unicv SED

DSC08033

O Serviço de Documentação e Edições tem trabalhado no sentido de recuperar o património histórico a nível documental da Uni-CV, um trabalho que de acordo com a sua diretora, “é a memória da instituição que é necessário preservar”. Paralelamente, as Edições Uni-CV têm tido uma grande evolução, tendo já ultrapassado de seis dezenas, numa década de publicações em versão impressa e eletrónica.


Uni-CV: Quais são as competências do Serviço de Documentação e Edições?
Dra. Elizabeth Coutinho: O Serviço de Documentação e Edições têm por função fazer a gestão corrente em matéria de bibliotecas, documentação e edições, competindo-lhe nomeadamente, recolher, sistematizar, gerir e disponibilizar a todos os sectores da universidade, informação ou documentação de carácter científico, técnico e cultural, necessário ao desempenho das funções. Também ao serviço cumpre participar em sistemas ou redes de informação bibliográfica, científica e técnica de acordo com os interesses da universidade. O serviço gere os recursos bibliográficos e documentais da Uni-CV e também programa e realiza atividades editoriais nomeadamente de coedição, publicação, distribuição de livros, de revistas, ordens informativas, obras científicas literárias e culturais. As Edições na Uni-CV são o serviço editorial da universidade com o papel de estimular a investigação científica e divulgar os seus resultados, contribuindo assim para ampliar e divulgar o conhecimento que se faz na academia por professores, investigadores e mesmo por instituições académicas parceiras como resultado de trabalhos conjuntos.

Uni-CV: Quando foi realizada a primeira edição na Uni-CV e quantos livros já editaram até agora?
EC: Poderemos dizer que, o embrião, foi a Revista de Estudos Caboverdianos (REC), lançada em 2005 pela então Comissão Instaladora da Universidade de Cabo Verde, uma publicação periódica, de caracter pluridisciplinar, albergando artigos de investigação científica aplicada, tendo por objeto Cabo Verde e/ou os cabo-verdianos. Contudo, a primeira edição com a chancela das Edições Uni-CV foi o livro "Da Cidade da Ribeira Grande à Cidade Velha em Cabo Verde", publicado em 2007, da autoria do professor investigador Fernando Pires. Até hoje já foram publicados, em versão impressa e eletrónica, mais de sessenta títulos.

Uni-CV: Onde podemos encontrar os livros editados pelas Edições Uni-CV?
EC: As Edições da Uni-CV, na sua versão impressa, estão disponíveis ao público na Universidade de Cabo Verde (Escola Grande, Campus do Palmarejo e Reitoria da Uni-CV/Mindelo) e num conjunto de livrarias, quer no Mindelo, quer na Praia. Na Praia, temos as Edições Uni-CV à venda nas livrarias Nhô Eugénio, Neves, Pedro Cardoso, Berdiana e na Biblioteca Nacional. No Mindelo, podem ser encontradas nas livrarias A Semente, Terra Nova e no Centro Cultural do Mindelo. Gostaríamos de poder chegar a livrarias do interior de Santiago e noutras ilhas, nomeadamente no Sal e Santo Antão. As publicações em versão eletrónica podem ser consultadas a partir do site da Uni-CV.

Uni-CV: Quais as áreas que são mais abordadas pelas Edições Uni-CV?
EC: Na verdade, a área que tem merecido mais produção é a de Ciências Humanas e Socias, todavia também temos publicações ligadas às Ciências e Tecnologia e às Ciências Agrárias e Ambientais. O conjunto de publicações que já demos à estampa conta com uma variedade temática grande. Desde logo as que refletem análises de diferentes aspetos da realidade social cabo-verdiana. Dispomos ainda de títulos na área da linguística, filosofia e património cultural material e imaterial. Também temos livros que refletem o processo de ensino-aprendizagem e a prática e reflexão de docentes. Oferecemos ainda publicações que visam divulgar as investigações realizadas por estudantes da Uni-CV em universidades brasileiras, no âmbito do programa de iniciação científica (Anais do Congresso da Iniciação Científica da Universidade de Cabo Verde) e revistas, designadamente a Revista de Estudos Caboverdianos, a Revista de Ciência e Tecnologia e a Revista Desafios, esta em associação com a Cátedra de Amílcar Cabral, para além de Atas de Congressos e de Conferências.
De realçar que as Edições Uni-CV têm um papel de liderança a cumprir na academia como veículo de difusão do conhecimento, da arte e da cultura, inserindo-se também no conjunto das acções da Uni-CV junto à comunidade circundante, disponibilizando, ao público externo à universidade, o conhecimento adquirido com o ensino e a pesquisa desenvolvidos dentro da universidade.
Devemos sublinhar que, ao nível das Edições Uni-CV, há uma prática de publicação que se traduz num trabalho meritório de parceria com o Gabinete da Comunicação e Imagem e com os seus designers, responsáveis pela conceção gráfica das publicações. Essa parceria é responsável pelo enorme salto dado, em termos de quantidade e de qualidade da nossa produção.

Uni-CV: Como é composto o Repositório Digital da Uni-CV?
EC: O Repositório Digital é um sistema de informação que recorre a uma determinada tecnologia e que se organiza de uma forma específica. Os documentos passíveis de serem depositados no Repositório Digital, vão desde artigos, posters, relatórios científicos e técnicos, livros ou capítulos de livros, resumos, teses de doutoramento, dissertações de mestrado e trabalhos de final de curso de licenciatura, com o seu devido mérito.

Uni-CV: Com que finalidade foi criado o Repositório Digital?

EC: O Repositório Digital foi criado em 2013, com o objetivo de organizar de forma sistemática a investigação na Uni-CV, promover a sua integração numa única plataforma, difundir e dar visibilidade à investigação realizada na academia, inventariar, valorizar e preservar a memória intelectual, académica, científica e cultural da academia e também construir um sistema como instrumento de monitorização. Na verdade, este processo acabou por sofrer uma paralisação relacionada, sobretudo, com uma ausência de critérios para a sua alimentação e uma necessidade de regulamentação específica, o que neste momento está ultrapassado.

Uni-CV: O que tem sido feito para a dinamização do Repositório Digital?
EC: Sobre a liderança da Pró-Reitora para Pós-graduação e Investigação, foi criada uma comissão responsável pelo Repositório Digital da Universidade de Cabo Verde. Essa comissão reúne docentes como pontos focais das diferentes escolas e faculdades, a Direção dos Serviços de Documentação e Edições, a Direção dos Serviços Técnicos e a Pró-Reitora para a Pós-graduação e Investigação. Já está ultimada a proposta de Regulamento do Repositório para a qual contámos com a colaboração e apoio da Universidade do Porto. Igualmente de referir que a dinamização do Repositório depende da maior ou menor consolidação do sistema integrado de informação da universidade, cujo processo está em desenvolvimento. Por outro lado, estamos conscientes de que a redinamização do Repositório vai implicar a promoção de campanhas de sensibilização, de divulgação da ciência e sessões de esclarecimento em relação, sobretudo, àquilo que se denomina de Open Acess, ou acesso aberto à informação.

Uni-CV: Os serviços também gerem as bibliotecas. Poderia caraterizar a dinâmica atual deste serviço e como são enriquecidas?
EC: As nossas bibliotecas estão dispersas pelas diferentes escolas e faculdades: no Campus do Palmarejo, na ENG, na Escola de Ciências Agrárias e Ambientais em S. Jorge dos Órgãos, também na Faculdade de Engenharia e Ciências do Mar e na Faculdade de Ciências Socias e Humanas, na Uni-CV/ Pólo do Mindelo. Aqui na Escola Grande, onde estamos, temos um Centro de Documentação mais virado para as pós-graduações, a Mediateca do Instituto de Língua Francesa, que é uma biblioteca que serve sobretudo os amantes da língua francesa, mas que oferece um conjunto diverso de materiais audiovisuais e outros e o núcleo bibliográfico da Cátedra Amílcar Cabral. De assinalar ainda que no Instituto Camões, no Campus de Palmarejo, dispomos de um centro de documentação.
As nossas bibliotecas têm sido alimentadas, sobretudo, por doações de universidades parceiras, mas também por iniciativas de antigos professores e colaboradores que pretendem com isso marcar a sua ligação à universidade, através da doação de livros, de coleções. Em termos de aquisições, tem sido mais difícil devido a constrangimentos orçamentais. No entanto, as bibliotecas não contam apenas com o recurso do livro e revistas impressas. Temos também recursos bibliográficos online. Os nossos estudantes, através do portal da biblioteca, podem ter acesso, por exemplo, a bibliotecas eletrónicas, designadamente à B-ON, para a qual a Uni-CV tem uma licença para aceder a um determinado número de artigos e de revistas. Lamentamos que a mesma não seja amplamente utilizada, já que este é um grande privilégio da/para a Uni-CV. Temos ainda o acesso online à Open Edition.

Uni-CV: No que consideram que poderiam melhorar?
EC: Obviamente que gostaríamos de anualmente dispor de orçamento para comprar novos livros para atualização dos nossos acervos e para acedermos a recursos bibliográficos online de qualidade e que exigem o pagamento de inscrição e de utilização. Pese embora seja previsto, não tem sido disponibilizado.
Por outro lado, as nossas bibliotecas precisam de mais e melhor equipamento informático, de mobiliários adequados e de diversificar a oferta em termos de recursos (audiovisuais e em formato digital, tais como CD-ROM e DVDs e CD’s). Acreditamos que a passagem para o novo Campus da Universidade de Cabo Verde, a ser construído de raiz, irá permitir-nos dar um salto de qualidade, nomeadamente em termos ambientais, de oferta de espaços para nomeadamente consulta, leitura, formação e lazer dotados de equipamentos adequados para os servidores e para os utilizadores.
Também temos necessidade de melhorar o nível de capacitação dos nossos recursos humanos, porque nesta área da informação e da documentação a capacitação periódica e focalizada é fundamental. As oportunidades para o pessoal que trabalha nas bibliotecas não têm sido muitas e nem regulares. Entretanto estamos a procurar apostar nas possibilidades que se abrem em termos de programas internacionais de mobilidade para pessoal não docente, para que nomeadamente os técnicos superiores possam, por exemplo, fazer uma mobilidade de três meses numa biblioteca de uma universidade no estrangeiro, como forma também de abertura de horizontes e de crescimento pessoal.
O reforço de parcerias nacionais e internacionais é também algo que pretendemos melhorar e tirar mais proveito.
O Portal da Biblioteca e a gestão das bibliotecas estão intrinsecamente relacionados com o Sistema Integrado de Informação da Uni-CV. Temos estado a trabalhar com os Serviços Técnicos no sentido dessa integração e auguramos que, nesse aspeto, o ano de 2017 seja um ano de charneira.

Uni-CV: Quais são as estratégias para ultrapassar os constrangimentos?
EC: Desde logo apostar na formação dos nossos funcionários, nomeadamente aproveitando programas de mobilidade internacional e estarmos atentos ao que parceiros como a Biblioteca Nacional e o Arquivo Histórico Nacional promovem, para que possamos criar sinergias e promover mais ocasiões de capacitação e de crescimento profissional.
Há alguns aspetos regulamentares a ultrapassar, já propostos, mas ainda não aprovados em sede própria, para que a atividade editorial e o funcionamento das bibliotecas possam conhecer uma alavancagem e se trabalhe com critérios, normas e instâncias de decisão adequados.
As Edições Uni-CV são uma fonte de receitas para a universidade. O resultado da venda das Edições reverte para um fundo editorial, criado para o efeito, que se destina a apoiar a edição de obras, segundo determinados critérios. A regulamentação deste fundo é de grande importância para que se possa perspetivar uma certa sustentabilidade na atividade.
A implementação do Sistema Integrado de Informação da Uni-CV trará importantes impactos no nosso serviço, com reflexos claros na qualidade do serviço prestado à comunidade académica e na interface com parceiros e com o exterior.
Estamos muito expectantes relativamente à dinamização do Repositório Científico Digital e muito empenhados para que, em 2017, este possa ser um resultado alcançado, com impactos na academia.
Um aspeto importante do Serviço de Documentação e Edições está relacionado com a vertente arquivos. Iniciou-se o processo com um núcleo de arquivo onde foram identificados e tratados os documentos das instituições que antecederam a Uni-CV, desde 1980. O trabalho foi feito sob a liderança da professora e investigadora, agora aposentada, Adriana Carvalho. Está-se a pretender fazer agora o tratamento dos arquivos da Universidade de Cabo Verde relativos ao período de 2006 ao presente, para que se possa resgatar e reconstruir, com objetividade, a memoria e a história da Universidade de Cabo Verde. Há que preservar os testemunhos da memória do ensino superior e da universidade pública de Cabo Verde, fonte de pesquisa para alunos, professores, historiadores, pesquisadores, entre outros.

Pin It