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O filme “Tchutchinha” dos estudantes da Universidade de Cabo Verde, foi o vencedor do prémio curta metragem, na categoria universitária, no Festival de Cinema “Oiá” que se realizou em São Vicente. O prémio foi entregue no dia 20 de outubro, em São Vicente.

O filme “Tchutchinha” foi realizado pelos estudantes do 4º ano do curso de Comunicação e Multimédia – vertente audiovisual, da Faculdade de Ciência e Tecnologias da Uni-CV.

“Oiá” é um Festival de Cinema que pretende impulsionar o visual e audiovisual cabo-verdiano, enquanto espaço crioulo e arquipelágico, e que detém a força de uma diáspora em todo o percurso do seu desenvolvimento. “Oiá” destaca-se de outros festivais de cinema ambicionando criar, alem de um espaço de encontro de cineastas, uma plataforma de aprendizagem para jovens.

Areine Lopes afirmou que o flime "Tchutchinha" deu muito trabalho e este prémio foi o reconhecimento do esforço e uma motivação para continuar a contar estórias por meio do cinema.  Sublinhou, ainda, que sempre teve uma paixão pela fotografia e pelo cinema. Era algo que estava no seu subconsciente e que mais tarde se revelou.

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Qual foi a sua reação ao saber que venceu o prémio do Festival de Cinema “Oiá”?

Ariene Lopes: Quando recebi a notícia de que vencemos o prémio, estava no meio do IV Fórum de Desenvolvimento Económico Local, estava a ver uma atuação cultural. A minha colega telefonou-me a perguntar qual tinha sido o resultado do festival “Oiá”, e eu disse que não sabia. Na verdade, eu não sabia mesmo, já nem me lembrava do festival! Aí ele disse que vencemos, porque ele viu no Jornal da Tarde, na Televisão de Cabo Verde.  Naquele momento senti uma grande alegria invadindo o meu ser, Fiquei tão feliz que abracei uma amiga que estava sentada ao meu lado. Porque "Tchutchinha" deu muito trabalho e esse prémio foi um reconhecimento do nosso esforço e uma motivação para continuar a contar estórias via  cinema. A sensação é a de que valeu a pena!

Porquê "Tchutchinha”?

AL: O projeto "Tchutchinha", na verdade, surgiu quando a nossa professora Artemisa Ferreira nos fez uma proposta em sala de aula, que poderíamos escolher entre fazer um teste de avaliação ou fazermos um filme em conjunto, a turma toda, onde cada um teria um papel, uma função a desempenhar. Acabamos por escolher o filme em conjunto. O tema "Tchutchinha" foi a própria professora quem sugeriu, que é um livro do Ovídio Martins que retrata uma história de amor e intrigas. A história passa-se no ano de 1962, pelo que tivemos todo o cuidado de fazer a adaptação, tal e qual o livro. Como é um filme de época tivemos o cuidado de fazer um estudo prévio de como as pessoas se vestiam, como se comportavam, e quase não encontramos nada. Baseamo-nos nas respostas que recebíamos dos nossos avós e das pessoas com um certo conhecimento da época. E foi um pouco difícil filmar, encontrar casas antigas, tínhamos de ter cuidado para não aparecerem as instalações de eletricidade, postes, as modernidades que temos hoje. Fizemos o guião a partir do livro e, finalmente, conseguimos filmar na Cidade Velha.

Quem a incentivou a concorrer para o prémio “Oiá”?

 AL: Quem me incentivou a participar do festival “Oiá” foi a nossa professora, Artemisa Ferreira. Eu não estava a par do festival até que ela me incentivou a participar com o filme "Tchutchinha", na categoria "Universidade". Então, a partir daí, tivemos o cuidado de trocar as músicas do filme por questões legais, uma vez que não podíamos violar os direitos de autor, depois disso foi só submeter a candidatura.

Esse foi um trabalho que foi produzido no ambiente académico, já tinha pensado em mostrar para outrem?

AL: Bom, na verdade nós nunca pensamos em levar o filme para o festival. O “Oiá” foi o primeiro e vai estar também no festival do Platô, em novembro. Com esse reconhecimento, com esse prêmio, já é algo para se pensar (risos).

Tem em mente outros trabalhos que possam vir a produzir?

AL: Eu, particularmente, tenho em mente fazer uma longa metragem, e até já tenho uma ideia do que vai ser. Em Cabo Verde quase não temos longas metragens. A cultura do cinema ainda é fraquinha, mas isso é algo que está a mudar. Estou a reunir os recursos para que, quem sabe, no final do próximo ano já tenha um filme pronto. Precisamos enraizar e promover a cultura de contar histórias e elevar a nossa cultura e a nossa bandeira através do audiovisual, do cinema.

Como começou a sua paixão pela área da multimédia?

AL: Eu sempre tive uma paixão pela fotografia, e pelo cinema. Era algo que estava no meu subconsciente que mais tarde veio a revelar-se. Na minha adolescência, costumava frequentar a casa da minha tia. Os meus primos viam muitos filmes e eu, estando lá, também assistia. E os filmes encantavam-me! Daí começou a paixão pelo mundo da sétima arte. Como disse certa vez um realizador moçambicano, João Ribeiro, "o cinema é uma viagem às emoções e precisamos fazer essa viagem".

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