montagem jorge pedro

O programa de mobilidade entre a Universidade de Cabo Verde e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no Brasil tem sido uma experiência que tem beneficiado muitos estudantes. É o caso de Jorge Pedro Fonseca. Foi um dos estudantes do Mestrado na UNICV que teve a oportunidade de passar quatro meses na UFMG. Ele afirma que o intercâmbio é uma oportunidade que todos estudantes deveriam ter”. Jorge Pedro Fonseca foi para Brasil no mês de Julho de 2014 e voltou a 4 de Dezembro do mesmo ano. Teve um semestre na UFMG, voltou e está agora na reta final do mestrado na UNICV. Fez licenciatura em “Serviço Social” na Universidade Estatal de Ulyanovsk na Rússia, e decidiu fazer o mestrado em “Filosofia de educação e direitos humanos e cidadania”.

Catarina de Pina: Jorge Pedro, como é que surgiu a ideia de fazer mestrado na UNICV?
Jorge Pedro: Quis fazer o mestrado por que antes trabalhava como coordenador de BORNEFONDEM, no Fogo, no entanto o meu contrato chegou ao fim. Para não ficar parado, assim como dizem “barku paradu ka tem freti”, resolvi fazer um mestrado.

CP: Iniciou o mestrado assim que voltou da Rússia?
JP: Não. Terminei a licenciatura na Rússia, voltei e trabalhei por cinco anos no Fogo e só depois resolvi fazer o mestrado.

CT: Por que enveredou por esta área da Filosofia de Educação?
JP: Foi mais pela segunda parte, Educação pelos Direitos Humanos e Cidadania. Como sou um assistente social, gosto de informar os jovens sobre seus direitos e deveres na sociedade. Queria especializar nesta área, assim poderia tentar ajudar as pessoas. Tenho muitos amigos, sou comunicativo e acho que com isso poderia ajudar a melhorar a sociedade.

CT: Já está a conseguir passar a mensagem sobre os direitos e deveres de cada um?
JP: Sim. Pelo menos ao falar deixo-os saber para onde devem ir, o que devem fazer, com quem falar e a quem recorrer.

CT: Como é que surgiu a oportunidade de fazer um semestre do mestrado na Universidade Federal de Minas Gerais no Brasil?
JP: Através do programa de mobilidade entre UNICV e UFMG. O meu professor informou-nos da oportunidade, mas já muito em cima da hora. Eu já estava há um ano em Santiago e tinha iniciado o mestrado em Março de 2013. Fui selecionado. Então viajámos no mês de Julho de 2014. Fiquei quatro meses lá e tive que escolher as disciplinas que queria. Durante este tempo fiz muitas coisas. Estudava algumas disciplinas no Brasil e outras em Cabo Verde, e era designado de “mestrado sanduíche” por fazer o mestrado entre duas universidades.

CT: Desenvolveu algum projecto durante a estadia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)?
JP: Sim. Foi lá que comecei a fazer pesquisas sobre a minha dissertação de mestrado que é sobre a “Relação entre a Escola e a Juventude”. Aprendi muita coisa, porque, lá, esta problemática já tinha sido discutida antes, enquanto em Cabo Verde, só agora é que as coisas estão a acontecer. E foi no Brasil que mudei o meu tema, porque tinha em mente debruçar-me sobre a “ética e cidadania ou educação pelos direitos humanos e cidadania”. Fiz algumas investigações no Brasil e até agora estou a trabalhar no tema da minha dissertação.

CT: Teve ajuda frequente dos professores no Brasil quando começou a desenvolver o projecto?
JP: Sim. No Brasil, os professores são mais disponíveis.

CT: Quer dizer que há mais facilidade de comunicação na Universidade Federal de Minas Gerais do que em Cabo Verde?
JP: Em termos de comunicação e relação interpessoal não se compara. O professor é teu amigo e ajuda-te. Disponibilizam matérias, as suas salas para trabalhares, ligam-te, enfim querem estar sempre a par.

CT: Conta-nos, como é que foi a experiência de quatro meses (um semestre) longe de Cabo Verde.
JP: Não há palavras para explicar. Tanto a nível de ensino, acolhimento, enfim, a relação com o povo brasileiro foi excelente. Posso dizer que me acolheram a 100%. Gostaria muito que a nossa Universidade fizesse o mesmo com eles. Eu estaria disponível a contribuir por que quando estava na UFMG, havia uma pessoa indicada que nos levar a todo o lado e nos ajudar a resolver os problemas. No Brasil fala-se a língua portuguesa, mas nem sempre conhecíamos os lugares e não sabíamos como tratar de alguns assuntos. Fomos bem tratados.

CT: Qual é a diferença entre as duas universidades (UNI-CV e UFMG)?
JP: Em termos de extensão, a Universidade Federal de Minas Gerais é muito maior que UNI-CV. Para entender melhor, só aquele Campus é maior que a cidade de São Filipe, no Fogo. Por dia cerca de quarenta mil pessoas circulavam lá no Campus. Há muitos livros e matérias na área que comecei a desenvolver e tudo isso enriquece o conhecimento dos estudantes. Por lá também tudo é mais fácil, a comida, a água, o café, tudo é gratuito (risos).

CT: Fez muitas amizades?
JP: Bastantes, com professores, alunos e funcionários. Deram-nos muito apoio, não só a nível de conhecimentos, mas mostraram-nos ou melhor fizeram questão que conhecêssemos o Brasil, não só os lugares mas também a gastronomia nacional. Ou seja apresentaram-nos a sua cultura. Foi nesta parte que o intercâmbio ficou mais enriquecido. Sinto saudade de tudo (risos).

CT: Qual é o balanço que faz dos quatro meses no Brasil?
JP: Dou nota positiva. Ganhei muito e passei a ter maior dedicação ao tema que escolhi para desenvolver, por que consegui falar com especialistas da área, obtive conselhos de professores e orientadores. Foi pouco tempo, gostaria que fosse mais (risos).

CT: Quais os conselhos que deixa para os alunos que queiram integrar no projecto de mobilidade com a Universidade Federal de Minas Gerais?
JP: Se encontrarem oportunidades destas para não deixarem escapar, porque só têm a ganhar. É algo diferente e qualquer pessoa ganha muita bagagem em termos de conhecimento.

Perfil
Jorge Pedro Barbosa Dias da Fonseca é natural da ilha do Vulcão. Nasceu há 33 anos na cidade de São Filipe, no Fogo. Frequentou os estudos primários na mesma cidade e enveredou pela área Económica e Social quando estudava no liceu. Contudo fez o “Ano Zero” na Escola Grande no Platô, na cidade da Praia. Recentemente começou a morar no Palmarejo, na ilha de Santiago, e trabalha agora como Secretário Executivo da Fundação Donana. Fez licenciatura em “Serviço Social” e está na reta final do mestrado em “Filosofia de educação e direitos humanos e cidadania”. Jorge Pedro adora uma boa caminhada e o seu livro predilecto é “The Secret” e nos tempos livres faz o que gosta de fazer que é “Passear”.

Catarina Gonçalves de Pina
Estudante de Jornalismo 3º Ano

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