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A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) e a Fundação Calouste Gulbenkian abriram esta segunda-feira, na Praia, a 6.ª edição do Campos da Matemática Gulbenkian em Cabo Verde (CdM-CV), que este ano envolve 67 estudantes de 29 escolas secundárias do país e estreia uma formação em Geometria dirigida aos professores que os acompanham.

Até 17 de julho, decorre na capital o campo de nível 2, destinado a 37 alunos do 11.º ano das ilhas de Sotavento que transitaram da edição anterior, acompanhados por 18 professores de 18 escolas. O momento dedicado ao Barlavento, que vai decorrer de 20 a 24 de julho na Universidade de Cabo Verde, em Mindelo, junta 30 estudantes e 11 professores de 11 escolas. Durante uma semana, os participantes trabalham raciocínio lógico e resolução de problemas em atividades que vão da probabilidade e estatística à introdução ao Python, passando pela matemática aplicada à música e à física e pela matemática por trás do Cubo Mágico, além da visita de estudo à Cidade Velha.

A grande novidade desta edição é a formação de 10 horas em Geometria, alinhada com os programas e manuais escolares em vigor, destinada aos professores acompanhantes. "Percebemos que a geometria tem sido deixada para trás ano após ano", justificou a coordenadora do CdM-CV e diretora do Laboratório de Matemática da Uni-CV (LabMat), Telma Silva, na cerimónia de abertura. A responsável apresentou o Campos como "um modelo de ensino e aprendizagem da matemática", que trabalha "com as duas faces da mesma moeda": motivar os estudantes e dar novas ferramentas aos professores, para que a experiência chegue às salas de aula de todo o país.

Na sessão de abertura, no auditório 101 do Edifício 8 da Uni-CV, a reitora Astrigilda Silveira destacou o posicionamento da instituição como "um verdadeiro living lab de descoberta matemática e científica", que integra o LabMat, as Casas da Ciência e o Instituto GeoGebra. A diretora do Programa Gulbenkian Parcerias com África, Hermínia Cabral, que acompanhou a cerimónia online, lembrou que a Fundação, que este ano celebra 70 anos, aposta desde 2018 na educação STEM nos PALOP, "com um forte enfoque na matemática".

Cada estudante recebe um kit de trabalho com manual do 11.º ano, material de geometria e calculadora científica, e conta com o acompanhamento do LabMat durante o ano letivo. "Achei que vinha apenas para estudar matemática, resolver exercícios (...). No entanto, tem sido tudo muito interessante, emocionante e marcante", testemunhou Camila, aluna da Escola Secundária de Tarrafal e participante desta edição.

Criado e financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, com organização da Uni-CV e apoio do Ministério da Educação, o Campus realizou cinco edições desde 2021, que passaram por todas as escolas secundárias do país. O encerramento, na Praia, está previsto para 17 de julho, com testemunhos dos participantes e entrega de diplomas.

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