Artigo em coautoria com Kofi Yakpo, da Universidade de Hong Kong, examina o papel do inglês da Serra Leoa e do Krio na formação de variedades linguísticas em África e as suas possíveis ligações às Américas.

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O professor e investigador da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), Saidu Bangura, é coautor de um estudo publicado na revista Cadernos de Estudos Linguísticos, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no Brasil, que analisa a contribuição da Serra Leoa para a formação e a difusão de variedades de inglês e de línguas crioulas no espaço afro-atlântico.

Intitulado “Serra Leoa: um eixo central do contato linguístico e da crioulização no afro-atlântico”, o artigo foi escrito com Kofi Yakpo, professor da Universidade de Hong Kong, e centra-se na formação do inglês da Serra Leoa e do Krio em Freetown, entre os séculos XVIII e XIX, para compreender a influência que estas variedades exerceram noutras comunidades da África Ocidental.

Os autores defendem que ambas tiveram um papel fundador na configuração linguística da região, com influência tanto em variedades padronizadas, como o inglês nigeriano, como em línguas crioulas e outras variedades resultantes do contacto entre populações, entre as quais o Pichi e o pidgin da África Ocidental, conhecido como West African Pidgin. A análise estende-se às Américas, onde o estudo examina indícios de possíveis ligações ao Gullah, nos Estados Unidos, e à Maroon Spirit Language, na Jamaica.

A investigação enquadra-se no estudo do African Caribbean English Creole (ACEC), um conjunto de variedades relacionadas de base lexical inglesa que, segundo estimativas apresentadas por Kofi Yakpo, reúne cerca de 40 variedades e aproximadamente 150 milhões de falantes em África e nas Américas. Ao acompanhar a formação e a circulação destas línguas, os investigadores procuram explicar como comunidades inicialmente pouco numerosas participaram em processos de expansão linguística que hoje abrangem milhões de pessoas. A estimativa foi apresentada num seminário do Instituto de Estudos Avançados de Stellenbosch.

A publicação dá continuidade à colaboração entre Bangura e Yakpo, que, em 2026, assinaram com Malcolm Awadajin Finney o capítulo “English and Krio in Sierra Leone”, integrado na obra The New Cambridge History of the English Language: Africa, Asia, Australasia and the Pacific, da Cambridge University Press, sobre a história, a estrutura e a evolução destas variedades e a sua influência na África Ocidental. O capítulo está identificado no repositório da Universidade de Hong Kong.

Saidu Bangura é professor auxiliar na Faculdade de Ciências Sociais, Humanas e Artes da Uni-CV, onde desenvolve investigação em sociolinguística, contacto linguístico, variedades pós-coloniais do inglês, línguas africanas, crioulos e estudos literários pós-coloniais.