Professora da Universidade de Cabo Verde comandará entidade que reúne cientistas de nove países lusófonos pelos próximos três anos, com agenda focada em cooperação científica e valorização do ensino

 A Professora Sónia Semedo, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Cabo Verde e investigadora do RS2Lab, foi reconduzida à presidência da União dos Físicos da CPLP (UFPLP) para o mandato 2026–2029. A reeleição, anunciada recentemente, consolida a liderança da cientista cabo-verdiana à frente de uma organização que congrega físicos de Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e outros países de língua portuguesa.

Formada em Engenharia Física pela Universidade de Coimbra, Semedo acumula as funções de Pró-Reitora para as áreas de Investigação e Formação Avançada na Uni-CV. A sua recondução representa um reconhecimento do trabalho desenvolvido no mandato anterior, mas também a confiança na capacidade de articulação entre comunidades científicas dispersas por três continentes.

A nova direção da UFPLP apresenta uma composição transcontinental: Sylvio Canuto (Brasil), Arsénio José Mindú (Moçambique) e Anselmo Tomás (Angola) ocuparão as vice-presidências, enquanto o português António Manuel Carreiras Casaca assumirá a tesouraria. Esta composição geográfica reflete a ambição de fortalecer laços entre centros de investigação do espaço lusófono, historicamente marcado por assimetrias no acesso a recursos científicos.

O programa para o triénio assenta em cinco pilares estratégicos. O primeiro visa expandir a base associativa através do mapeamento sistemático de físicos lusófonos, um levantamento que poderá revelar a real dimensão da comunidade científica na área. Simultaneamente, a UFPLP pretende investir na formação de professores, promovendo oficinas práticas e metodologias pedagógicas inovadoras para o ensino da Física.

No plano da investigação, a entidade aposta na diversificação de fontes de financiamento e no estabelecimento de projetos conjuntos que conectem investigadores a grandes infraestruturas científicas internacionais, um desafio particularmente relevante para países com orçamentos limitados para ciência.

A agenda inclui ainda a dinamização de conferências, debates públicos e ações de divulgação científica, numa tentativa de aproximar a Física da sociedade civil. A comunicação institucional merecerá atenção reforçada, com presença digital ampliada, publicação regular de newsletter e participação mais ativa em discussões sobre políticas públicas para a ciência nos países da CPLP.

Os próximos três anos dirão se a UFPLP conseguirá transformar ambições em realizações concretas, superando os desafios crónicos de financiamento, mobilidade científica e reconhecimento institucional que caracterizam a investigação no espaço lusófono.

 

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