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A docente e investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Uni-CV, Sónia Silva Victória, publicou recentemente com as autoras Abigail Barker e Elin M. Rydeblad, na Geophysical Monograph Series da AGU (American Geophysical Union), um capítulo no livro Crustal Magmatic System Evolution: Anatomy, Architecture, and Physico-Chemical Processes, com o título Magma storage at Ocean Islands insights from Cape Verde.

Resumo: O arquipélago de Cabo Verde é um grupo de ilhas oceânicas situadas no Atlântico Central que forma duas cadeias de ilhas que se seguem a noroeste e sudoeste. Várias das ilhas são consideradas vulcanicamente ativas, com erupções frequentes no Fogo. Estudou-se a química mineral e termobarometria das ilhas do sul - Santiago, Fogo e Brava, juntamente com o monte submarino Cadamosto. O objetivo é explorar o conhecimento sobre o sistema de armazenamento magmático e as implicações sobre futuras erupções vulcânicas e riscos associados em Cabo Verde. As rochas vulcânicas de Cabo Verde são alcalinas e dominantemente máficas, enquanto a ilha de Brava e o Monte Cadamosto são invulgarmente félsicas. As composições de clinopiroxena variam entre 60 e 90 Mg# em Santiago e Fogo. Em contraste, na Brava e no monte submarino Cadamosto, as composições de clinopiroxena são de 5 a 75 Mg#. A química mineral e a zonação registam cristalização fracionada, recarga, agregação de cristais, mistura de magma e variações nas condições térmicas do magma a temperaturas de 925 a 1250 °C.  As profundezas do armazenamento do magma em Santiago, Fogo, Brava e no monte submarino cadamosto encontram-se entre 12 e 40 km, formando zonas de armazenamento do magma no sub‐Moho. O armazenamento transitório de magma na crosta é sugerido por re-equilíbrio de inclusão de fluidos e sismicidade pré-erupção. Uma compilação global do armazenamento de magma nas ilhas oceânicas sugere que este é uma característica comum, e as erupções vulcânicas são frequentemente associadas com a subida rápida do magma através da crosta. O armazenamento de magma superficial é mais variável e provavelmente reflete variações locais na estrutura da crosta, fornecimento de sedimentos e tectónica. Os contrastes petrológicos no sistema de movimento do magma em Cabo Verde e noutros locais são vitais para integrar-se com modelos de deformação e sismicidade, a fim de melhorar a compreensão e mitigação dos perigos vulcânicos.

 

Abstract: The Cape Verde archipelago is a group of ocean islands in the Central Atlantic that forms two chains of islands trending northwest and southwest. Several of the islands are considered to be volcanically active, with frequent eruptions on Fogo. We examine the mineral chemistry and thermobarometry of the southern islands—Santiago, Fogo, and Brava—together with the Cadamosto Seamount. Our objective is to explore the magmatic storage system and implications for volcanic eruptions and associated hazards at Cape Verde. The volcanic rocks at Cape Verde are alkaline and dominantly mafic, whereas the island of Brava and the Cadamosto Seamount are unusually felsic. Clinopyroxene compositions range from 60 to 90 Mg# at Santiago and Fogo. In contrast, at Brava and the Cadamosto Seamount, the clinopyroxene compositions are 5 to 75 Mg#. Mineral chemistry and zonation records fractional crystallization, recharge, aggregation of crystals, magma mixing, and variations in thermal conditions of the magma at temperatures from 925 to 1250 °C. Magma storage depths at Santiago, Fogo, Brava, and the Cadamosto Seamount are between 12 and 40 km, forming deep sub‐Moho magma storage zones. Transient magma storage in the crust is suggested by fluid inclusion re‐equilibration and pre‐eruption seismicity. A global compilation of magma storage at ocean islands suggests that deep magma storage is a common feature, and volcanic eruptions are often associated with rapid magma ascent through the crust. Shallow magma storage is more variable and likely reflects local variations in crustal structure, sediment supply, and tectonics. Petrological constraints on the magma plumbing system at Cape Verde and elsewhere are vital to integrate with deformation models and seismicity in order to improve understanding and mitigation of the volcanic hazards.