
A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) deu início, esta quarta-feira, 16 de setembro, ao IV Colóquio dos Professores de Francês, que reúne, na Praia, docentes dos ensinos básico e secundário para três dias de partilha de experiências e de práticas pedagógicas. O encontro decorre até 18 de setembro e aborda, entre outros temas, a utilização da inteligência artificial nas aulas, o desenvolvimento da expressão oral e a motivação dos alunos para a aprendizagem do francês.
Organizado pela Uni-CV, através da Coordenação de Estudos Franceses e do Instituto de Língua Francesa, em parceria com a Associação dos Professores de Francês de Cabo Verde (APROF-CV), o colóquio tem como tema “Partilha de experiências e inovações pedagógicas no ensino e na aprendizagem do francês como língua estrangeira”.
A iniciativa dá continuidade à formação de 16 docentes cabo-verdianos que participaram, em julho de 2026, no programa BELC, em França. Ao longo do encontro, os participantes nessa formação partilham com os colegas conhecimentos e recursos que poderão aplicar nas suas aulas.
Na sessão de abertura, a Reitora da Uni-CV, Astrigilda Silveira, destacou a importância de transformar a formação recebida por um grupo de professores numa experiência com alcance mais amplo. “É precisamente nesta lógica de formação, partilha e multiplicação que encontramos uma das maiores riquezas deste colóquio”, afirmou.
A Reitora defendeu que a formação contínua deve integrar uma estratégia de valorização profissional, atualização pedagógica e colaboração entre docentes e investigadores. “Investir no professor é investir nos alunos, é investir na escola, é investir na sociedade e no futuro do país”, sublinhou.
Em entrevista, o presidente da APROF-CV, Paul Mendes, explicou que o encontro procura apoiar os professores na adoção de práticas que incentivem a participação dos alunos, particularmente no desenvolvimento da expressão oral. “O objetivo é levar o aluno a praticar a língua estrangeira de forma fluente”, referiu.
Segundo o responsável, a utilização de ferramentas de inteligência artificial pode também ajudar a responder à falta de materiais pedagógicos, permitindo aos docentes produzir recursos para as suas aulas. A formação abrange ainda estratégias de desenvolvimento da escrita, promoção da motivação e reforço da coesão dos grupos em sala de aula.
O programa está organizado em oito módulos, apresentados no primeiro dia e aprofundados em oficinas nos dias 17 e 18 de setembro. Além do digital e da inteligência artificial, os conteúdos incluem o ensino do francês a crianças, atividades de expressão oral, artes visuais no ensino a adolescentes e adultos, fonética, exploração do manual e ensino da gramática numa abordagem orientada para a ação, dinâmica de grupo e utilização dos recursos da TV5MONDE.
Embora esta etapa esteja centrada nos professores da ilha de Santiago, a APROF-CV prevê alargar a partilha às outras ilhas. Paul Mendes explicou que os docentes que participaram na formação em França poderão dinamizar ações semelhantes nas respetivas ilhas, com o acompanhamento da associação.
Na abertura, o Embaixador de França em Cabo Verde, Omar Keita, reafirmou o compromisso com a parceria com a Uni-CV e com o desenvolvimento do ensino da língua francesa no arquipélago, salientando a importância de fazer chegar os resultados da cooperação aos professores e aos alunos.
O colóquio conta com o apoio da Cooperação Francesa, através do projeto Fonds Équipe France n.º 2025-214, ao abrigo de um acordo de subvenção entre a APROF-CV e a Embaixada de França. O projeto prevê abranger diretamente 100 professores e visa reforçar a formação contínua, alargar a rede nacional de examinadores e avaliadores das certificações DELF-DALF e capacitar futuros formadores.
As atividades decorrem no Auditório 101 do Edifício 8 e em salas do Edifício 6 da Uni-CV, na Praia. A avaliação dos trabalhos e o encerramento estão previstos para as 16h00 de sexta-feira, 18 de setembro.

