Dezassete novos médicos terminaram um curso de seis anos iniciado em plena pandemia. A Reitora espera inaugurar a Escola de Ciências Médicas e da Saúde dentro de quatro anos

A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) outorgou, esta sexta-feira, 25 de setembro, o grau aos 17 diplomados da sexta turma do Mestrado Integrado em Medicina. A cerimónia decorreu no Centro de Convenções do Campus do Palmarejo Grande, com membros do Governo, docentes, familiares e representantes das instituições parceiras.
Os novos médicos começaram a formação em 2020, em plena pandemia de Covid-19. O percurso passou pela Uni-CV, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e pelas unidades de saúde cabo-verdianas onde fizeram as rotações clínicas, com destaque para o Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto. Em nome da turma, Anita Tavares Pinto recordou o papel dos professores e tutores que acompanharam os estudantes desde as ciências básicas até às últimas 42 semanas de formação clínica.
A coordenadora do curso, Antonieta Martins, conduziu o Juramento de Hipócrates. Nele, os graduados comprometeram-se a pôr a saúde e o bem-estar dos doentes no centro da prática médica, a respeitar a dignidade humana, a preservar a confidencialidade e a exercer a profissão com consciência e integridade. Na sua intervenção, a coordenadora sublinhou o contributo da Uni-CV, da Faculdade de Medicina de Coimbra, do Ministério da Saúde, do Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto, da Cooperação Portuguesa, dos docentes e das famílias.
Ciência para tratar, humanidade para cuidar
A Reitora da Uni-CV, Astrigilda Silveira, lembrou aos novos médicos a responsabilidade que o grau traz. "O conhecimento científico dá-vos as ferramentas para tratar, mas é a humanidade que vos permite cuidar", afirmou. Pediu-lhes também que continuem a aprender, à medida que evoluem a ciência, as tecnologias e os desafios éticos da profissão.
A Reitora situou essa responsabilidade na realidade do país. A insularidade, a dispersão do território, os recursos limitados, as desigualdades no acesso aos cuidados e o aumento das doenças crónicas exigem, disse, profissionais bem preparados e comprometidos com as comunidades.
Astrigilda Silveira apontou ainda como um dos desafios estruturantes da Universidade a instalação da Escola de Ciências Médicas e da Saúde, prevista nos Estatutos desde 2016. "Estamos a trabalhar nisso e esperamos que, daqui a quatro anos, estejamos aqui a inaugurar a nossa escola", disse.
"Não deixem o nosso país"
O Secretário de Estado da Saúde, Artur Tavares da Veiga, centrou a intervenção na retenção de profissionais. Lembrou que os países africanos investem na formação de quadros de saúde, mas continuam a perder parte deles para outros mercados.
Depois, dirigiu-se aos recém-graduados: "Não deixem o nosso país". Para o governante, a retenção depende do Estado, que deve melhorar as condições de trabalho e a valorização dos profissionais. Depende também dos próprios médicos, chamados a pôr as suas competências ao serviço do desenvolvimento do país.
Criado em 2015, o Mestrado Integrado em Medicina resulta da cooperação entre a Uni-CV e a Universidade de Coimbra, cuja Faculdade de Medicina participa na conceção, execução e acompanhamento da formação. Os primeiros médicos formados pela Uni-CV graduaram-se em 2021, e o curso completou dez anos de funcionamento em 2025.