decisões, mas cuidar, trabalhar em equipa e criar condições para que outras pessoas desenvolvam o seu potencial e transformem os respetivos contextos de vida.
Neste sentido, defendeu que as universidades devem promover ambientes inclusivos, incentivar a participação das mulheres na investigação, na inovação e na tomada de decisão, além de formarem cidadãos comprometidos com a ética, a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável.
“A verdadeira liderança não consiste em ocupar um lugar de destaque, mas em criar oportunidades para que outros também possam chegar mais longe, com esperança, autoconfiança e segurança psicológica”, afirmou.
Cabo Verde como espaço de diálogo
A presidente do congresso, Lúcia Brito, explicou que o Human Leaders nasceu da necessidade de promover uma liderança mais consciente, responsável, colaborativa e centrada na dignidade humana. Defendeu que África deve participar ativamente na definição das respostas para os desafios globais e apontou Cabo Verde como um espaço privilegiado de encontro entre continentes, culturas e experiências.
Segundo Lúcia Brito, uma liderança humanizada não implica menor ambição ou menor exigência. Significa alcançar resultados sem sacrificar a dignidade das pessoas, inovar sem excluir e crescer sem deixar grupos sociais para trás.
O Presidente da República, José Maria Neves, associou-se à sessão de abertura por mensagem, na qual destacou a importância de construir confiança, promover consensos e preservar o diálogo num contexto internacional marcado pela polarização. O Chefe de Estado salientou ainda a necessidade de reconhecer os jovens como protagonistas do presente e de reforçar a ligação entre universidades, empresas, empreendedorismo e mercado de trabalho.
Ao acolher o congresso, a Uni-CV reafirmou a sua vocação enquanto espaço de produção e circulação de conhecimento, diálogo internacional e reflexão sobre os desafios contemporâneos.
O programa incluiu conferências, mesas-redondas, oficinas e sessões sobre liderança, felicidade no trabalho, neurociência, justiça climática, economia azul, transição energética e comunicação.