Em mais de dois anos de administração, a Escola de Negócios e Governação (ENG) deu um salto que está a produzir os seus frutos: mais cursos de licenciatura e mestrado, mais estudantes e docentes e um novo espaço que deverá começar a ser usado no segundo semestre de 2016/2017.

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Uni-CV: Como é que estava o departamento quando iniciou as funções?

Professor Doutor Jorge Dias: Quando iniciei as minhas funções na Escola de Negócios e Governação (ENG), em setembro de 2014, constatei que realmente tinham sido realizadas várias atividades pelo anterior Conselho Diretivo (CD), mas percebi, também, a necessidade de imprimir uma maior dinâmica a nível de contactos com as empresas passíveis de estabelecer parceiras e comunidade académica, de forma a divulgar as estratégias da ENG, apresentar as ofertas formativas existentes aos parceiros, refletir sobre as necessidades de formação nos domínios de Negócios, Economia, Finanças, Administração e Gestão Empresariais, Comunicação, Relações Públicas e Secretariado Executivo. Esta reflexão foi dirigida, no sentido de conhecer, em primeiro lugar, as áreas de formação necessárias a nível das empresas públicas e privadas e serviços de capacitação institucional, cujo objetivo é perspetivar os desafios que sejam aliciantes para a ENG e que sejam integrados no Plano de Acão da Uni-CV, com horizonte definido para 2014-2018. 

Uni-CV: Qual é que tem sido a relação da Escola com a Administração?

JD: A relação entre o CD da ENG com a Administração Central tem sido normal, no âmbito do diálogo habitual, sempre que necessário, na procura de subsídios para as intervenções a nível da escola e procurando sempre manter uma única linha de pensamento e de ação por forma a responder às exigências da academia no geral e da Escola de Negócios e Governação em particular, pautando sempre pelos princípios estipulados numa gestão integrada. Portanto, no contexto global penso que o CD da ENG tem tido uma relação natural quer com a Administração Central, como com a Equipa Reitoral. Quando temos questões relativas a constrangimentos consultamos a administração no sentido de colocarmos a situação, por área de intervenção; discutimos os pontos essenciais e procuramos encontrar uma linha que seja mais adequada ao contexto situacional e económico. Para além disso, temos outros momentos de relação de trabalho que são as reuniões do Conselho Administrativo e as reuniões do Conselho da Universidade - CONSU – o órgão máximo da Universidade onde são discutidos e aprovados os instrumentos de gestão universitária.

Uni-CV: A eleição livre do novo Reitor foi uma novidade, acha que a academia ganhou com isto?

JD: Acredito que sim. Penso que a academia só tem a ganhar quando há possibilidade de poder eleger de forma livre, de participar e discutir os problemas académicos, de estruturar a vida da academia, mas também de posicionar sobre matérias essenciais de interesse mútuo. Como se sabe uma Universidade com um Reitor eleito permite conhecer um pouco mais a vida académica, os seus problemas existentes quer a nível de docentes, como a nível de discentes. Portanto, a academia ganhou e muito neste âmbito.

Uni-CV: No ano letivo que já iniciou estão previstos novos desafios. Como tem sido a gestão neste espaço da Achada de Santo António?

JD: De todos os anos anteriores, é neste que defrontamos as maiores dificuldades de gestão da situação, desde espaço até necessidades de equipamentos técnicos e pedagógicos. Tudo isso, devido ao crescimento da ENG em termos da reedição de cursos e de procura que ultrapassa a nossa capacidade em termos de logística. Portanto, uma das consequências deste crescimento pressupõe o aumento de espaço pelo que nos vimos obrigados a desalojar um ou outro gabinete para colocar as turmas e tivemos de recorrer às instalações da parte administrativa da Uni-CV na Escola Grande sita no Plateau para receber mais dois novos cursos reeditados. A distância entre o Plateau e a Achada Santo António traz sempre dificuldades em termos de organização logística e de seguimento desejado, pelo que vamos ter de gerir esta dificuldade, pelo menos, até finais do próximo mês de dezembro ou janeiro, início do próximo semestre em que teremos a nova instalação que está em fase de construção.

Uni-CV: Esta nova administração já tem mais de dois anos de trabalho. O que esperam atingir neste período?

JD:Na verdade, nesses últimos dois anos, construímos vários projetos com um futuro bem definido, isto é, conjugamos ciclos de estudos conducentes à obtenção de diferentes graus, desde os Cursos de Estudos Superiores Profissionalizantes – CESP até às Licenciaturas e Pós-graduações, nomeadamente, mestrados no domínio das Ciências Económicas e Financeiras, Gestão Empresarial e da Saúde e Políticas Públicas, criados para responder às necessidades dos vários setores de atividade do cluster económico de Cabo Verde. Para além disso, a ENG oferece mais de uma dezena de atividades extracurriculares anualmente, com vista ao enriquecimento de competências transversais e formação especializada no âmbito da Formação Avançada para Executivos. Oferecemos ainda formação integrada especialmente pensada e desenhada em áreas identificadas como necessidades de formação e qualificação. Mais do que um enriquecimento profissional, geramos estímulos para que os nossos estudantes obtenham um crescimento pessoal decorrente da aquisição intensa de um leque variado de competências técnicas, mas também, relacionais e individuais. Em suma, queremos preparar os líderes da mudança. Gostaria ainda de reforçar que o crescimento e os desafios que hoje se registam e perspetivam na ENG contam com a marca que cada um dos estudantes imprimiu no decorrer dos anos. É com essa atitude que pretendemos continuar enquanto estivermos na gestão da escola. Pois, todos somos chamados para esta nobre missão, todos temos de dar o nosso melhor, sem exceções, sabendo quão são hoje as exigências que nos colocam.

Uni-CV: Relativamente aos projetos futuros?

JD: Vários são os projetos agendados para os próximos anos. (i) Este ano para além dos quatro (4) cursos de graduação, a decorrer, temos mais um curso integrado de Licenciatura em Gestão Hoteleira e Turismo, em fase de execução em parceria com a Escola de Hoteleira e Turismo de Cabo Verde, reeditamos mais quatro (4) cursos de graduação que obtiveram procura com sucesso. Lançamos mais dois novos CESP, cursos que visam dotar os estudantes de uma sólida formação científica, bem como o desenvolvimento de atitudes e valores indispensáveis ao seu desenvolvimento pessoal e social; (ii) Tivemos e temos bons resultados escolares no que diz respeito às taxas de aproveitamento escolar/transição/empregabilidade, alinhados pelos valores médios nacionais, no entanto temos de melhorar a nível da qualidade de resultados, (iii) Melhorámos as condições ambientais da escola, mas estamos conscientes dos constrangimentos que ainda subsistem. Entretanto, ainda neste ano letivo, a partir do 2.º semestre contaremos com um novo espaço - uma escola construída de raiz, com melhores condições e que irá solucionar os constrangimentos e as situações de desconforto que vivemos neste momento devido ao crescimento da procura, (iv) Introduzimos e incrementámos cursos de formação avançada destinados a quadros intermédios em fase de progressão na carreira ou em transição de projeto profissional. Esta modalidade de formação permite desenvolver competências estratégicas, funcionais e comportamentais essenciais ao exercício atual e futuro de funções de um gestor, (v) Mobilizámos parcerias estratégicas bem posicionadas para a realização destas formações, nomeadamente, no âmbito da Administração Pública para a execução das formações previstas no Plano de Cargos, Carreiras e Salários do regime geral da função pública e no Estatuto do Pessoal Dirigente da Administração Pública, com o Uni-QIR/Direção Geral da Indústria e Comércio, na criação de cursos de formação para capacitação e fortalecimento do conhecimento científico em matérias de comércio, investimentos e desenvolvimento empresarial, bem como no fortalecimento de relações institucionais e no estabelecimento de laços estreitos entre a academia e o mercado de trabalho, (vi) Arrancámos no mês de maio com 2 Cursos de Pós-graduação (Mestrado em Economia e Finanças e Mestrado em Gestão e Economia da Saúde) duas áreas de qualificação científica e profissionalizante que visam promover e estimular a valorização profissional, com efeitos significativos sobre a carreira, as equipas, e as organizações onde trabalham ou vão trabalhar os nossos estudantes no futuro; (vii) Está em estudo a organização para o ano de 2017, do 1.º Curso de Doutoramento em Economia, que vai promover o conhecimento avançado em Ciências Económicas e Empresariais, tanto em domínios teóricos como em domínios aplicados.

Assim, o trajeto e a estratégia da Escola de Negócios e Governação começa hoje juntando sempre as sinergias de todos os agentes internos e externos. A situação económica mundial está a mudar e Cabo Verde não foge à regra: o grau de imprevisibilidade do dia de amanhã, a crescente internacionalização do mercado de trabalho, a mudança de paradigma de uma carreira para uma vida com várias carreiras estão já aí, a acontecer e é nossa obrigação preparar os estudantes para este novo contexto, em que a par das competências disciplinares imprescindíveis adquiram outras, mais gerais, que lhes habilitem melhor para lidar com a mudança, com a necessidade de forjar as próprias oportunidades mas também para enquanto cidadãos terem a intervenção e a liderança que vá moldando um Cabo Verde melhor.

Uni-CV: A Escola de Negócios também tem agora um desafio que é o seu novo espaço. Que projetos têm para as novas instalações?

JD: Na verdade, este espaço vai ser uma enorme prenda para a ENG, que vai solucionar grande parte dos constrangimentos vividos em todos esses anos. Mas não cobre cem porcento (100%) das necessidades atuais da Escola. A procura dos cursos na ENG cresceu e muito. Para além disso, vários são os projetos que estão sendo gerados para os próximos anos, integrados no Plano de Acão da Uni-CV, com horizonte definido para 2014-2018 e portanto, a ENG precisa de mais espaço capaz de albergar por ex. as futuras incubadoras de empresas, base essencial para a implementação das estratégias da ENG, da Universidade de Cabo Verde. Para tal, e como eu disse no início desta entrevista, a ENG cresceu e tende a crescer cada vez mais nos próximos anos.

Uni-CV: Quais são as razões para o aumento da procura dos estudantes aos cursos na ENG?

JD: Primeira porque a ENG oferece um conjunto de formações sólidas apoiadas no conhecimento científico de um corpo docente jovem e qualificado, com experiência em áreas de investigação científica em gestão de empresas, finanças, administração pública, entre outras. Segunda, porque os cursos são identificados a partir das necessidades prioritárias do presente, perspetivando desafios futuros. Terceira, porque imprimimos um forte relacionamento com interesse recíproco com as parcerias empresariais e ainda com as organizações fortemente interventivas na sociedade cabo-verdiana.

Além do prestigiado leque de profissionais e docentes que temos, a qualidade das futuras infraestruturas que estão sendo criadas farão a diferença para que venhamos a ofertar à sociedade civil cabo-verdiana um saber fundamentado na discussão livre de ideias articulado com a realidade social e empresariais envolventes.

Como já disse, na ENG constroem-se projetos com futuro, conjugando ciclos de estudo conducentes à obtenção de diferentes graus académicos desde Cursos de Estudos Superiores Profissionalizantes (CESP), Graduações e Pós-graduações, concebidos para responder as necessidades dos vários setores de atividade económica e empresarial de Cabo Verde, visando sempre o mercado de trabalho. 

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