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Em execução desde 1 de abril de 2019, o projeto “ECO-VILA, uma abordagem para promover a resiliência do sistema socioecológico em Cabo Verde” (Acrónimo: Raiz Azul), (2019-2022), visa desenvolver uma abordagem ecológica inovadora para promover o uso sustentável e a conservação dos recursos marinhos e costeiros na ilha de Santiago. É financiado pela DARWIN INITIATIVE (UK), e liderado pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), em parceria com a Associação de Ecoturismo de Cabo Verde (ECOCV) e com a Universidade de BANGOR (Pais de Gales).

O projeto integra quatro comunidades costeiras da ilha de Santiago: São Francisco, Gouveia, Porto Rincão e Porto Mosquito. O objetivo central é estabelecer uma eco-rede entre as quatro comunidades através do desenvolvimento de oportunidades de eco-turismo, para melhorar a qualidade de vida nessas comunidades, diminuir o impacto negativo a nível ambiental, propagar o conhecimento e a valorização da biodiversidade e definir a primeira área marinha protegida (AMP) para a ilha de Santiago.

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A escolha das comunidades adveio do interesse de investigadores em definir a primeira área marinha protegida na ilha de Santiago, a Baía do Inferno ou Baía de Santa Clara, localizada entre as comunidades de Porto Rincão e Porto Mosquito. Essas comunidades são consideradas guardiãs da Baía do Inferno.

No primeiro ano do projeto, em 2019, foi feita uma campanha subaquática avaliando a biodiversidade marinha na área e para os pesquisadores, a riqueza geológica, paisagística e de biodiversidade na região é imensa. No segundo semestre de 2020, finalizou uma proposta técnica de criação da área protegida Parque Natural Baía do Inferno que foi submetida a Direção Nacional do Ambiente (DNA).

Dos trabalhos da comissão nacional, que incluiu a DNA, os membros do projeto ECO-VILA e os representantes da Associação Lantuna e da Universidade Jean Piaget de Cabo Verde, que haviam, anteriormente, entregue uma outra proposta técnica, nasceu a proposta conjunta de Parque Natural da Baía do Inferno e do Monte Angra (PNBIMA) da ilha de Santiago, cuja delimitação foi aprovada em Conselho de Ministros de 4 e março de 2021, promulgada aos 5 de abril e 2021 e publicada no Decreto-Regulamentar n.º 3/2021, de 9 de abril (I Serie – n. 37, do “B. O.” da República de Cabo Verde).

Assim, no decurso destes anos a Universidade de Cabo Verde tem sido uma presença regular nas comunidades que integram o projeto, dando seguimento as atividades previstas. No passado dia 10 de julho, realizou-se uma visita de estudo ao Parque Natural Baía do Inferno e do Monte Angra (PNBIMA) com uma comitiva de sete docentes e investigadores de diferentes áreas, desde Ciências Biológicas, Economia, Enfermagem, Engenharia Civil, Matemática, e Sociologia, dentre os quais o Presidente da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), Professor Doutor Elvis Chantre Lopes. Da visita fizeram parte também um grupo de onze estudantes de Ciências Biológicas e Ciências Sociais e dois técnicos, um dos Serviços Administrativos Financeiros e outro do Gabinete da Comunicação e Imagem.

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Do programa constou uma visita de bote ao PNBIMA, devidamente autorizada pela autoridade marítima COSMAR, salvaguardados pelos coletes salva-vidas disponibilizados ela Universidade Jean Piaget e pela Lantuna, em embarcações registadas e dirigidas por pescadores portadores de cédulas marítimas atualizadas. No período da tarde, realizou-se um almoço convívio no Portinho, um ponto turístico da localidade de Rincão, e uma conversa aberta com a equipa do Eco-centro e com os líderes e referências sociais da comunidade sobre os impactos do projeto, com foco principal no Eco-centro instalado, com uma máquina de trituração de vidro, em 2020.

Durante a conversa aberta, os líderes e referências sociais da comunidade fizeram uma avaliação muito positiva da máquina de trituração de vidro. Emiliano Fidalgo, um dos líderes da comunidade, diz que está a acompanhar os trabalhos desde o início e a avaliação é positiva: “Tem estado a trabalhar regularmente, onde tem realizado alguns trabalhos bonitos. Realmente sabemos que é para produzir areias”, avançou o líder, acrescentando que a comunidade está em contacto a Câmara Municipal de Santa Catarina para a requalificação de orla marítima com areias, a partir de garrafas de vidros.

Ângelo Horta é o outro líder da comunidade presente no encontro, realçou a importância da máquina de trituração de vidros, que tem estado a reduzir garrafas nos diferentes pontos do Porto Rincão. No entanto, chamou a atenção para uma melhor gestão e organização dos vidros, criando uma sala de armazém, de modo evitar que os vidros transformem em lixo.

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Elyane Borges Dias, docente e investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), lembrou da visita feita à comunidade de Rincão há quatro anos, com os estudantes do curso de Ciências Biológicas da FCT, com o objetivo de realizar uma limpeza na Praia de Rincão: “Durante a campanha de limpeza, o material mais recolhido era o vidro. Hoje, quase não se encontra garrafas de vidro em Rincão”, apontou a docente, destacando a grande importância da instalação do Eco-centro na redução deste tipo de resíduo sólido na comunidade. Lembrou ainda que uma das finalidades do projeto é a promoção do empoderamento feminino, oferecendo outras possibilidades de geração de rendimentos de menor risco ambiental.

Maria Sábado Fidalgo, outra líder local, realçou os impactos dos trabalhos a redução do vidro na comunidade e destacou o envolvimento das mulheres que compõem a equipa do Eco-centro.

A máquina trituradora de vidro, instalada no Eco-centro que ocupa uma das arrecadações do edifício da Fábrica de gelos da Associação de Pescadores de Rincão, foi adquirida com o orçamento destinado à Uni-CV, e a gestão dos trabalhos está sobre a responsabilidade da ECO-CV, que gere o Eco-centro e os seus insumos. 

Segundo o Presidente da Faculdade na qual está alocada o projeto Eco-Vila, o Professor Doutor Elvis Chantre Lopes “um dos objetivos do projeto é promover o uso sustentável e a conservação dos recursos marinhos e costeiros do Rincão, com vista atrair mais turistas”. Mas lembrou que é também possível se gerar rendimentos com o uso do vidro triturado na construção de diversas formas. Esclareceu que ainda não foi possível fazer os ensaios necessários da areia de vidro produzida e frisou que “esperamos que o projeto venha ter muita rentabilidade, muito mais venda do material. De acordo com a venda e a demanda da sociedade há possibilidades de trazer outras máquinas”. 

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O líder do projeto, Adilson Semedo, docente e investigador da Faculdade de Ciências Sociais, Humanas e Artes, dirigindo-se diretamente aos líderes da comunidade presentes sustentou que “o projeto está a chegar a sua fase final, e tanto a Uni-CV como a Eco-CV, continuarão presentes dando os apoios necessários, mas a comunidade tem que assumir os resultados que foram gerados até agora”. Acrescentou ainda que “para assegurar a sustentabilidade dos ganhos que tem advindo do projeto Eco-Vila, é fundamental que a comunidade reorganize as suas associações de modo a estarem representadas em possíveis futuras negociações, não só relativamente a gestão do PNBIMA.

Keila Robalo, Engenheira civil, docente e investigadora da FCT mostrou-se agradada com a possibilidade de se estudar a qualidade do vidro triturado e realçou a possibilidade de também ser usada como um produto «Made in Rincão» na ornamentação do espaço público. Astrigilda Silveira, também docente e investigadora da FCT e ex-Vice-Reitora para a Extensão Universitária, afirmou que “se a comunidade abraçar e apoiar o projeto pode-se criar e desenvolver um relacionamento futuro saudável entre a Universidade e a própria comunidade, abrindo portas para novos projetos.

António Batista, economista, docente e investigador da Escola de Negócios e Governação (ENG), com larga experiência na área do empreendedorismo e transferência do conhecimento para a sociedade, apelou a comunidade de Rincão para ver a fábrica como um benefício coletivo: “a comunidade de Rincão poderá ver junto da Câmara Municipal de Santa Catarina a possibilidade assumir com os custos fixos da fábrica porque a questão de impacto ambiental é um impacto coletivo, que não pode ser suportado por esforços individuais. Para ter sustentabilidade é preciso a união da comunidade na conservação dos recursos marinhos e costeiros”.

Após o término da reunião, que também funcionou como um treinamento para os onze estudantes presentes, a comitiva da Uni-CV visitou o Eco-centro onde puderam apreciar a máquina de trituração de vidro instalada, e os vasos que têm sido produzidos pela equipa do Eco-centro sob a coordenação da Sra. Ana Cecília.

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