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A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) realizou, na segunda-feira, 31 de março, na Mediateca do Campus do Palmarejo Grande, a sessão inaugural da Morabeza Científica, uma nova série de seminários integrada no Programa de Aceleração Científica (PAC), dirigida aos estudantes da pós-graduação em Investigação Científica em Biomedicina, mas aberta ao público em geral.

A iniciativa nasce no contexto do curso de Investigação em Biomedicina, atualmente em curso na Uni-CV, no quadro do Programa de Aceleração Científica promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo GIMM, em parceria com a Universidade de Cabo Verde e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. O programa reúne estudantes e recém-licenciados de Cabo Verde, Moçambique, Angola e Guiné-Bissau, selecionados com o propósito de reforçar competências em investigação biomédica e contribuir para o desenvolvimento científico dos seus países.

Pensada como uma série de encontros mensais, a Morabeza Científica pretende alargar o horizonte formativo dos participantes para além da dimensão técnico-científica do curso, promovendo o contacto com temas como liderança, cooperação internacional, desenvolvimento sustentável e o papel estratégico da ciência na transformação das sociedades.

Para inaugurar esta série, foi convidada a Coordenadora Residente do Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, Patrícia Portela de Souza, cuja trajetória profissional em países como Moçambique, Angola e Cabo Verde deu particular densidade à reflexão partilhada com os jovens participantes. Na sua intervenção, Patrícia Portela defendeu que “não é possível falar de desenvolvimento sustentável sem falar de ciência, sem falar de dados, sem falar de evidência”, sublinhando que o desenvolvimento social, económico e ambiental depende, necessariamente, do desenvolvimento científico.

A responsável das Nações Unidas destacou ainda o valor simbólico e político da diversidade presente no curso, afirmando que os estudantes reunidos na Uni-CV representam “uma promessa viva de avanço científico, de inovação e de transformação social”. Para Patrícia Portela de Souza, esta diversidade geográfica e académica é, por si só, uma demonstração do potencial científico dos países africanos de língua portuguesa.

Ao longo da sua comunicação, a diplomata chamou a atenção para os desafios globais que marcam o presente, desde conflitos armados a desigualdades persistentes e crises ambientais, defendendo que é precisamente neste contexto que a juventude e a ciência devem assumir um papel transformador. “A história mostra-nos que essa transformação nasce da coragem, da inovação e da determinação das novas gerações. E essas novas gerações são vocês”, afirmou.

Patrícia Portela sublinhou também que a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) continuam a ser o grande quadro coletivo para a construção de um mundo mais justo, apesar dos atrasos verificados a nível global. Neste contexto, destacou Cabo Verde como uma “exceção positiva”, com resultados acima da média em várias metas de desenvolvimento sustentável, sem deixar de alertar para a necessidade de acelerar esforços e aprofundar a cooperação entre governos, universidades, sociedade civil e setor privado.

A intervenção incluiu ainda uma valorização explícita do papel da ciência produzida em África. “A ciência não se faz apenas nos grandes centros internacionais, nem apenas na Europa ou nos Estados Unidos. A ciência também se faz em África”, afirmou, encorajando os estudantes a acreditarem na capacidade dos seus países para produzir conhecimento, inovação e soluções adaptadas às realidades locais.

Na parte final da sessão, Patrícia Portela de Souza deixou um apelo direto aos jovens investigadores: que não desistam da excelência, que procurem orientação, redes de cooperação, financiamento e centros de referência, e que mantenham o compromisso entre a ciência e o serviço às pessoas. “Vocês não estão aqui apenas para concluir um curso ou passar de etapa. Estão aqui para procurar a excelência”, declarou.

Com a estreia da Morabeza Científica, a Uni-CV reforça a aposta na criação de espaços regulares de diálogo entre ciência, sociedade e desenvolvimento, num momento em que a formação avançada em biomedicina se cruza com os grandes debates do presente e com a necessidade de preparar uma nova geração de investigadores para responder aos desafios dos seus países.

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