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A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) assinalou esta sexta-feira, 9 de outubro, o Dia Mundial dos Correios com a conversa aberta “E-commerce: da Academia à Indústria”, na qual o Ministro da Economia, Comércio, Indústria e Transição Digital, António Baptista, desafiou a instituição a pôr o conhecimento e a tecnologia ao serviço do setor primário. Para o governante, o comércio eletrónico só cumpre o seu papel se houver produção nacional para vender.

António Baptista foi o facilitador do encontro, no Auditório 101 do Campus do Palmarejo Grande, na Praia. A iniciativa, organizada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia, integrou também a Semana de Acolhimento e Integração dos Novos Estudantes.

“O e-commerce é uma alternativa, uma ferramenta para facilitar o acesso dos nossos produtos aos mercados. Mas não é um fim, é um meio”, afirmou o Ministro, que apontou o empreendedorismo como o grande desafio do país.

António Baptista pediu aos estudantes que troquem a “visão de aquário” pela de “aquacultura”. No aquário, explicou, gasta-se dinheiro com um peixe que não é para comer, enquanto a aquacultura serve para produzir. Do mesmo modo, defendeu, a tecnologia deve resolver problemas concretos e gerar emprego e rendimento para as famílias.

O Ministro anunciou que o seu ministério vai implementar quatro programas nacionais: literacia digital, literacia financeira, empreendimentos coletivos e inovação. O programa de literacia digital já tem um manual, financiado pelo Banco Mundial, e deverá avançar através de protocolos com a Uni-CV. Segundo o governante, faltam no país consórcios, joint ventures e cooperativas, e muitas ideias apresentadas em concursos de negócio são “convencionais, com pouca criatividade e inovação”.

António Baptista sublinhou que a transição digital é prioridade do Governo para aproximar dos serviços públicos os cabo-verdianos que vivem longe dos centros de decisão. Referiu que a Carteira Digital e o 5G já estão em teste e que o Portal Único está em preparação. Como prova de que é possível acabar com o papel, apontou a candidatura à Uni-CV, feita “praticamente sem papel”.

O Ministro admitiu que o financiamento continua a ser “um problema estrutural” e lembrou instrumentos como a Pró-Garante, a Pró-Capital, a Pró-Empresa e o Fundo Morabeza, financiado, segundo disse, pelo Banco Africano de Desenvolvimento.

A Reitora da Uni-CV, Astrigilda Silveira, defendeu que Cabo Verde não deve olhar para o comércio eletrónico apenas como consumidor, mas tornar-se também produtor, prestador de serviços e exportador na economia digital. Lembrou que o Plano Plurianual de Atividades 2026-2030 prevê um Centro de Empreendedorismo e Prestação de Serviços, laboratórios vivos e mecanismos de transferência de conhecimento. “A transformação digital de Cabo Verde não será feita por uma única instituição. Será construída através da colaboração”, afirmou.

Isidoro Gomes, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia, revelou que a nova agência dos Correios no campus da Uni-CV elevou para 660 001 o número de estações postais no mundo, segundo dados atualizados este mês pela União Postal Universal. Em declarações à imprensa, considerou que o transporte e as entregas continuam a ser o “calcanhar de Aquiles” do comércio eletrónico nacional, apesar de o país já contar com um quadro legal próprio, cursos especializados e vários marketplaces.

O painel contou ainda com David Gomes, consultor da ARME e antigo presidente do conselho de administração da ANAC; Alberto Pimenta, senior & board e-commerce advisor nos CTT - Portugal e presidente da Associação Internacional das Comunicações de Expressão Portuguesa (AICEP), que participou por via telemática; Amilson Garcia, fundador e CEO da CVBuy; e Jaqueline Carvalho, administradora da M&J Tech.