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A docente e ex-estudante da Uni-CV Ariana Filomena Cardoso Freire foi a vencedora do Prémio Campus África entregue pela companhia de aviação Binter Canárias. Mestre em Bioquímica e Biologia Molecular pela Universidade de Ciências, Vida e Tecnologia de Huazhong, R.P. da China e licenciada em Biologia, pela Universidade de Cabo Verde confessa não ter esperado que o seu projeto sobre Anemia Falciforme chegasse tão longe. Mas contente com os resultados, afirma manter-se no caminho de procura de financiamento para poder implementar o seu projeto em Cabo Verde.   

Uni-CV: Conte-nos um pouco sobre a sua trajetória académica. Quais são as suas áreas de estudo?

Dra. Ariana Freire:  Fiz a licenciatura em Biologia, na Universidade de Cabo Verde, concluí em 2010 e logo no ano seguinte fui fazer o mestrado na China na University de Huazhong of  Life Science and Technology, cidade de Wuhan. Fiz mestrado em bioquímica e biologia molecular.

Concluí o mestrado em 2013 e no mesmo ano regressei ao país, começando a trabalhar como docente em part-time na Universidade de Cabo Verde. Em 2015, fui para uma formação de 3 meses em Biologia molecular Clínica na Universidade da Madeira-Portugal. E em 2016, submeti este projeto de pesquisa ao programa Campus África.

Atualmente sou docente a tempo inteiro na Universidade de Cabo Verde, ministrando várias disciplinas no curso de Ciências Biológicas e sou também responsável pelos Laboratórios de Biologia da Universidade. Como é o exemplo da Hematologia, uma das disciplinas que me despertou interesse para fazer o estudo que foi apresentado no programa Campus África.

A Hematologia estuda o sangue e as suas  patologias  como é o caso da anemia falciforme. Tendo em conta esta temática, pedi aos meus estudantes que fizessem uma pequena investigação para saber qual é a ocorrência das células falciformes entre os estudantes da Universidade de Cabo Verde no Campus do Palmarejo.

Fizeram, e eu tive a sorte de trabalhar com esse projeto durante dois anos consecutivos e, juntamente com os meus estudantes organizámos uma campanha de doação de sangue, em parceria com o Hospital Agostinho Neto. Os estudantes usaram uma pequena amostra de sangue para realizar o estudo.

U: Ao fazeram esse estudo, já tinham algum indício de que a anemia falciforme poderia ser algo predominante em Cabo Verde?

AF:   A anemia falciforme afeta essencialmente as pessoas das regiões afetadas pela Malária e nós certamnete herdámos os alelos responsáveis por essa doença  dos nossos ancestrais do continete africanos, uma vez que somos um povo miscigenado. Existem estudos preliminares sobre a anemia falciforme em Cabo Verde, mas são estudos que não nos permitem afirmar com precisão qual a percentagem das pessoas com essa patologia no país.

A anemia falciforme, muitas vezes, não permite mesmo que se chegue à idade adulta. Uma pessoa que tenha anemia falciforme, pode ter várias complicações, desde deformações ósseas, úlceras que demoram a cicatrizar a doenças cardiovasculares. Existem mesmo casos que precisam de ter transfusões de sangue por quase toda a vida.

U:Temos muitos casos com esta patologia em Cabo Verde?

AF:  Foi feito um estudo preliminar que aponta para uma ocorrência de cerca de 5% a nível da ilha de Santiago. Mas não temos dados das outras ilhas do arquipélago.

U: Em relação aos estudos feitos com os estudantes da Uni-CV, quais foram os resultados obtidos?

AF: O estudo foi muito interessante, utilizámos métodos  ditos clássicos. Fizemos testes de falsificação, onde podémos verificar se a pessoa é portadora ou não de  anemia falciforme, contudo faltaram-nos mais informações de profundidade daí a ideia de alargar o estudo a nível molecular, que nos permiteria obter dados mais abrangentes, contribuindo assim para pesquisas a nível molecular das outras hemaglobinopatias e das doenças hereditárias e consequentemente um melhor disgnóstico

U: Qual foi a sensação de receber o prémio jovem investigador Africano pelas mãos da companhia aérea Binter Canárias?

AF:  Foi emocionante, porque não estava à espera, embora me tivesse candidatado ao programa. Esse reconhecimento do meu trabalho foi para mim muito reconfortante e motivador para poder levar adiante mais projetos do tgénero. Emoção, Felicidade e Responsabilidade, são as palavras que me descreveram na altura.

U: Qual ou quais foram os outros momentos que marcaram a sua passagem pelo programa Campus África?

AF:  Além do prémio, embora considerando todos os momentos marcantes, apontaria a conferência presidida pelos representantes da UNESCO sobre África.

U: E neste momento como está a gerir as funções de gestão dos laboratórios de Biologia da Uni-CV, docente e investigadora?

Ariana:  Bom, há tempo para tudo. É um grande desafio assumir todas essas funções, espero estar à altura para cumprir sempre com as minhas obrigações.

U: E neste momento como se encontra o estudo?

AF:  Bem, nesta fase, estamos à procura de financiamento a nível nacional. O docente da Uni-CV Dr. Jailson Lopes é um dos investigadores nesta pesquisa e esperamos que o reconhecimento internacional do prémio Campus África seja um impulso forte, para que possamos obter apoios e avançar com o trabalho.

U: Além de Cabo Verde, quais são os próximos passos?

AF:  Espero conseguir todo o apoio aqui em casa (Cabo Verde), isso abrirá portas para obtermos financiamentos internacionais de forma mais fácil. Além da execução bem sucedida de um projeto aqui no país, auxiliará no aumento da credibilidade da Uni-CV, bem como, das entidades nacionais parceiras.

A Fundação Canárias para o Controlo de Doenças Tropicais (FUNCCET) em colaboração com o Instituto de Doenças Tropicais e Saúde Pública da Universidade de La Laguna (Tenerife) e do Ministério do Ensino Superior, Ciência e Inovação promoveram o concurso de Bolsas/Prémios - Campus África , que premiou a Docente da Universidade de Cabo Verde Dr. Ariana Filomena Cardoso Freire.

O Campus África é um programa internacional com a participação de jovens de universidades africanas e representantes académicos de algumas instituições de ensino superior do continente vizinho, bem como representantes de organizações internacionais.A primeira edição foi em outono de 2014, também na Universidade de La Laguna, onde mais de 65 especialistas de todo o mundo se reuniram.

 

Reitora da Uni-CV sobre programa Campus África: “A organização foi excelente”

A Universidade de Cabo Verde caminha no sentido da inovação e para isso a criação de fortes parcerias com instituições como a Universidade de La Laguna (ULL) são de grande importância. A Reitora da Uni-CV afirma a crescente aposta da Universidade nas áreas da Saúde com a abertura do curso de medicina e o projeto da primeira Unidade Orgânica na área das Ciências Médicas e da Saúde. Depois do intercâmbio proporcionado aos estudantes da Uni-CV pelo Campus África, a ULL demonstrou que quer continuar a contribuir na capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento e consolidação da docência e da investigação nas Ciências da Vida e da Saúde na única Universidade pública de Cabo Verde.

Reitora Sobre Campus 

Uni-CV: Durante o encontro na Universidade de La Laguna, foram encontrados alguns pontos de possíveis parcerias e o reforço das ligações existentes em diferentes áreas. Quais foram as áreas identificadas?

Reitora da Uni-CV: O reforço da parceria no domínio da saúde, concretamente das doenças tropicais e da biologia molecular, o domínio da Engenharia Alimentar e a Gestão de Projectos. Ficou patente o interesse das duas universidades em desenvolverem conjuntamente projectos que envolvam a mobilidade académica como forma de proporcionar oportunidades de intercâmbio de experiências, a capacitação de docentes, estudantes e funcionários.

U: Porquê que a Uni-CV pretende colaborar nestas áreas?

R: Porque são algumas das áreas em que a Uni-CV está a apostar fortemente neste momento e em que a Universidade de La Laguna já acumulou uma grande experiência internacional. A nossa Universidade acaba de abrir o primeiro curso de medicina e pretende fundar muito em breve a primeira Unidade Orgânica na área das Ciências médicas e da saúde. A nossa parceira estratégica para este projecto é a Universidade de Coimbra. No entanto, a Universidade de La Laguna mostrou-se totalmente disponível em apoiar a Universidade de Cabo Verde na capacitação de docentes e investigadores que poderão vir a contribuir para o desenvolvimento e consolidação da docência e da investigação no domínio das ciências da vida e da saúde. A capacitação de docentes/investigadores que constituirão o quadro de suporte, é uma estratégia fundamental para garantir a sustentabilidade do projecto. À semelhança do que temos feito em outras áreas, tentaremos potencializar todas as oportunidades que as diversas parcerias nos oferecem para conseguirmos capacitar em pouco tempo vários docentes/investigadores nesses domínios. A Universidade de La Laguna tem estado sempre muito próxima da Uni-CV, desde a sua fundação, e continua a ser uma das parceiras estratégicas para o seu desenvolvimento e crescimento, estando disposta a continuar a apostar no reforço dessa colaboração. A aproximação das duas Universidades deveu-se muito ao empenho muito pessoal de duas personalidades da ULL, o Professor Basílio Valladares, que é o Presidente do Instituto de Doenças Tropicais e Saúde Pública da Universidade de La Laguna, e o Professor José Soliño, que foi Reitor dessa Universidade e que tem contribuído muito para a sua internacionalização, através do fomento de projectos com universidades estrangeiras, nomeadamente a Uni-CV.

U: Vários estudantes, docentes e antigos ex-estudantes da Uni-CV participaram no intercâmbio realizado em Canárias. Como decorreu o intercâmbio?

R: Correu muito bem, graças a uma excelente organização do programa, liderada pelos Professores José Soliño e Basílio Valadares. A participação da Universidade de Cabo Verde foi muito significativa e envolveu estudantes, ex-estudantes e docentes, mas também a própria Reitora e o Pró-Reitor para a Graduação e CESP. A participação de ex-estudantes foi muito importante pois reforçou a presença da Universidade e o facto de alguns deles já terem participado na edição anterior garantiu alguma continuidade e constituiu um indicador do interesse que este tipo de intercâmbios pode despertar nos estudantes e o que pode representar no seu currículum académico.

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U: Como foi a receção na Universidade de La Laguna?

R: Fomos muito bem recebidos e acompanhados durante toda a nossa estadia. Tivemos a oportunidade de visitar um pouco a Universidade de La Laguna e conhecer a cidade, que também é muito acolhedora. 

contacto com a cultura local

U: Qual foi o momento mais marcante deste intercâmbio com a Universidade de La Laguna?

R: Muitos momentos marcaram a nossa visita mas penso que se registaram dois momentos muito elevados: o primeiro, especialmente para nós Uni-CV, foi a entrega do prémio Campus África à Dra. Ariana Freire, docente da nossa instituição;o segundo foi a cerimónia oficial de abertura solene, realizada no teatro da cidade com uma ampla participação dos estudantes e professores e que contou com altas autoridades do Governo Regional das Canárias e da Autarquia Local de Tenerife e com a participação especial do Primeiro-Ministro de Cabo Verde, o Dr. Ulisses Correia e Silva, mas também do Reitor e Equipa Reitoral da Universidade de La Laguna e seus homólogos da Uni-CV, da Universidade de Ibn Zur de Marrocos e da Universidade Gaston Berger do Senegal. 

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U: Que outros pontos positivos pode indicar?

R: Foi muito importante termos podido encontrar-nos com a equipa reitoral da Universidade de La Laguna e discutido oportunidades de cooperação. Visitámos o Instituto de Doenças Tropicais e Saúde Pública (IETSP) e discutimos com o seu Presidente, o Professor Basílio Valadares, a possibilidade de envolvermos docentes/investigadores da Universidade de Cabo Verde e do IETSP da ULL num programa de intercâmbio e num projecto de investigação que possa vir a evoluir para a criação de uma ligação permanente entre as duas equipas, com interesses comuns na procura de soluções científicas para doenças características da nossa região. Mas também foi muito interessante a visita que efetuámos ao Serviço Geral de Apoio à Investigação (SEGAI) cujos desafios e condições de trabalho nos impressionaram muito pela modernidade das instalações e equipamentos e pelo caráter inovador e inventivo do trabalho que se desenvolve no seu seio.

Visitámos o museu situado junto do Vulcão TEIDE e o Observatório de Astronomia e astrofísica de Tenerife. A visita guiada ao Observatório Astrofísico de Tenerife onde tivemos a oportunidade de conhecer vários telescópios e, através deles, observar o Sol, foi muito interessante.

U: Porque consideraram o intercâmbio tão importante?

Entre muitas outras razões, representou uma oportunidade de vivenciar experiências académicas e científicas numa realidade diferente da nossa, nomeadamente, as práticas anatómicas a que os estudantes da Uni-CV do curso de medicina tiveram acesso durante 3 semanas;  

Foi uma oportunidade de intercâmbio entre dirigentes das diferentes Universidades representadas no evento e com os nossos anfitriões da ULL, em que se discutiu a consolidação das relações já existentes entre as Universidades envolvidas;

Vivenciámos momentos de promoção de uma diplomacia académica notável, nomeadamente pela reunião, num único evento, de altas autoridades académicas, científicas e políticas para a procura conjunta de soluções para problemas de interesse comum;

E por fim, também tivemos a oportunidade de ter contacto com a língua e a cultura canarinas.

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U: Que mensagem a Reitora deixa aos futuros estudantes que poderão realizar o intercâmbio?

R: Que se apliquem e sejam excelentes estudantes para que possam ser seleccionados para participarem em projectos de mobilidade internacional no quadro das várias parcerias que a Uni-CV desenvolve com instituições académicas a nível internacional em todos os domínios da nossa intervenção.

Sobretudo que não se esqueçam que ao participarem nestes intercâmbios, são autênticos embaixadores da Uni-CV e levam o seu nome, imagem e logotipo, pelo que a sua participação e atitude devem ser exemplares e devem constituir um verdadeiro exercício de diplomacia académica, promovendo a internacionalização da única Universidade Pública de Cabo Verde. 

 

Ex-estudantes da Uni-CV falam do intercâmbio na Universidade de La Laguna

ex estudantes

Os ex-estudantes do curso de Ciências Biológicas da Universidade de Cabo Verde realizaram um intercâmbio académico de três semanas, na Universidade de La Laguna, em Tenerife, no âmbito do programa de bolsas de estudos "Ciência ao serviço do desenvolvimento africano". Após a sua chegada a Cabo Verde, os ex-estudantes prontificaram-se a partilhar a sua experiência de intercâmbio e vivência na Universidade de La Laguna, em Tenerife.

entrevistas

Uni-CV: Como foi o processo para o ingresso no Intercâmbio?

Ivânia Dias: Eu soube do intercâmbio através da convocatória publicada no site do Ministério do Ensino Superior de Cabo Verde. Dado que reunia todos os requisitos exigidos, apresentei a minha candidatura a qual foi analisada por um júri constituído por membros da Fundação Canária para o controlo das doenças tropicais.

Uni-CV: Enquanto ex-estudante da Uni-CV, como foi a experiência do intercâmbio na Universidade de La Laguna?

ID: Foi uma experiência muito boa e rica. Enquanto ex-estudante da Uni-CV, já tinha tido contato com membros da Universidade de La Laguna anteriormente a quando do primeiro encontro entre as duas universidades, pelo que sabia de antemão que valeria muito a pena fazer parte deste programa.

Uni-CV: Qual foi o momento mais marcante?

ID: O programa em si foi marcante, cada momento foi único. Mas o que me chamou mais à atenção foi a disponibilidade e a boa vontade de todos que de uma forma ou de outra contribuíram para que Campus Africa 2016 fosse um sucesso.

Uni-CV: Quais foram as vantagens de participar no intercâmbio?

ID: As vantagens são muitas. Foi uma forma de refletir sobre a realidade africana no que tange aos desafios existentes e as formas de contorná-los, expandir a mente e interagir com novas pessoas. 

Uni-CV: O que a levou a querer ingressar no intercâmbio?

ID: Fui motivada a ingressar no intercâmbio pela pertinência do programa apresentado, pela busca de conhecimento e o querer contribuir para a qualificação de recursos humanos, fator importante para o desenvolvimento de Cabo Verde e do continente Africano. 

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Uni-CV: Como foi o processo para o ingresso no Intercâmbio?

WS: No meu caso já tinha o conhecimento deste processo de intercâmbio desde do primeiro ano do início do programa, até fiz a minha candidatura mas infelizmente não foi selecionado no programa. Este ano, tive conhecimento através de um ex-professor que também foi estudante da Uni-CV e que me incentivou a participar neste programa, e também tive um colega que participou no primeiro intercâmbio, sempre me falava sobre ele, que seria bom se eu participasse e que tinha muitas áreas em que eu me podia interessar.

Uni-CV: Enquanto ex-estudante da Uni-CV, como foi a experiência do intercâmbio na Universidade de La laguna?

WS: A experiência foi boa, pelo simples fato de estar a conviver com as outras pessoas, alunos, professores e representantes de organizações Africanas de diversas áreas e de países diferentes. Durantes este período foi possível compartilhar e adquirir novos conhecimentos, ou seja, foi possível diversificar/abrir um pouco do meu campo de conhecimento a nível de varias áreas, principalmente no que diz respeito a saúde e ambiente, que é uma área que não digo que é muito e nem pouco explorada aqui, mas e um área que precisa de ter mais atenção. Na realidade foi um pouco cansativo devido à alimentação, clima e ao horário principalmente, mas no final vi que valeu a pena pelo esforço feito, e portanto a única coisa que tenho a dizer e muito obrigado a todo o pessoal da organização e aquelas que contribuíram diretamente ou indiretamente para que experiência fosse boa.

Uni-CV: Qual foi o momento mais marcante?

WS: Bom para mim todos os momentos foram marcantes, porque em cada momento tive a oportunidade de adquirir um conhecimento novo, principalmente no que diz respeito à cultura desse país que apresenta uma história muito interessante e rica, com um clima e topografia quase idêntica à de Cabo Verde. Houve um dia especial, o dia da cerimónia da abertura do intercâmbio, em que um grupo foi convidado para cantar as músicas tradicionais desse país. Foi muito bom, principalmente no momento em que eles cantaram uma das músicas mais conhecidas da nossa Diva, Cesária Évora.

Uni-CV: Quais foram as vantagens de participar no intercâmbio?

WS: Oportunidade de visitar e conhecer como funcionam vários laboratórios que se encontram instalados nessa instituição de doença e enfermidades tropicais, como de entomologia, parasitologia, análises de qualidade da água, entre outros e também de realizar a prática; participar em diversas palestras realizadas por palestrantes internacionais e não só, como alunos que estão a desenvolver projetos de grande importância, contribuir para o desenvolvimento da saúde e do meio ambiente, permitindo a troca de ideias; refletir ou ainda e até construir novas ideias, aquisição de novos conhecimentos; oportunidade de conhecer novas pessoas, novas histórias; oportunidade de desenvolver grandes projeto a nível de investigação juntamente com outros alunos, professores, que podem ser de grande valia para a saúde e meio ambiente, oportunidade de poder dar continuidade ao meu estudo.

Uni-CV: O que o levou a querer ingressar no intercâmbio?

WS: Bom, como sempre, gosto muito de participar em eventos deste carácter, principalmente quando são áreas que me despertam grandes interesses e permite adquirir novos conhecimentos. Então logo pensei um pouco, e disse a mim mesmo, vou apresentar a minha candidatura, quem sabe posso conseguir uma vaga para enriquecer o meu conhecimento e dar contribuição para o desenvolvimento do meu país. Não só, tive uma grande motivação por parte de alguns colegas meus, professores, familiares e também pelo fato de ser uma oportunidade de conhecer pessoas novas como ideias, conhecimentos diversificados, histórias diferentes e de voltar um dia, quem sabe, para continuar os meus estudos nesse país.

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Uni-CV: Enquanto ex-estudante da Uni-CV, como foi a experiência do intercâmbio na Universidade de La Laguna?

JM: A experiência do intercâmbio na Universidade de La Laguna (ULL) foi extraordinária e significante para a melhoria do meu desempenho pessoal e profissionais sobre as doenças tropicais e o desenvolvimento sustentável do nosso continente. Senti-me privilegiada por ser uma ex-estudante da Uni-CV durante o intercâmbio porque a ULL e os organizadores do Campus África têm uma boa relação com a Uni-CV e pretendem melhorar ainda mais esta relação no sentido de ter mais estudantes e professores cabo-verdianos nesta universidade e vice-versa.

Uni-CV: Qual foi o momento mais marcante?

JM: Todos os momentos vividos foram marcantes. A cidade acolhera do intercâmbio, La Laguna, é maravilhosa, linda e com um clima extraordinário. A ULL e os organizadores do Campus de África fizeram de tudo para que nos pudéssemos sentir em casa. As excursões aos principais pontos turísticos de ilha de Tenerife foram sem dúvida os momentos que vão permanecer nas minhas lembranças porque foram momentos de diversão, aventuras e fortalecimentos de laços de amizade entre os participantes e os organizadores.

Uni-CV: Quais foram as vantagens de participar no intercâmbio?

JM: As vantagens de participar no Campus África são muitas e destaco a trocar de experiências com investigadores/professores da ULL e de outros países, ficar perto de investigadores de topo das diversas partes do globo, bem como, enquadrar as linhas de pesquisas das diversas instituições parceiras do Campus África, entre elas a UNESCO.

Uni-CV: O que a levou a querer ingressar no intercâmbio?

JM: A minha motivação em ingressar no intercâmbio foi a minha vontade de aumentar os meus conhecimentos, abertura para as novas aprendizagens e troca de experiências profissionais, académicas e culturais com os outros participantes do intercâmbio.

Professor Doutor José Soliño, codirector do programa CampusÁFRICA: “Para nós foi muito especial contar com a participação ativa da Universidade mais importante de Cabo Verde"

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Durante três semanas os estudantes de Medicina, docentes e alguns elementos da equipa reitoral, tiveram a oportunidade de participar no Campus África, um programa da Universidade de La Laguna criado para fomentar o desenvolvimento científico no continente africano. O Professor Doutor José Soliño, codirector do programa, contou à Uni-CV qual a importância da participação de universidades como a nossa, considerada pelo mesmo como: “a Universidade mais importante de Cabo Verde”

Uni-CV: Como foi a experiência de poder contar com a presença da Uni-CV no intercâmbio na Universidade de La Laguna?

Prof. Dr. José Soliño: Para nós foi muito especial contar com a participação ativa da Universidade mais importante de Cabo Verde. A Universidade de La Laguna deseja reforçar as suas relações estratégicas com algumas universidades próximas da sua região, e a Uni-CV tem um papel destacado neste sentido, por ser uma universidade da zona da Macaronésia, por aspirar ser uma universidade de referência no Atlântico, e pela afinidade observável que existe no caráter e na qualidade humana entre os canarinos e os cabo-verdianos.

Uni-CV: Quais foram os objetivos deste intercâmbio?

Prof. Dr. José Soliño: O principal objetivo foi fomentar a reflexão e aprendizagem em relação aos problemas relevantes das nossas sociedades, especialmente no campo da saúde. Também se procurou fazer o reforço dos laços académicos e da cooperação científica entre as instituições de investigação e educação superior da África Ocidental. Um objetivo adicional foi a diplomacia científica como meio para a promoção de uma maior aproximação entre os países do Atlântico Médio. Finalmente, mas não menos importante, procuramos dar a conhecer as Canárias e estimular o conhecimento mútuo e criação de laços de amizade pessoais entre todos os que participaram no Campus África.

Uni-CV: A presença dos estudantes de medicina foi possibilitada através do convite realizado pelo Campus África. Porquê a escolha dos nossos estudantes e da nossa Universidade?

Prof. Dr. José Soliño: Porque consideramos que a criação dos estudos de medicina na Uni-CV representam um salto qualitativo na evolução dos estudos universitários em Cabo Verde e desejamos colaborar com a sua consolidação e com o seu êxito. Quando algo nasce, é sempre necessário o apoio externo para que o novo se torne viável. Isso acontece tanto com os seres humanos como com as instituições. Neste sentido, os estudos de medicina na Uni-CV estão a beneficiar do apoio fundamental da prestigiada Universidade de Coimbra, graças ao acordo entre os governos de Cabo Verde e Portugal. Pelo nosso lado, a Universidade de La Laguna, que conta com a Faculdade de Medicina mais antiga das Canárias, também dará o seu apoio complementar para que estes novos estudos contribuam para formar médicos bem treinados que possam fornecer um bom serviço à sociedade cabo-verdiana.

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Uni-CV: Na realização do programa do Campus África quais foram as preocupações que tiveram em conta?

Prof. Dr. José Soliño: Uma das nossas maiores preocupações foi desenhar um programa que fosse relevante socialmente e que servisse para despertar e estimular as vocações científicas. Consideramos que o desenvolvimento é impossível sem a ciência e aspiramos a que todos os que participaram no Campus sintam que tenha valido a pena e que a sua participação tenha feito sentido. Mas a nossa principal preocupação foi obter fundos suficientes para poder facilitar a assistência do maior número de pessoas possível. À primeira edição do Campus África (2014) assistiram 20 profissionais e futuros profissionais de saúde. Nesta segunda edição (2016) participaram 50, e gostaríamos que na próxima (2018) pudesse participar um número ainda maior.

Uni-CV: Consideram que o curso de medicina na Universidade de Cabo Verde poderá criar grandes mudanças sociais no futuro do setor da saúde do país?

Prof. Dr. José Soliño: Com certeza. A saúde é um dos requisitos imprescindíveis para o desenvolvimento de qualquer sociedade. E o fator humano, ou seja, a disponibilidade pessoal dos profissionais de saúde, tal como o seu treino, são a chave para o seu sucesso. O êxito do curso de Medicina em Cabo Verde servirá para que o país reforce a confiança nas suas capacidades formativas, e para que abandone a ideia de que existem áreas que só podem ser estudadas no estrangeiro. Para a ciência e para o talento não há limites. Se houver visão, união e confiança tudo se pode conseguir. As Canárias são um exemplo disso.

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Uni-CV: Qual identifica como tendo sido o momento mais marcante deste intercâmbio?

Prof. Dr. José Soliño: Sem dúvida o ato institucional de 18 de julho, dia de Mandela. Nesse ato, fomos honrados com a participação do senhor Primeiro Ministro de Cabo Verde, Dr. Ulisses Correia e Silva, que dissertou sobre os desafios do desenvolvimento sustentável nos pequenos territórios insulares, para a plateia do teatro principal da cidade, perante as mais altas autoridades civis, militares e académicas das Canarias, tal como a presença dos participantes do Campus África, uma ampla representação de universitários e público em general. A imprensa e os meios radiofónicos, audiovisuais e eletrónicos difundiram a sua mensagem por todo o arquipélago. Foi um ato muito relevante e de grande significado para o reforço da cooperação entre as Canárias e Cabo Verde. É de destacar que nessa mesma manhã, o senhor Primeiro Ministro visitou o Instituto de Doenças Tropicais e Saúde Pública das Ilhas Canárias da Universidade de La Laguna, e que se reuniu com o pessoal académico e com a delegação académica de Cabo Verde para participar no Campus África.

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Os estudantes da primeira edição do curso de mestrado integrado em Medicina da Universidade de Cabo Verde realizaram um intercâmbio académico de três semanas, na Universidade de La Laguna, em Tenerife, no âmbito do programa de bolsas de estudos "Ciência ao serviço do desenvolvimento africano". O intercâmbio decorreu de 11 a 29 de julho. Após a sua chegada a Cabo Verde, os estudantes prontificaram-se a partilhar a sua experiência de intercâmbio e vivência na Universidade de La Laguna, em Tenerife.

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Irene Oliveira – Santo Antão - Foi uma experiência muito rica e boa em termos conhecimentos, porque estávamos em contato com diversas pessoas, com diversos conhecimentos. Durante o intercâmbio, diariamente, fizemos dissecação de cadáveres. Da parte da manhã íamos para o hospital universitário onde fazíamos as dissecações. Os professores voluntários explicavam-nos a parte teórica e a parte prática era feita com o uso de cadáver. Da parte da tarde íamos para as conferências onde tivemos a oportunidade de assistir a trabalhos produzidos por diversos cientistas.

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Catarina Parreira - Santiago -  A experiência de intercâmbio na Universidade de La Laguna, em Tenerife, foi ótima e incrível! Foi a primeira vez que tivemos contato com cadáveres! Tivemos aulas práticas intensivas de anatomia humana, com utilização de cadáver humano. Participámos em várias conferências e tivemos a oportunidade de conhecer um pouco da história das ilhas Canárias. O mais marcante foi ter tido o contato com o cadáver.

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Maria Moreno - Santiago - Foi uma experiência incrível e ótima principalmente a de termos anatomia, porque tivemos o primeiro contato com o cadáver, onde podemos analisar ao vivo órgãos que estudamos aqui, mas que não são reais. Tivemos contato com pessoas com muita experiência e adquirimos muito conhecimento. Foi uma experiência muito rica em conhecimentos e também em contatos com novas pessoas e uma cultura diferente.

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Sílvia Fernandes – Brava - A experiência foi maravilhosa, embora um pouco extenuante. Na primeira semana, no período da manhã, tínhamos aulas práticas de anatomia e à tarde assistíamos a conferências sobre diagnósticos de patologias tropicais e o avanço da ciência em termos da prevenção e controlo de doenças ligadas à pobreza como a Zika, a Malaria e a Dengue. No final da semana fizemos visitas científicas ao Observatório Astronómico, ao Parque Nacional de Teide e ao Loro Parque. Na segunda semana, no dia 18 de julho, celebrámos o dia de Mandela. Ao longo da semana continuamos com as aulas de manha e à tarde conferências sobre programas e projetos de instituições cientificas em prol do desenvolvimento da ciência.


Docente da Uni-CV é distinguida com Prémio Campus África

A docente da Uni-CV Ariana Filomena Cardoso Freire foi distinguida com o prémio CampusÁfrica que promove a reflexão sobre a ciência ao serviço do desenvolvimento africano, para o seu trabalho de investigação em Anemia Falciforme, um problema de saúde pública que afeta todo o continente africano.

Na primeira edição do prémio, a docente é reconhecida pela qualidade do seu trabalho, prémio que foi entregue pelos seus patrocinadores Fundação CINFA e Binter Canárias para o segundo lugar, sendo que em primeiro ficou a cientista tunisina Inés Sifaoui Ariana.

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Legenda: Dra. Ariana Freire encontra-se à direita, a cientista tunisina Inés Sifaoui Ariana à esquerda.

O objetivo deste estudo é conhecer a prevalência deste problema na população cabo-verdiana, formular hipóteses e reunir elementos inovadores no sentido de utilizar o diagnóstico molecular como tratamento adequado, podendo assim prevenir o desenvolvimento da doença.

A docente é licenciada em Biologia, Mestre em Bioquímica e Biologia Molecular, é investigadora no departamento de Ciência e Tecnologia da Universidade de Cabo Verde.

O prémio foi entregue durante a cerimónia do dia da Ciência Africana, celebrado na Aula Magna de Física e Matemáticas da Universidade de La Laguna, no âmbito da segunda edição do CampusÁfrica, programa internacional em que os estudantes do primeiro ano do curso de Medicina da Universidade de Cabo Verde realizaram três semanas de intercâmbio.

O projeto pretende criar um espaço de reflexão especializada sobre os desafios científicos, socioeconómicos e educativos; promover o encontro entre académicos, empreendedores e profissionais no sentido de favorecer as sinergias e a cooperação estratégica com África; oferecer formação avançada aplicada à análise e à investigação dos problemas que afetam o continente africano, estimular a liderança cientifico-técnica e sociocultural entre as novas gerações.

Esta é a segunda edição do programa CampusÁfrica, sendo que a primeira foi realizada em 2014.

O intercâmbio é promovido e desenvolvido em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a Universidade de La Laguna, Rede Espanhola de Desenvolvimento Sustentável, a Fundação Canárias para o Controlo de Doenças Tropicais, Fundação das Mulheres por África e do Centro de Estudos Africanos Universidade de La Laguna em colaboração com o Governo das Ilhas Canárias, o Cabildo de Tenerife, a cidade de La Laguna, a Fundação CaixaBank, Fundação CajaCanarias, Ayuntamiento de San Cristóbal de La Laguna e a Obra Social "la Caixa".

Estudantes de Medicina da Uni-CV regressam de La Laguna

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Uma parte da delegação da Uni-CV, da qual fizeram parte os estudantes do curso de Medicina, docentes, a Reitora e o Pró-reitor para a Graduação e CESP, já começou a regressar do intercâmbio de três semanas realizado na Universidade de La Laguna, nas Ilhas Canárias.

As três semanas foram de formação intensa, uma verdadeira oportunidade para os estudantes de Medicina para aprofundar os seus estudos especialmente na área de Anatomia.

A equipa reitoral presente nas Canárias, Reitora da Uni-CV, Professora Doutora Judite Medina do Nascimento, e o Pró-reitor para a Graduação e CESP, Professor Doutor João Cardoso, também aproveitou a estadia para visitar a sede do Serviço Geral de Apoio à Investigação no Campus de Anchieta da Universidade de La Laguna (ULL), que agrega mais de trinta serviços, laboratórios e instrumentos científicos, em que trabalham diversos investigadores das mais diferentes áreas de conhecimento.

Foram recebidos pelo seu diretor, Dr. José Luis Rodrigues, e Vice-reitor para a Investigação da ULL, Dr. Francisco Almeida. Durante o encontro foram encontrados alguns pontos de possíveis parcerias e o reforço das ligações existentes em diferentes áreas.

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“Este grupo vai revolucionar um pouco aquilo que é a prática médica em Cabo Verde”, Coordenadora do Curso de Medicina na Uni-CV 

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Antes da sua partida para as ilhas Canárias, os estudantes de Medicina da Universidade de Cabo Verde e a Coordenadora do curso decidiram contar-nos um pouco das suas expectativas para o intercâmbio e como está a decorrer o curso, que é um projeto-piloto em Cabo Verde.

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Doutora Antonieta Martins, Coordenadora do Curso de Medicina

Uni-CV: Como é que está a ser a experiência piloto deste curso em Cabo Verde?

Dra. Antonieta Martins: Bom,um pouco desafiador, mas para mim interessante, enquanto médica. Eu tive a experiência de estudar fora do país, conheço bem o país, tenho uma ideia do que é um médico em Cabo Verde, eu acho que esta oportunidade foi realmente de ouro para mim para conhecer realmente o que vai acontecer nos próximos tempos em termos da evolução da carreira médica em Cabo Verde. Este grupo vai revolucionar um pouco aquilo que é a prática médica em Cabo Verde. Um grupo homogéneo, que estuda na mesma instituição, um grupo grande, porque são 25 médicos que provavelmente sairão todos ao mesmo tempo e que foram formados por uma filosofia também específica para se adaptar ao nosso contexto. Embora seja um curso muito ligado e orientado pela Universidade de Coimbra, é um curso que também tem um cunho nacional, só o fato de estarmos a trabalhar aqui, já implica que as pessoas tenham uma visão mais cabo-verdiana das coisas e dos conceitos.

Começamos com muito pouca coisa, com alguma insegurança do que é que podia dar, mas estamos a ver que os estudantes muito bem envolvidos, estão engajados, eles acompanham, conseguem acompanhar a matéria que vem da Universidade de Coimbra que é igual à matéria dada lá. Todos os dias quando vejo os estudantes felizes, quando fazem um exame, ou quando algo acontece na sala e todos ficam contentes, eu acredito que realmente vale a pena.

Eu estudei fora, passei para além das dificuldades do curso em si: nós temos de nos adaptar à linguagem, ao contexto, à cultura e inclusivamente adaptar-nos um pouco mais ao nível educativo na Europa. O estudante de Cabo Verde vai ter sempre de fazer um esforço adicional, e junto com este esforço adicional e com todas as adversidades que as pessoas encontram no estrangeiro, ainda é necessário adaptar-se às questões do curso. Eu acho que estar perto de casa para estudar já é uma vantagem muito grande para estes estudantes em relação àqueles que vão para fora, quando algo corre mal eles têm sempre aquele apoio, há sempre um familiar perto que ajuda. Isso contribui para que as pessoas realmente se engajem e que tenham mais perspetivas de ter sucesso.

Outra vantagem deste curso é o facto de ter dado oportunidade a estudantes de diversas ilhas de Cabo Verde, sendo que quase todo o arquipélago está representado. Os estudantes que estão aqui preocupam-se quase todos só com estudar e trabalhar, aprender e aceitar a competitividade que tem que haver entre os estudantes. Eles têm uma relação muito saudável e eu enquanto coordenadora estou a aprender muito.

Uni-CV: O que esperam que os estudantes possam aprender com esta viagem?

Dra. Antonieta Martins: Primeiro, eu acho que eles mereceram porque eles passaram por muitos sacrifícios, sendo o primeiro curso de medicina. Esta viagem, para além de ser uma grande oportunidade de aprendizagem, porque eles vão ter um curso integrado de Anatomia oferecido pelos nossos parceiros, além disso eles vão também conviver com outros estudantes que vão estar no Campus África e acho que isso vai enriquecê-los. Vão ter a oportunidade de visitar laboratórios mais avançados que os nossos. Mas sobretudo também essa viagem vai fazer com que eles alarguem e tenham uma maior noção em relação ao que é ser médico.

Também acho que esta visita vai trazer-nos algo de positivo na organização deste segundo ano do curso. Vamos também ter novas perspetiva para as formações, para o desenvolvimento ou então para visitas de estudo e partilhas com os nossos docentes para ver até que ponto em tão pouco tempo poderemos ter realmente o nosso staff e o nosso curso com um nível de qualidade desejável.

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Hadji Lopes de São Vicente

Uni-CV: Este é seu primeiro ano de curso, como é que está a ser a experiência?       

Hadji Lopes: Está a ser uma experiência agradável, o curso é um pouco cansativo, desafiante, não foge à regra das outras instituições, muitas dificuldades, algo novo, muitas arestas por limar, mas creio a 100% que daqui a alguns anos teremos um bom curso implementado cá na Uni-CV e em Cabo Verde.

Uni-CV: E esta experiência de intercâmbio para as Canárias?

Hadji Lopes: Eu estou muito entusiasmado e ansioso. Acho que será uma experiência muito boa para nós, entraremos em contacto com cientistas do mundo, conheceremos outras formas de pensar, temos o privilégio de representar a nossa universidade e será ótimo. Inclusivamente, teremos prática de Anatomia, em princípio com a dissecação de cadáveres, coisas que cá infelizmente ainda não temos possibilidade legal de fazer. Será muito bom, conhecer outro lugar, estou muito entusiasmado mesmo.

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Denise Schnidger, Rio Grande do Sul-Brasil

Uni-CV: Por que decidiu candidatar-se a este curso na Uni-CV?

Denise Schnidger: Na verdade eu já morava cá há dois anos. Eu trabalhava na Escola de Hotelaria e quando soube da abertura do curso, pensei: por que não tentar? Tentei e consegui. Sim, uma ótima oportunidade para, enfim, mudar de careira, criar novos horizontes, porque a minha formação inicial era em Gastronomia.

Uni-CV: Então está a fazer agora um investimento de mais seis anos de curso para poder exercer medicina?

Denise Schnidger: Tive que parar de trabalhar. Graças ao apoio do meu marido, pude fazer isso, que é um privilégio para alguém na minha idade com 34 anos, poder só estudar.

Uni-CV: E como é que está a ser a experiência?

Denise Schnidger: Muito boa, muito enriquecedora, é difícil, ainda mais para mim que estava há muito tempo sem estudar. Pegar no ritmo, o hábito de estudo, aquela rotina, é complicado, mas com certeza vale muito a pena.

Uni-CV: E a expetativa para esta viagem às Canárias?

Denise Schnidger: A minha maior expetativa com certeza é com relação à Anatomia, porque aqui nós ainda não tivemos a oportunidade de fazer dissecações, e lá vamos trabalhar no hospital universitário das Canárias, e teremos essa oportunidade. Então a maior expetativa com certeza é essa, e claro conhecer um lugar diferente, eu já estive na Europa, mas nunca estive em Espanha e então é muito interessante isso também.

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Vera Rodrigues, Tarrafal-Santiago

Uni-CV: Como foi iniciar este curso?

Vera Rodrigues: Eu queria fazer Medicina de qualquer forma. Eu gosto deste curso e soube que iria ser aberto aqui em Cabo Verde. Tive a curiosidade de me informar sobre como funcionaria e empenhei-me em ingressar. Vim fazer o teste e fui selecionada, foi uma notícia maravilhosa no momento, não tenho palavras para descrever a minha felicidade.

Uni-CV: E como é que está a decorrer o curso?

Vera Rodrigues: Está a ser muito desafiante porque é um curso de grande responsabilidade, exige muito de nós. Eu estou disponível para dar tudo aquilo que posso dar e que devo para que este curso seja um sucesso.

Uni-CV: E agora esta viagem às Canárias, o que espera desta experiência?

Vera Rodrigues: Vai ser uma boa experiência porque o conhecimento nunca é demais. Nós vamos ajudar-nos uns aos outros para que possamos adquirir mais conhecimentos, nomeadamente no âmbito da Anatomia. Temos muita curiosidade em fazer a prática da Anatomia em cadáveres. Queremos dar tudo de nós para podermos conseguir que essa ida às Canárias seja uma boa experiência.

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Adélio Frederico, São Domingos-Santiago

Uni-CV: Como é que tem sido esta experiência do curso de medicina?

Adélio Frederico: Inicialmente tivemos um grande impacto, pois nós não estávamos preparados. Tínhamos uma base do ensino secundário pouco coesa, por isso tivemos dificuldades em nos adaptar, mas agora acho que já adquirimos um certo ritmo para continuar o estudo como pretendíamos.

Uni-CV: E a oportunidade desta viagem, o que acha que vai poder aprender?

Adélio Frederico: Sobretudo no que toca à área de Anatomia com aulas mesmo práticas. Acho que é isso, vamos ter maior contacto com o corpo mesmo. Há também uma certa ansiedade, pois é uma viagem de grupo, e no meu caso é a primeira vez que eu vou viajar para fora de Santiago.

Estudantes de Medicina fazem intercâmbio académico na Universidade de La Laguna nas Canárias

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Os estudantes da primeira edição do curso de Medicina da Universidade de Cabo Verde vão fazer um intercâmbio académico de três semanas na Universidade de La Laguna, em Tenerife, no programa de bolsa de estudos "Ciência ao serviço do desenvolvimento africano", que vai decorrer de 11 a 29 de julho.

O projeto pretende criar um espaço de reflexão especializada sobre os desafios científicos, socioeconómicos e educativos; promover o encontro entre académicos, empreendedores e profissionais no sentido de favorecer as sinergias e a cooperação estratégica com África; oferecer formação avançada aplicada à análise e à investigação dos problemas que afetam o continente africano, estimular a liderança cientifico-técnica e sociocultural entre as novas gerações.

O curso está dividido em três fases: na primeira semana os estudantes vão dedicar-se à "Saúde para o desenvolvimento sustentável", em que vão conhecer o Diagnóstico microscópico, imunológico e molecular de patologias tropicais, Práticas médicas e Avanços na prevenção, controlo e terapias das enfermidades ligadas à pobreza.

Na segunda semana o tema será "A cooperação científica africana" que vai trabalhar o papel da investigação científica e técnica no desenvolvimento sustentável e a cooperação científica internacional, analisando os desafios e oportunidades.

A última semana vai abordar o "desenvolvimento africano sustentável" na agenda internacional e a perspectiva africana.

O intercâmbio também será uma oportunidade para os estudantes visitarem várias instituições e organizações canárias de diferentes setores da ciência.

Esta é a segunda edição do programa CampusÁfrica, sendo que a primeira foi realizada em 2014.

O intercâmbio é promovido e desenvolvido em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a Universidade de La Laguna, Rede Espanhola de Desenvolvimento Sustentável, a Fundação Canárias para o Controlo de Doenças Tropicais, Fundação das Mulheres por África e do Centro de Estudos Africanos Universidade de La Laguna em colaboração com o Governo das Ilhas Canárias, o Cabildo de Tenerife, a cidade de La Laguna, a Fundação CaixaBank, Fundação CajaCanarias, Ayuntamiento de San Cristóbal de La Laguna e a Obra Social "la Caixa".

Mais informações em: http://campusafrica.org/pt/

Antes da sua partida para as ilhas Canárias, os estudantes de Medicina da Universidade de Cabo Verde e a Coordenadora do curso decidiram contar-nos um pouco das suas expectativas para o intercâmbio e como está a decorrer o curso, que é um projeto-piloto em Cabo Verde.

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