Informação da atividade eruptiva da ilha do Fogo de 03 a 07 de janeiro de 2015

 

GEOQUÍMICA (GASES)

Na actual fase de actividade vulcânica com um processo eruptivo em curso e com a presença de uma pluma vulcânica, o objetivo do programa geoquímico do Observatório Vulcanológico de Cabo Verde (OVCV) é monitorizar aemissão do dióxido de enxofre (SO2) associado à pluma vulcânica.

Os resultados obtidosnos dias30 a 31 de dezembro de 2014 e de 1 a 2 de Janeiro de 2015 reflectem uma taxa de emissão de dióxido de enxofre (SO2) para a atmosfera através de plumas vulcânicas na conseqüência da atividade eruptiva alcançando um valor de 869 a 2.430 toneladas diárias (tabela 1).

O conhecimento sobre a taxa de emissão de gases vulcânicos reflete o número, profundidade e conteúdo de magma volátil existente dentro de um sistema vulcânico é uma importante ferramenta de monitoramento para elucidar as mudanças na atividade vulcânica.Estas medidas se estão realizando mediante o uso de sensores ópticos remotos tipo miniDOAS de Instituto Vulcanológico de Canárias (INVOLCAN) em posição móvel terrestre (montado num carro). Para calcular estes valores necessita-se ainda de dados de valores velocidade e direcção do vento para a ilha do Fogo proporcionados pelo Centro VAAC Toulouse.

A composição química dos gases vulcânicos é controlado pelo conteúdo de voláteis no magma e as condições do processo de desgaseificação, e seu conhecimento é um indicador importante para avaliar o processo magmático no subsolo e as condições de desgaseificação, ambas de grande ajuda para a monitorização da atividade vulcânica.

Os efeitos do dióxido de enxofre (SO2) nas pessoas e o ambiente variam muito, dependendo (1) a quantidade de dióxido de enxofre (SO2) que um vulcão emite para a atmosfera; (2) se o dióxido de enxofre (SO2) é injectado na troposfera ou estratosfera ; e (3) o sistema de ventos regionais desempenham um papel importante na dispersão de dióxido de enxofre (SO2) . O Dióxido de enxofre (SO2) é um gás incolor com um odor pungente que irrita a pele e os tecidos e membranas mucosas dos olhos, nariz e garganta. O dióxido de enxofre (SO2) afeta principalmente o sistema respiratório superior e brônquios. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma concentração não superior a 0,5 ppm por 24 horas para a exposição máxima. Uma concentração de 6,12 ppm pode causar irritação imediata do nariz e da garganta; 20 ppm pode causar irritação nos olhos e 10.000 ppm pode irritar a pele húmida em minuto.

Tabela 1- Taxas de Emissão de SO2.

Dias

Emissão de SO2 (toneladas/dia)

Distâncias percorridas pelo carro nas medições

Locais de medição de SO2

03/01

2.430

20 km

Cova Figueira e São Jorge

04/01

637

20 km

Mosteiros Trás e S. jorge

05/01

869

15 km

Campanas e Baleia

06/01

1.251

15 km

Patim e Pavão

Obs: Pequenas (< 200 toneladas diárias), moderadas (200-1000 toneladas diárias) e grandes (>1000 toneladas diárias). Estas duasúltimas são típicas da desgasificação directa do magma.

 

No dia 3 de janeiro uma equipe OVCV/INVOLCAN, em conjunto com vários guias transportadores, subiram ao do Pico do Fogo, à cratera principal. O objetivo da subida à cratera do Pico do Fogo foi avaliar, durante o processo eruptivo: (i) as condições da cratera (deslizamentos de terra, novas áreas de desgaseificação), (ii) a taxa de emissão difusa de dióxido de carbono (CO2) e do sulfureto de hidrogénio (H2S), (iii) a composição química e isotópica de gases de fumarolas existentes no interior da cratera, (iv) parâmetros associados a termométrica e cratera termográfica e (v) a taxa de emissão de hidrogénio (H2) e hélio (He) .

Estes dados sobre as emissões de monitorização de dióxido de enxofre (SO2) são fornecidos para fins de Protecção Civil para ajudar a melhorar a gestão da crise atual ocorrida na ilha do Fogo, e não pode ser reproduzida cientificamente por qualquer outra instituição cabo-verdiana ou estrangeira a não ser pelas equipes das seguintes instituições INVOLCAN/ Uni-CV / ITER /.

 

GEOLOGIA/VULCANOLOGIA

 

Dia 3 de Janeiro de 2015

Das 8h- 15h: Continuação da actividade vulcânica com emissão mista de gases (de cores branca, azul e negra) e cinzas vulcânicas, característica de erupções do tipo estromboliana, com formação de uma coluna eruptiva com 200-400 m de altura (figura 1).

fig1

Figura 1. Emissão contínua dos gases e cinzas no novo cone eruptivo.

Verificou-se por volta das 8h10 a ligeira intensificação de explosões sequenciais seguidas de estrondos (de 15 segundos a 30 segundos), projecção de materiais piroclásticos (escórias e bombas) a 20-30 m de altura e sem a efusão visível de lavas (figura 2).

 fig2

Figura 2. Ligeiro aumento dos gases e cinzas no novo cone eruptivo.

Das observações feitas em menos de 12h, a evolução mantém-se. Relativamente à medição do calor ou temperatura latente, observa-se um arrefecimento superficial das lavas, emitidas pela fonte emissora na base do novo cone.

As frentes a sul do Ilhéu de Losna (frente da adega Sodade) que se dirigiram em direção a casa da senhora Matilde encontram-se estagnadas (figura 3).

fig3

Figura 3. Frentes de lavas estagnadas em Ilhéu de Losna.

Constata-se a presença de minerais cristalizados por evaporação e ricos em enxofre (figura 4).

fig4

Figura 4. Minerais (brancos) cristalizados por evaporação.

A frente ativa a norte do Ilhéu de Losna praticamente encontra-se estagnada. Nas proximidades de Monte Saia, e a uma distância de cerca de 500 m da Casa Matilde, observa-se uma frente de lava ativa.

É de salientar a consolidação de variedades de lavas pahoehoe, encordoadas, em fitas entrelaçadas e em bolas (figuras 5a, 5b, 5c) na zona de Ilhéu de Losna.

fig5 a fig5 b fig5 c

Figuras 5. lavas pahoehoe.

 

Dia 4 de Janeiro de 2015

Das 6h50- 15h: Continuação da actividade vulcânica com emissão mista de gases (de cores branca, azul e negra) e cinzas vulcânicas, característica de erupções do tipo estromboliana, com formação de uma coluna eruptiva com cerca 200-300 m de altura.

Verificaram-se também explosões sequenciais seguidas de estrondos, projecção de materiais piroclásticos (escórias e bombas) a 20-30 m de altura e sem a efusão visível de lavas (figura 6).

fig6 
 Figura 6. Emissão contínua dos gases e cinzas no novo cone eruptivo (6h50).

 

Das observações feitas em 16 horas, a evolução mantém-se estável. Relativamente à medição do calor ou temperatura latente, observa-se um arrefecimento superficial das lavas, emitidas pela fonte emissora na base do novo cone.

As frentes a sul do Ilhéu de Losna encontram-se parcialmente ou praticamente estagnadas, apenas pequena libertação de gases nas lavas (sulfataras) (figuras 2a e 2b).

fig7 a fig7 b

a

b

Figuras 7. Frentes de lavas estagnadas em Ilhéu de Losna.

A frente ativa a norte do Ilhéu de Losna encontra-se também praticamente estagnada.

Observa-se a consolidação do tipo de lava pahoehoe, encordoadas, em fitas entrelaçadas e em bolas, constituindo plataformas extensas com 40-50 m de extensão, na zona de Ilhéu de Losna (figura 8).

fig8

Figura 8. Extensas plataformas de lavas pahoehoe.

As frentes de lavas em Portela e Bangaeira também apresentam-se estagnadas e com veios e nódulos de minerais ricos em enxofre (cor branca).

 

Dia 5 de Janeiro de 2015

Das 7h50- 21h: Continuação da actividade vulcânica com emissão mista de gases (de cores branca, azul), cinzas, característica de erupções do tipo estromboliana, com formação de uma coluna eruptiva com cerca 100-300 m de altura.

Verificaram-se esporadicamente pequenas explosões e projecção de materiais piroclásticos (escórias e bombas) a 20-30 m de altura. Durante o dia, não se observou a efusão visível de lavas (figura 9).

 fig9
 Figura 9. Emissão contínua dos gases e cinzas no novo cone eruptivo (6h50).

 

Das observações feitas nas últimas 16 horas, a erupção manteve-se estável. Relativamente à medição do calor ou temperatura latente, observa-se um arrefecimento superficial das lavas, emitidas pela fonte emissora na base do novo cone.

As frentes a sul do Ilhéu de Losna encontram-se parcialmente ou praticamente estagnadas (figuras 10a e 10b).

fig10 a fig10 b

a

b

Figuras 10. Frentes de lavas estagnadas em Ilhéu de Losna.

A frente das escoadas de lavas a norte do Ilhéu de Losna encontra-se também praticamente estagnada, bem como as frentes de escoadas de lavas em Portela e Bangaeira.

Cerca das 17 horas iniciaram-se fortes explosões (durante aproximadamente 30 minutos) seguidas de estrondos com emissão de gases (cores escuras) e cinzas projectadas através de uma coluna eruptiva a uma altura de aproximadamente 1500 m, tendo esta sido observada em S. Filipe.

Na base do cone vulcânico reiniciou-se a emissão de lavas e por incandescência observou-se a distância percorrida pelas escoadas de lavas em cerca de 50 m de extensão, com direcção para sul, ou seja, deslocando-se sobre a primeira escoada que se dirigiu para Cova Tina no primeiro dia de erupção vulcânica.

Por volta das 18h às 20h, através da observação com câmara térmica, observou-se as temperaturas das lavas na base de cone vulcânico, em cerca de 328ºC (figura 11).

 fig11
 Figura 11. Imagem captada com a câmara térmica.

 

6 de Janeiro de 2015

Das 6h50 às 18h: Continuação da actividade vulcânica com emissão mista de gases (CO2, SO2, H2O), cinzas, característica de erupções do tipo estromboliana, com formação de uma coluna eruptiva com cerca 200-600 m de altura e a dirigir-se preferencialmente para dentro da Chã das Caldeiras, com direcção a Cova Tina.

Verificaram-se esporadicamente pequenas explosões seguida de ruídos ou estrondos e projecção de materiais piroclásticos (escórias e bombas) a 20-30 m de altura. Durante o dia, não se observou a efusão visível de lavas (figuras 12a e 12b).

fig12 a fig12 b
a b

Figura 12. Aspeto da erupção vulcânica às 6h50 e às 17h.

Das observações feitas nas últimas 9 horas, a erupção vulcânica manteve-se estável. Relativamente à medição do calor ou temperatura latente, observa-se um arrefecimento superficial das lavas, emitidas pela fonte emissora na base do novo cone vulcânico (figura 13) com recurso a uma câmara térmica, onde se observa as temperaturas latentes das escoadas de lavas na base do cone, na ordem dos 80ºC.

 fig13
 Figura 13. Imagem captada pela câmara térmica – temperatura das lavas na base do cone.

As frentes a sul e a norte de Ilhéu de Losna encontram-se praticamente estagnadas, bem como as frentes de escoadas de lavas em Portela e Bangaeira. Esta situação também foi verificada no período da tarde até às 18h.

 

7 de Janeiro de 2015

Das 10h até as 13h, verificou-se a continuação da actividade vulcânica com emissão mista de gases e cinzas, com formação de uma coluna eruptiva bastante densa, de cor escura, com cerca 1000-1200 m de altura a dirigir-se preferencialmente para leste de Chã das Caldeiras.

Verificaram-se explosões seguidas de ruídos ou estrondos sistemáticos (de 15s em 15s ou de 30s em 30s) e a projecção de materiais piroclásticos a 20-30 m de altura. Não se observou a efusão visível de lavas no túnel lávico situado na base de cone (figuras 14 a e b).

fig14 afig14 b

 a  b
  Figura 14. Aspeto da erupção vulcânica às 10h e às 12h.

Com base nas observações realizadas nas últimas 16 horas a erupção vulcânica mantem-se calma. Relativamente à medição do calor ou temperatura latente, com recurso a uma câmara térmica, observa-se um arrefecimento superficial das lavas, emitidas pela fonte emissora na base do novo cone vulcânico (figuras 15 e 16), onde se observam as temperaturas latentes das escoadas de lavas na base do cone e proximidades, na ordem dos 60ºC.

As escoadas de lavas que se encontram na área e proximidades do Monte Saia, encontram-se estagnadas; a partir deste monte observa-se a extensão percorrida pelas escoadas de lavas aa e pahoehoe até Portela (figura 15) e Ilhéu de Losna (figura 16).

 fig15  fig16
 Figura 15. Extensão percorrida pelas escoadas de lavas aa e pahoehoe até Portela.  Figura 16. Extensão percorrida pelas escoadas de lavas aa e pahoehoe até Ilhéu de Losna.

As frentes a sul e a norte de Ilhéu de Losna encontram-se praticamente estagnadas, bem como as frentes de escoadas de lavas em Portela e Bangaeira.

No período da tarde, por volta das 18h não se observou a efusão visível de lavas, apenas pequenos focos de emissão de gases nas lavas, pois estas não se encontram totalmente solidificadas e com temperaturas latentes. Houve diminuição da altura da coluna eruptiva (10-20m) e também grande diminuição da emissão de gases visíveis e cinzas, ocorrendo explosões não periódicas com alguns estrondos ou ruídos (figuras 17 a e b).

fig17 a fig17 b

a

b

Figura 17. Diminuição da emissão de gases visíveis e cinzas (18h)

 

 


 

 

Informação da actividade erupção da ilha do Fogo de dia 30 de Dezembro de 2014 a 2 de Janeiro de 2015

 

GEOQUÍMICA (GASES)

Na actual fase de actividade vulcânica comum processo eruptivo em curso e com a presença de uma pluma vulcânica, o objetivo do programa geoquímico do Observatório Vulcanológico de Cabo Verde (OVCV) é monitorizara emissão do dióxido de enxofre (SO2) associado à pluma vulcânica.

Os resultados obtidos nos dias 30 a 31 de dezembro de 2014 e de 1 a 2 de Janeiro de 2015 reflete muma taxa de emissão de dióxido de enxofre (SO2) para a atmosfera através de plumas vulcânicas na consequência da atividade eruptiva alcançando um valor de 1.201 a 1.368 toneladas diárias (tabela1).

O conhecimento sobre a taxa de emissão de gases vulcânicos reflete o número, profundidade e conteúdo de magma volátil existente dentro de um sistema vulcânico é uma importante ferramenta de monitoramento para elucidar as mudanças na atividade vulcânica. Estas medidas estão a ser obtidas mediante o uso de sensores ópticos remotos tipo miniDOAS de Instituto Vulcanológico de Canárias (INVOLCAN) em posição móvel terrestre (montado num carro). Para calcular estes valores necessita-se ainda de dados de valores velocidade e direcção do vento para a ilha do Fogo proporcionados pelo Centro VAAC Toulouse.

A composição química dos gases vulcânicos é controlada pelo conteúdo de voláteis no magma e as condições do processo de desgaseificação, e seu conhecimento é um indicador importante para avaliar o processo magmático no subsolo e as condições de desgaseificação, ambas de grande ajuda para amonitorização da atividade vulcânica.

Os efeitos do dióxido de enxofre (SO2) nas pessoas e o ambiente variam muito, dependendo (1) a quantidade de dióxido de enxofre (SO2) que um vulcão emite para a atmosfera; (2) se o dióxido de enxofre (SO2) é injectado na troposfera ou estratosfera; e (3) o sistema de ventos regionais desempenham um papel importante na dispersão de dióxido de enxofre (SO2). O Dióxido de enxofre (SO2) é um gás incolor com um odor pungente que irrita a pele e os tecidos e membranas mucosas dos olhos, nariz e garganta. O dióxido de enxofre (SO2) afeta principalmente o sistema respiratório superiorebrônquios. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma concentração não superior a 0,5 ppm por 24 horas para a exposição máxima. Uma concentração de 6,12 ppm pode causar irritação imediata do nariz e da garganta; 20 ppm pode causar irritação nos olhos e 10.000 ppm pode irritar a pele húmida em minuto.

 

Tabela 1 - Taxas de Emissão de SO2.

Dias

Emissãode SO2 (toneladas/dia)

Distâncias percorridas pelo carro nas medições

Locais de medição de SO2

30/12

1.368

20Km

Salto a Galinheiro

31/12

1.361

20Km

Salto a Galinheiro

01/01

1.201

25km

Pédo Monte e Salto

02/01

Não houve leituras

Obs: Pequenas (< 200 toneladas diárias), moderadas (200-1000 toneladas diárias) e grandes (> 1000 toneladas diárias). Estas duas últimas são típicas da desgasificação directa do magma.

 

GEOLOGIA/VULCANOLOGIA

Nos dias 30 e 31 de dezembro o cone eruptivo continuou a emitir gases, formando uma coluna de 700-900m de altura e com deslocação para norte. Verificaram-se algumas explosões seguidas de estrondos, emissão de piroclastos sem a efusão visível de lavas do coneprincipal (figura 1).

No dia 31 de Dezembro houve uma intensificação da atividade e a projeção de produtos piroclásticos a uma distância de 30-40m, com mistura de gases e cinzas.

 fig1 a  fig1 b
 (a) (b) 
  Figura1: Emissão de gases a partir do conee ruptivo nos dias 30 (a) às 6:00 e 31( b) às 8:00.

Relativamente às observações feitas no período das 19h-21h, constatou-se um ligeiro aumento da atividade vulcânica, com pequenas explosões num intervalo de três em três segundos, seguidas de projeções de piroclastos a uma altura de 30-40m. Não houve efusão visível de lavas do coneprincipal.

Pela câmara térmica é possível notar-se um ligeiro aumento da temperatura latentedo cone eruptivo (figura 2). As frentes ativas entre o Monte Beco e Monte Saia mantiveram-se ativas e dirigiram-se para o Ilhéude Losna possivelmente por um canal subterrâneo (figura3).

fig2

Figura 2. Imagem do cone eruptivo por câmara térmica.

fig3 Figura 3. Imagem por câmara térmica da fonte que alimenta as frentes no Ilhéu de Losna, na base do cone principal

 

Ilhéu de Losna (30 e 31 de dezembro)

Nos últimos três dias que as frentes a sul do Ilhéu de Losna (frente da adega Sodade) que se dirigiramà casada senhora Matilde encontravam-se estagnadas (figura4). Sem ter-se notado nenhum movimento ou distância percorrida bem como um decréscimo da temperatura latente podendo se considerar que essa frente esteja totalmente inactiva.

 fig4 a  fig4 b
 (a)  (b)
 Figura 4. Frente praticamente inativa. Frenteda casa Matilde (a) 30/12 e (b) 31/12. 

 

A frente ativa a norte do Ilhéu de Losna deslocou-se a uma velocidade reduzida, e nos últimos dois dias deslocou-se cerca de 20-25m. Mesmo encontrando as lavas de 1995, obstáculo que as impedia de avançarem sobre os campos de cultivo, estas chegaram a contornar a última casa a norte (casa Tuca), destruindo a estrada que dá acesso à moradia e bem como uma parte da moradia (figura5).

fig5

Figura 5. A frente norte que contornou a casa Tuca (dia31).

 

Nos dias 1 e 2 de Janeiro de 2015, a actividade vulcânica continua a registar emissão mista de gases, de cor branca característica, formando uma coluna de 400-600m. Nos últimos três dias, verificaram-se explosões seguidas de estrondos, projecção de piroclastos a 20-25m de altura e sem a efusão visível de lavas (figura6).

fig6

Figura 6. Emissão contínua dos gases a partir do cone eruptivo (dia1).

 

Das observações feitas em menos de 48h, a evolução manteve-se em relação aos dias 30 e 31 de dezembro de 2014, e igualmente nos dias 1 e 2 dejaneiro de 2015.

Relativamente à medição do calor ou temperatura latente, observou-se um arrefecimento superficial das lavas, emitidas pela fonte emissora na base do novo cone.

 

Ilhéu de Losna

Nos últimos cinco dias as frentes a sul do Ilhéu de Losna (frente da adega Sodade) que se dirigiram à casa da senhora Matilde encontravam-se estagnadas. Constata-se um decréscimo gradual da temperatura das frentes delavas, variando de 600ºC para 100ºC.

A frente ativa a norte do Ilhéu de Losna deslocou-se a uma velocidade reduzida, e em 24h aumentou apenas de espessura. As lavas encontram-se ao redor da última casa a norte (casa Tuca) e a contornar as lavas de 1995 (figura7).

fig7

Figura 7. A frente norte que contornou a casa Tuca (dia 2).

 

No dia 1 de janeiro de 2015, das 16h-18h fez-se a tentativa de se chegar o mais próximo possível do novo cone eruptivo, com o objetivo de se fazer com multisensor de gases a medição da composiçao química dos gases presentes na coluna eruptiva. Por questões de segurança apenas a equipa chegou a menos de 100m do cone vulcânico, não foi possível uma vez que se observou projecção balística de piroclastos a uma altura de 20-30 m (figura 8).

fig8

Figura 8. Vista parcial do novo cone eruptivo – distância ao cone eruptivo inferior a 100m (01.01.2015).

 

Deste ponto e nas proximidades do cone vulcânico observa-se as escoadas de 2014, que destruíram a estrada de acesso ao Parque Natural (figura 9) e bem como todas as frentes lávicas que destruíram em parte o Ilhéu de Losna (figura10).

fig9

Figura 9. Escoadas de lavas de 2014 que destruíram a estrada de acesso ao ParqueNatural.

fig10 

Figura 10. Escoadas de lavas de 2014 que destruíram em parte o Ilhéu de Losna.

 

A uma distância de 300-400m do cone eruptivo é notável os blocos projectados pela erupção em curso, bem como bombas vulcânicas de 1-2m de diâmetro (figura11).

 fig11 a fig11 b 
 Figura 11. Blocos vulcânicos projectados pela erupção em curso. 

 

 


 

 

Informação da actividade eruptiva da ilha do Fogo de 26 a 29 de Dezembro de 2014

 

GEOQUÍMICA (GASES)

Na actual fase de actividade vulcânica com um processo eruptivo em curso e com a presença de uma pluma vulcânica, o objetivo do programa geoquímico do Observatório Vulcanológico de Cabo Verde (OVCV) é monitorizar aemissão do dióxido de enxofre (SO2) associado à pluma vulcânica.

Os resultados obtidosnos dias26 a 29 de dezembroreflectem uma taxa de emissão de dióxido de enxofre (SO2) para a atmosfera através de plumas vulcânicas na consequência da atividade eruptiva alcançando um valor de2.778 a 4900 toneladas diárias (tabela 1).

O conhecimento sobre a taxa de emissão de gases vulcânicos reflete o número, profundidade e conteúdo de magma volátil existente dentro de um sistema vulcânico é uma importante ferramenta de monitoramento para elucidar as mudanças na atividade vulcânica.Estas medidas estão a ser obtidas mediante o uso de sensores ópticos remotos tipo miniDOAS de Instituto Vulcanológico de Canárias (INVOLCAN) em posição móvel terrestre (montado num carro). Para calcular estes valores necessita-se ainda de dados de valores de velocidade e direcção do vento para a ilha do Fogo proporcionados pelo Centro VAAC Toulouse.

A composição química dos gases vulcânicos é controlado pelo conteúdo de voláteis no magma e as condições do processo de desgaseificação, e seu conhecimento é um indicador importante para avaliar o processo magmático no subsolo e as condições de desgaseificação, ambas de grande ajuda para a monitorização da atividade vulcânica.

Os efeitos do dióxido de enxofre (SO2) nas pessoas e o ambiente variam muito, dependendo (1) da quantidade de dióxido de enxofre (SO2) que um vulcão emite para a atmosfera; (2) se o dióxido de enxofre (SO2) é injectado na troposfera ou estratosfera; e (3) se o sistema de ventos regionais desempenha um papel importante na dispersão de dióxido de enxofre (SO2). O Dióxido de enxofre (SO2) é um gás incolor com um odor pungente que irrita a pele e os tecidos e membranas mucosas dos olhos, nariz e garganta. O dióxido de enxofre (SO2) afeta principalmente o sistema respiratório superior e brônquios. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma concentração não superior a 0,5 ppm por 24 horas para a exposição máxima. Uma concentração de 6,12 ppm pode causar irritação imediata do nariz e da garganta; 20 ppm pode causar irritação nos olhos e 10.000 ppmpode irritar a pele húmida em minutos.

Tabela 1- Taxas de Emissão de SO2.

Dias

Emissão de SO2 (toneladas/dia)

Distâncias percorridas pelo carro nas medições

Locais de medição de SO2

26/12

1.281

25 km

Bernardo Gomes a Atalaia

27/12

492

12 km

Penteada a Figueira Pavão

28/12

1.769

15 km

Santo António a Fonte Aleixo

29/12

4.442

15 km

São Jorge a Patim

Obs: Pequenas (< 200 toneladas diárias), moderadas (200-1000 toneladas diárias) e grandes (>1000 toneladas diárias). Estas duasúltimas são típicas da desgasificaçãodirecta do magma.

 

GEOLOGIA/VULCANOLOGIA

No dia 26 de Dezembro, na Chã das Caldeiras (8h30) observou-se o cone eruptivo que continuava a registar emissão mista dos gases e cinzas, formando uma coluna de 400-500 m de altura e com direcção norte. Não se verificou nenhuma explosão seguida de estrondos nem efusão visível de lavas. Na base do cone eruptivo não se verifica aspecto de fumaças a sair do cone vulcânico que alimenta através de um canal, as frentes no Ilhéu de Losna (figura 1).

fig1 

Figura 1. Cone eruptivo apresenta emissão de gases e cinzas (8h30).

 

Das observações feitas anteriormente, onde se notava por câmara térmica uma actividade intensificada em direcção a Ilhéu de Losna (das 19h-20h de 25-12-2014), nota-se hoje uma acalmaria da actividade até as 15h00, sem avanço considerável das lavas entre o Monte Beco e Monte Saia.

 

Em Ilhéu de Losna, as frentes ativas a sul encontram-se praticamente paradas, com reduzida velocidade na ordem de 1m/12h.

A frente de lava (frente da adega Sodade) que se dirige à casa da senhora Matilde, encontra-se praticamente parada. As lavas contornaram o pátio da casa e destruíram o campo de cultivo à frente da casa (figura 2a). Surgiu outra frente atrás da mesma casa, deslocando-se para dentro de um vale, e por encontrar um obstáculo aumentou de espessura na ordem de 1,5-2m de altura (figura 2b).

 

fig2 a

fig2 b

(a)

(b)

Figura 2. Frente que contornou a casa Matilde (a); outra frente ativa atrás da casa em direcção a um vale (b).

 

A única frente activa, encontra-se a norte do Ilhéu de Losna e a menos de 20m da última casa. As lavas estão a contornar as lavas antigas, enchendo os vales e fazendo o seu percurso em direcção aos campos de cultivo (figura 3).

fig3 

Figura3. Lavas ativas a norte do Ilhéu de Losna e a contornar as lavas de 1995 (9:00).

 

Grande parte dos terrenos foi destruída e um valor incalculável de prejuízo aos camponeses que diariamente tentam salvar alguns desses produtos agrícolas.

 

No dia 27 de Dezembro, na Chã das Caldeiras (06h00min) à entrada, observou-se o seguinte cenário:O cone eruptivo continuava a emitir gases, formando uma coluna de 200-300m de altura e deslocação para norte e em direcção ao solo de Chã das Caldeiras. Não se verificou nenhuma explosão seguida de estrondos nem a efusão visível de lavas. Na base do cone eruptivo verificou-se a saída de gases do cone que alimenta através de um canal as frentes no ilhéu de Losna (figuras 4a, 4b).

 

fig4 a fig4 b

(a)

(b)

Figura 4. Emissão de gases a partir do cone eruptivo. 6h00 (a) sem nenhum sinal de incandescência e 11h00 (b) sem estrondos e efusão visível de lavas.

 

Relativamente às observações feitas no período das 19h-21h, constatou-se por câmara térmica um decréscimo da temperatura latente do cone eruptivo onde as lavas superficiais encontram-se abaixo dos 120ºC (figura 5). As frentes ativas entre o Monte Beco e Monte Saia mantinham-se ativas e dirigiam-se para o Ilhéu de Losna.

fig5

Figura 5. Imagem térmica do cone eruptivo (26/12/2014 das 17h-21h).

 

Em Ilhéu de Losna (06:20), as frentes ativas a sul do Ilhéu de Losna (frente da adega Sodade) que se dirigiram à casa da senhora Matilde, encontram-se praticamente estagnadas. As lavas contornaram o pátio da casa, sem estragos maiores. Não se notou nenhum movimento ou distância percorrida bem como um decréscimo da temperatura latente podendo-se considerar que essa frente esteja parcialmente ou totalmente inactiva (figuras 6ª,6b).

 

fig6 a fig6 b

(a)

(b)

Figura 6. Frente praticamente inativa. Frente da casa Matilde (a) 26/12 e (b) 27/12.

 

Na parte central ramificou-se uma frente ativa que vem destruindo a estrada. Apresenta temperatura superior a 500ºC e de estado muito fluido, que se dirige para um campo de cultivo de mandioca.

 

A norte do Ilhéu de Losna e em menos de 6h as lavas deslocaram-se cerca de 20-30 m, tendo esta ultrapassado e contornado a última casa. As lavas continuam fluidas nessa área e a uma velocidade média de 2m/h (figura 7).

 

fig7 a fig7 b
fig7 c fig7 d

Figura 7. Frente ativa a norte: última casa em Ilhéu de Losna (Chã das Caldeiras).

 

Em Portela e Bangaeira as frentes estão inativas e praticamente estagnadas. Não se verificou nenhum movimento ou deslocamento destas nos últimos quatro dias.

 

Nos dias 28 e 29 registou-se a emissão contínua e mista dos gases, de cor branca característica, formando uma coluna de 300-500 m de altura e com direcção norte. Não se verificou nenhuma explosão seguida de estrondos nem efusão visível de lavas nesses dois dias. (figuras 8a,8b).

 

fig8 a fig8 b
 (a)

(b)

Figura 8. Emissão de gases a partir do cone principal nos dias 28 (a) apartir do Monte Beco e nos dias 29 (b) a partir da entrada do Parque.

 

Não se verificou nenhuma incandescência, nem a emissão visível da fonte que se situa na base do novo cone vulcânico, fonte que alimenta as frentes em Ilhéu de Losna.

 

A monitorização da temperatura do novo cone vulcânico é registada por câmara térmica, tendo se verificado um abaixamento gradual de temperatura entre os dois dias (figura 9).

 

fig9 a fig9 b

Figura 9. imagens por câmara térmica.

 

As frentes ativas a sul do Ilhéu de Losna (frente da adega Sodade), que se dirigiram em à casa da senhora Matilde, encontram-se estagnadas. As lavas contornaram o pátio da casa sem estragos. Sem ter-se notado também nenhum movimento ou distância percorrida bem como um decréscimo da temperatura latente, podendo aindaconsiderar-se que essa frente esteja parcialmente ou totalmente inactiva (figura 10).

 

fig10 a fig10 b

Figura 10. Frente parada a sul do Ilhéu, (a) casa Matilde; (b) imagem câmara térmica da frente que há quatro dias se encontrava parada.

 

A frente ativa a norte do Ilhéu de Losna dava sinal de abrandamento e movia-se a uma velocidade reduzida, e em dois dias tinha-se deslocado cerca de 10-15m. Apenas deslocou-se por cima das lavas de 1995, encontrando assim obstáculos que impediram a frente de lavas avançar sobre os campos de cultivo (figura 11).

fig11

Figura 11. Movimento da escoada de lavas porcima das de 1995.

 

Em Portela e Bangaeira as frentes estão inativas e estagnadas. Não se verificou nenhum movimento ou deslocamento destas na última semana.

 


 

 

Informação da atividade eruptiva da ilha do Fogo de 23 a 25 de Dezembro de 2014

 

GEOQUÍMICA (GASES)

Na actual fase de actividade vulcânica com um processo eruptivo em curso e com a presença de uma pluma vulcânica, o objetivo do programa geoquímico do Observatório Vulcanológico de Cabo Verde (OVCV) é monitorizar a emissão do dióxido de enxofre (SO2) associado à pluma vulcânica.

Os resultados obtidos nos dias 23 a 25 de dezembro reflectem uma taxa de emissão de dióxido de enxofre (SO2) para a atmosfera através de plumas vulcânicas na consequência da atividade eruptiva, alcançando um valor de 2.778 a 4900 toneladas diárias (tabela 1).

O conhecimento sobre a taxa de emissão de gases vulcânicos, reflete o número, profundidade e conteúdo de magma volátil existente dentro de um sistema vulcânico, é uma importante ferramenta de monitoramento para elucidar as mudanças na atividade vulcânica. Estas medições estão a realiza-se mediante o uso de sensores ópticos remotos tipo miniDOAS do Instituto Vulcanológico de Canárias (INVOLCAN) em posição móvel terrestre (montado num carro). Para calcular estes valores necessita-se ainda de dados de valores de velocidade e direcção do vento para a ilha do Fogo proporcionados pelo Centro VAAC Toulouse.

 A composição química dos gases vulcânicos é controlado pelo conteúdo de voláteis no magma e as condições do processo de desgaseificação, e seu conhecimento, é um indicador importante para avaliar o processo magmático no subsolo e as condições de desgaseificação, ambas de grande ajuda para a monitorização da atividade vulcânica.

Durante os primeiros 30 dias, o processo eruptivo emitiu um total estimado de 220.000 toneladas de SO2 e nos últimos 8 dias uma média de SO2, de 2.663 toneladas diárias.

 

Tabela 1- Taxas de Emissão de SO2.

Dias

Emissão de SO2 (toneladas/dia)

Distâncias percorridas pelo carro nas medições

Locais de medição de SO2

23/12

2.778

25 km

Patim a Mosteiros

24/12

4.900

45 km

Bernardo Gomes a Relva

25/12

3.000

32 km

Bernardo Gomes a Campanas

Obs: Pequenas (< 200 toneladas diárias), moderadas (200-1000 toneladas diárias) e grandes (>1000 toneladas diárias). Estas duasúltimas são típicas da desgasificação directa do magma.

 

GEOLOGIA/VULCANOLOGIA

No dia 23 dezembro, precisamente um mês depois de iniciar a erupção, verificava-se sinais positivos do abrandamento da actividade vulcânica. A actividade continua em curso e sobre vigilância permanente. O levantamento dos dados e a vigilancia é feita 24h por dia. Da parte da manhã (das 6h às 12h), realizou-se o levantamento das distâncias percorridas pelas lavas, a velocidade com que se deslocam, tipos de lava e a sua fluidez.

No período da tarde, a monitorizaçao é feita pelos soldados militares, que percorrem as escoadas e verificam se há sinal de abrandamento e/ou avanço das lavas. Qualquer sinal de intensificação ou mudança da actividade é logo comunicado à equipa de investigadores e técnicos da Uni-CV e do SNPC (Serviço Nacional de Protecção Civil), que prontamente se desloca à Chã das Caldeiras. É medida a quantidade de gases emitidos pelo cone vulcânico através do uso de um sensor; mede-se a quantidade de gases de SO2 libertado, que permite realizar uma avaliação do abrandamento ou não da actividade vulcânica.

No final do dia observa-se por uso de câmara térmica o calor latente das frentes, bem como do cone eruptivo e a direção das frentes de lavas.

Resumidamente observou-se nos dias 23 a 25 de dezembro uma continua emissão mista dos gases (principalmente vapor de água-H2O, CO2 e de SO2), de cor branca característica, apresentando-se a nuvem ou pluma de gases menos densa do que nos dias anteriores. Não se verificou nenhuma explosão seguida de estrondos e nem a efusão de lavas da base do cone vulcânico.

Nestes três dias as lavas atingiram vários hectares, destruindo campos de cultivos e destruindo por completo as restantes casas restantes de Ilhéu de Losna. Em cada frente as lavas avançaram cerca de 30-80m de distância, sendo a frente mais ativa situada a norte do Ilhéu de Losna.

No dia 23 de Dezembro, o cone eruptivo continuava a registar a emissão mista dos gases (principalmente vapor de água (H2O), CO2 e de SO2), de cor branca característica, apresentando a nuvem ou pluma de gases mais densa do que no dia anterior e com direcção para norte. Não se verificou nenhuma explosão seguida de estrondos e nem a efusão de lavas da base do cone vulcânico.

img 1

Figura 1. Emissão de gases a partir do cone vulcânico principal (6h30).

 

Em Ilhéu de Losna, as escoadas verificadas no dia anterior ramificaram-se em três frentes ativas cortando a estrada e deslocando-se com velocidade média de 1metro/hora em 12h. As lavas avançaram em média 60-70 metros destruindo campos de cultivo e as últimas moradias a norte da localidade de Ilhéu de Losna. Uma das frentes de lava (frente da adega Sodade) encontra-se a 20 metros da casa Matilde, sendo esta uma das três casas do povoado que ainda continua intacta (figura 2).

casas intatas

Figura 2. Frente de lava ativa em direcção à adega Sodade.

 

A frente ativa que se encontra a norte do povoado e ao lado das lavas de 1995 encontra-se a 60 metros da última casa. (figura 3).

3a casa intata

Figura 3. Frente ativa a norte do ilhéu de Losna, ao lado das lavas de 1995.

 

À medida que as lavas vão avançando, encontram pequenas elevações, fazendo com que a frente de lavas aumente de espessura, atingindo em média 2 metros de altura (figura 4)

Altura das lavas

Figura 4. Altura das lavas estimada em média de 2 metros.

 

Segundo relato de uma moradora, Senhora Minga, já foram destruídas no total 8 moradias, incluindo os funcos e uma adega (Adega Sodade). As escoadas em Portela e Bangaeira estão estagnadas. Não são visíveis novas frentes de reativação de lavas.

No dia 24 de Dezembro à chegada (06h00min) na Chã das Caldeiras, o cone eruptivo continuava a registar emissão mista dos gases, de cor branca característica, formando uma coluna de 800-900 m de altura e com direcção norte. Não se verificou nenhuma explosão seguida de estrondos nem efusão visível de lavas. É visível ver por incandescência a possível fonte que alimenta as frentes em Ilhéu de Losna, que se situa na base do cone principal e possivelmente se desloca por um canal subterrâneo (figura 5).

emissao de gases

 

Figura 5. Emissão de gases a partir do cone principal (6h00).

 

Das observações feitas em menos de 12h (dia 23-12-2014 das 17h às 20h) por medição do calor latente, observava-se um arrefecimento superficial das lavas, com temperatura compreendida entre 78-88ºC, indicando assim que existe um canal subterrâneo com mais de 2 km de extensão, que alimenta as frentes ativas no Ilhéu de Losna (figura 6).

arrefecimento superficial

Figura 6. Arrefecimento superficial junto ao canal que alimenta as frentes ativas (23-12-2014 18h30).

 

Em Ilhéu de Losna, as três frentes do dia anterior estavam bastante ativas; deslocaram-se cerca de 30 m e em menos de 12h. Verifica-se que estavam bastante fluidas favorecendo um aumento considerado da velocidade em cerca de 2m/h. A frente de lava (frente da adega Sodade) que se encontrava a 20 m da casa da Senhora Matilde, nesse momento está a uma distância de menos de 2 m. (figura 7).

frente de lava ativa

Figura 7: Frente de lava ativa em direcção à adega Sodade. (a) Distância (20m) da frente ativa em direcção a casa Sra. Matilde (23-12-2014); (b) distância da frente ativa (menos 2m) no dia 24-12.

 

Os campos de cultivo continuam a ser consumidos e os moradores numa luta diária contra o tempo a tentarem recuperar alguns desses produtos (figura 8).

distruicao dos campos

 

Figura 8: Destruição dos campos de cultivo. Frente ativa sul e frente ativa norte do Ilhéu de Losna.

 

A frente ativa ao norte do povoado e que se encontra ao lado das lavas de 1995 encontra-se bastante ativa e a menos de 40 m da última casa (figura 9). As lavas estão a contornar por cima das lavas antigas, enchendo os vales e fazendo o seu percurso em direcção ao norte do povoado.

Frente activa norte

Figura 9: (a) frente norte ativa. A menos de 40m da última casa do povoado: (b) frente ativa a contornar e a encher os vales das lavas de 1995.

As escoadas em Portela e Bangaeira estavam estagnadas. Não são visíveis novas frentes de reativação de lavas.

No dia 25 de Dezembro, na Chã das Caldeiras (6h) verifica-se que a situação da erupção permanece a mesma que a observada nas últimas 12 horas. Continuava a emissão de gases do novo pico eruptivo sem efusão visível de lavas e nem se via a incandescência ao redor do novo cone vulcânico. A coluna eruptiva dirigia-se para norte e com 600-800m de altura (figura 1).

Emissao continua dos gases

Figura1: Emissão contínua dos gases a partir do cone principal (25-12-2014).

 

Em Ilhéu de losna (06h30), deparou-se outra situação; as frentes em menos de 6h deslocaram-se 20 a 30 m. A casa da senhora Matilde havia sido atingida pelas lavas que contornaram uma parte do pátio, sem fazer grandes estragos (figura 2).

 Frente de lava atingiu casa matilde

Figura 2: Frente de lava que atingiu a casa da Sra. Matilde (25-12-2014-7h).

 

A norte do Ilhéu de Losna, as lavas continuavam ativas e mais fluidas, e percorriam sobre as lavas de 1995, estando a 30 m de distância da última casa.

As frentes de Bangaeira e Portela estavam praticamente estagnadas nos últimos 3 dias.

Resumo de um mês da erupção vulcânica na Ilha do Fogo

Informação sobre a actividade eruptiva da ilha do Fogo de 17 a 22 de Dezembro

 

GEOQUÍMICA (GASES)

Na actual fase de actividade vulcânica com um processo eruptivo em curso e com a presença de uma pluma vulcânica, um objetivo do programa geoquímico do Observatório Vulcanológico de Cabo Verde (OVCV) é monitorizar aemissão do dióxido de enxofre (SO2) associado a pluma vulcânica.

Os resultados obtidosnos dias13 a 21 de dezembroreflectem uma taxa de emissão de dióxido de enxofre (SO2) para a atmosfera através de plumas vulcânicas na conseqüência da atividade eruptiva alcançando um valor de1.368 a 3.794 toneladas diárias (tabela 1).

O conhecimento sobre a taxa de emissão de gases vulcânicos reflete o número, profundidade e conteúdo de magma volátil existente dentro de um sistema vulcânico é uma importante ferramenta de monitoramento para elucidar as mudanças na atividade vulcânica.Estas medidas se estão realizando mediante o uso de sensores ópticos remotos tipo miniDOAS de Instituto Vulcanológico de Canárias (INVOLCAN) em posição móvel terrestre (montado num carro). Para calcular estes valores se necessita de ainda os dados de valores velocidade e direcção do vento para Fogo proporcionados pelo Centro VAAC Toulouse.

A composição química dos gases vulcânicos é controlado pelo conteúdo de voláteis no magma e as condições do processo de desgaseificação, e seu conhecimento é um indicador importante para avaliar o processo magmático no subsolo e as condições de desgaseificação, ambas de grande ajuda para a monitorização da atividade vulcânica.

Durante os primeiros 30 dias, o processo eruptivo emitiu um total estimado de 220.000 toneladas de SO2.

Tabela 1. Taxas de Emissão de SO2.

Dias

Emissão de SO2 (toneladas/dia)

Distâncias percorridas pelo carro nas medições

Locais de medição de SO2

13/12 a 18/12

2.000 (média)

15 km

Penteada e Mosteiros

19/12/2014

3.794

15 km

Penteada e Cova Figueira

20/12/2014

2.415

15 km

Penteada a Cova Matinho

21/12/2014

1.368

15 km

Penteada e Mosteiros

Obs: Pequenas (< 200 toneladas diárias), moderadas (200-1000 toneladas diárias) e grandes (>1000 toneladas diárias). Estas duasúltimas são típicas da desgasificação directa do magma.

 

 

GEOLOGIA/VULCANOLOGIA

 

Dia 17 de Dezembro (quarta-feira)

À chegada (06:10) a Chã das Caldeiras foi observado o seguinte cenário:

O centro eruptivo registava pequenas explosões com contínua emissão de gases, cinzas e lapilli (figura 1).

fig1 cha

Figura 1. Chã das Caldeiras, aspeto do cone eruptivo nodia 17 Dezembro de 14(06h10).

 

Não era visível a efusão de lavas, mas as manchas de fumo branco a sair das lavas parcialmente consolidadas permitiam-nos concluir que na parte interna existia uma contínua alimentação das lavas através de túneis lávicos. Estas informações são sempre confirmadas no final do dia quando é possível observar a incandescência das lavas.

A escoada lávica que se dirigia para Monte Saia e para o pequeno povoado de Ilhéu de Losna estava ativa e deslocou poucos metros comparada com a observação efetuada na terça-feira à noite (pelo menos 12 horas). Esta escoada avançava a uma velocidade relativamente pequena e foi cobrindo os campos de cultivo existentes nesta área. Este fato permitiu que a mesma avançasse devagar porque a lava ia preenchendo os canais utilizados na prática agrícola.

 

Chegada à Portela (07:15)

Observou-se que das três frentes ativas na noite de terça-feira somente duas continuavam ativas e tinham diminuído de intensidade, fluxo e velocidade apresentando menor extensão e maior viscosidade relativamente ao dia 15 de Dezembro (figura 2).

fig2 portela

Figura 2. Portela, aspeto das duas escoadas ativasnodia 17 de Dezembrode 14 (07h15).

 

O canal lávico que se dirigia em direção à Bangaeira continua a avançar, mas a uma velocidade relativamente baixa tendo-se deslocado cerca de 50 metros em cerca de 12 horas. Este canal está a escoar ao lado da primeira escoada que destruiu Bangaeira do lado esquerdo no sopé da Bordeira.

 

No período da tarde foi observado o seguinte cenário (a partir das 17h00):

À entrada, o cone mantinha o mesmo fluxo eruptivo relativamente ao observado no período da manhã.

Na Portela verificou-se que as duas escoadas lávicas que estavam ativas tinham diminuído de velocidade, fluxo, intensidade e extensão. A sua dimensão diminui consideravelmente acabando por formar um pequeno túnel lávico que se deslocava a uma velocidade baixa. Este canal tem-se espraiado na direção do sopé da bordeira (figura 3).

fig3 portela

Figura 3. Portela, aspeto das escoadas ativas nodia 17 Dezembro de 14 (17h00).

 

A frente de lava ativa que escoava do lado esquerdo da Adega desviou um pouco e reativou a primeira escoada na Bangaeira e deslocando-se cerca de 50 metros na parte central contribuindo para aumentar a espessura desta parte da escoada, tendo soterrado o que restava de algumas casas nesta localidade (figura 4).

fig4 bangaeira

Figura 4. Bangaeira, escoada que desviou para o centro da escoada inicial da Bangaeira nodia 17 de Dezembro de 14, período da tarde.

 

Observou-se que a escoada que se dirigia para o Monte Saia a Oeste da Chã das Caldeiras continuava ativa e que estava a avançar a um ritmo considerável para a localidade de Ilhéu de Losna.

 

Dia 18 de Dezembro (quinta-feira)

O início do turno começou às 5h e terminou às 10:30. À chegada da Chã observou-se a continuidade de explosões com emissão de gases, poucas cinzas com pequenos estrondos encontrando-se a coluna eruptiva com altura relativamente baixa (100-300m).

Relativamente à escoada lávica que se dirige para a localidade de Ilhéu de Losna (figura 5) verificou-se que a mesma teve um rápido avanço relativamente ao último turno de observação tendo percorrido uma distância considerável e encontrando-se de momento a cerca de 500m de alguns terrenos agrícolas e a cerca de 1,5 a 2km de distância de algumas casas.

fig5 ilheu

Figura 5. Percurso feito pela escoada em direção a Ilhéu de Losna,dia 18 Dezembro de 14.

 

A lava contornou algumas elevações existentes nesta localidade para além de soterrar alguns campos de cultivo. Um pormenor importante a reter é o fato de nestes campos existirem vários buracos onde se pratica a agricultura que permite um atraso no escoamento desta lava, já que ela tem de preencher estes espaços. A velocidade do fluxo foi registada sendo de 1m/2minutos. É de realçar que a escoada está a deslocar-se dentro de um pequeno vale estreito e com uma inclinação ligeira (figura 6).

fig6 escoado ilheu

Figura 6. Aspeto da escoada que se dirige para Ilhéu de Losna,dia 18 Dezembro de 14.

 

Em Portela (07:00) verificou-se que as duas escoadas que se encontravam ativas, quando de cerca de 12 horas atrás tinham diminuído a quase zero a sua velocidade e deslocação. Estas escoadas ainda estão ativas, mas o fluxo registado é insignificante (figura 7). A parte de cima destas escoadas estão consolidadas, enquanto que na parte interna ainda existe incandescência, o que pode ser observado através da existência de pequenos túneis lávicos.

fig7 escoado portela

Figura 7. Aspeto da escoada na Portela,dia 18 Dezembro de 14, pelas 07h00.

 

No período da tarde (a partir das 16:30) foi observado o seguinte cenário:

O centro eruptivo continuava a registar pequenas explosões com contínua emissão de gases, cinzas e lapilli. Observou-se escoamento de lavas através da existência de uma coluna de fumo branco a sair das frentes que estavam a dirigir-se para a localidade de Ilhéu de Losna (figura 8).

fig8 portela

Figura 8. Portela, Aspeto da erupção à chegada em Chã das Caldeiras na tarde de 18 Dezembro (16h30).

 

Chegada à Portela (17:15)

Observou-se que as duas escoadas que estavam ativas na manhã do dia 18 continuavam ativas apesar do seu avanço ser praticamente impercetível a olho nu. No entanto, foi registado através da câmara térmica que as mesmas ainda se encontram ativas apesar das temperaturas da lava terem diminuído consideravelmente. Ao cair da noite conseguiu-se identificar pequenos túneis formados nestas lavas e que apresentavam alguma incandescência apesar das temperaturas rondarem os 200º C.

 

Ilhéu de Losna (19:15)

A escoada lávica que estava a dirigir-se para Ilhéu de Losna deslocou-se cerca de 300m durante um período de 7horas (das 10h às 17h) a uma velocidade considerável e encontrava-se a cerca de 50/100m das casas desta localidade. Soterrou todos os campos de cultivo (vinha e outras culturas) existentes na parte de trás da Adega Sodade. Tal como visto na manhã de 18 de Dezembro, o escoamento desta língua foi canalizado num pequeno e estreito vale que apresentava inclinação e que terá facilitado o seu rápido escoamento. Esta escoada apresentava uma extensão de cerca de 3m, era fluída e deslocava-se a uma velocidade de 1metro/2minutos (figura 9). Até a hora que saímos de Chã das Caldeiras (23:00) a escoada continuava a avançar em direção às casas à velocidade mencionada.

fig9 ilheu

Figura 9. Aspeto da escoada lávica que se dirigia a Ilhéu de Losna (19:15).

 

19 de Dezembro (sexta-feira)

À entrada (07:20) na Chã das Caldeiras o cenário observado: o cone eruptivo mantinha o mesmo fluxo eruptivo relativamente ao observado no dia 18 de Dezembro, com emissão de gases e poucas cinzas. Registavam-se pequenas explosões.

 

Ilhéu de Losna

Às 8:00 a escoada lávica já tinha atingido as casas em Ilhéu de Losna e encontrava-se ao lado da Adega Sodade (figura 4). Das 8:00 às 12:00 avançou mais lentamente e encontrava-se a 20 metros da estrada. Está a contornar as casas (que estão edificadas numa pequena elevação) e já preencheu cerca de 50% de um campo de cultivo que existe ao lado da adega mas continua a avançar espraiando-se neste local (figura 10). A sua velocidade é de 2m/hora (a diminuição da velocidade deve-se ao facto de a escoada se encontrar numa zona plana) e possui uma espessura de 2m.

fig10 ilheu

Figura 10. Aspeto das lavas junto às casas em Ilhéu de Losna.

 

Até o final do dia 19 de Dezembro, as lavas espraiaram-se e recobriram alguns campos de cultivo existentes na parte da frente da adega.

 

Dia 20 de Dezembro (sábado)

À chegada (6:40) a Chã das Caldeiras foi observado o seguinte cenário:

O centro eruptivo continuava a registar emissão de gases e apresentava-se mais denso do que no dia anterior.

Em Ilhéu de Losna a escoada ativa ramificou-se em duas frentes contornando uma pequena elevação (Figura 11).

fig11 adega

Figura 11. Aspeto da ramificação da escoada em duas frentes. A língua lávica da esquerda encontra-se junto a Adega Sodade e a da direita percorre em direção a algumas casas.

 

Estas duas línguas de lava espraiaram cada uma para um lado da elevação. À esquerda fica a Adega Sodade e à direita algumas habitações (num total de 8 casas e alguns funcos). A frente de lavajunto à adega percorreu cerca de 40m acabando por contorná-la, destruindo-a bem como alguns campos de cultivo que ficam nas imediações. É de notar que a escoada encontrava-se fluída e por isso a sua velocidade manteve-se nos 1m/2 minutos, apresentando uma espessura inicial de 50 a 75cm mas nota-se o aumento da espessura à medida que ela avança. A estrada está completamente cortada à frente da adega e perto da segunda escoada que fica à direita.Também foram identificadas a partir de um ponto de observação no topo de um cone (Ilhéu de Losna) que a escoada ramificou-se em pelo menos mais duas frentes que canalizaram em pequenas linhas de água próximas a este cone.

Em Portela e Bangaeira as lavas estavam estagnadas. No final deste dia a frente da esquerda encontrava-se muito próxima de algumas casas em Ilhéu de Losna.Pode-se observar à noite dois focos incandescentes no sopé do vulcão. O cone apresentava emissão considerável de gases e a pluma eruptiva apresentava-se muito densa.

 

21 de Dezembro (domingo)

O cone eruptivo apresentava pequenas explosões com emissão de gases e piroclastos possuía uma altura de cerca de 400-700m.

Em Ilhéu de Losna as escoadas continuavam a espraiar nos campos de cultivo (deslocou-se cerca de 80m em 24 horas), tendo atingido algumas casas (figura 12).

fig12 escoada1 fig12 escoada2
fig12 escoada3 fig12 escoada4

Figura 12. Aspeto do escoamento das escoadas lávicas ao longo do dia 21 de Dezembro.

As escoadas em Portela e Bangaeira estão estagnadas. Não são visíveis novas frentes de reativação de lavas.

 

22 de Dezembro (segunda-feira)

À chegada a Chã das Caldeiras (6:20) registavam-se pequenas explosões no cone eruptivo com emissão de gases, cinzas e piroclastos. A pluma apresentava uma altura de cerca de 600-800m (figura 13).

fig13 coluna

Figura 13. Aspeto da coluna eruptiva às 6h20.

 

Comparado ao dia 21, as explosões registadas são mais fortes e seguidas de pequenos estrondos. Observou-se no sopé do cone dois focos com incandescência que representam dois pequenos túneis que são a fonte de alimentação das escoadas lávicas que escoam em Ilhéu de Losna.

Em Ilhéu de Losna, as escoadas apresentam várias frentes ativas e continuam a espraiar-se nos campos de cultivo existentes na área. A escoada que flui em direção às casas já contornou e destruiu as casas existentes na área. Em 24 horas esta escoada percorreu cerca de 80-90m. A última casa da localidade estava a ser atingida por volta das 7h (figura 14).

fig14 ilheu

Figura 14. Última casa a ser atingida pela escoada lávica em Ilhéu de Losna.

 

Esta escoada também está a juntar-se a uma escoada da erupção de 1995 (figura 15) que existe nesta área. As lavas continuam fluídas. A espessura das escoadas aumenta à medida que ela se desloca e vai acumulando.

fig15 ilheu1 fig15 ilheu 2
fig15 ilheu3 fig15 ilheu4

Figura 15. Aspeto do escoamento da lava em Ilhéu de Losna.

 

Fogo, 22 de Dezembro de 2014

Vera Alfama

Geóloga, Docente e Investigadora da Universidade de Cabo Verde

 

Vera Alfama

Jeremias Cabral

Hélio Semedo

 


 

 

Informação da atividade eruptiva da ilha do Fogo de 14 a 16 de Dezembro

GEOLOGIA/VULCANOLOGIA

No dia 14 de Dezembro (domingo) verificou-se que a atividade vulcânica deixou o período de relativa acalmia e mudou de comportamento a partir do dia 14 de Dezembro. À chegada em Chã das Caldeiras a coluna eruptiva era pequena e apresentava essencialmente emissão de gases através de três bocas eruptivas (a cratera principal e duas bocas mais pequenas). No entanto, a coluna eruptiva apresentava-se pouco densa e constituída essencialmente pela emissão de gases de cor branca (figura 1). Ao longo do dia a coluna foi mudando de densidade e de composição. Apresentava pequenas explosões com emissão de gases, cinzas e pouca quantidade de lavas.

À chegada na Portela, o cenário encontrado era o seguinte: ativação de novas escoadas de lavas, sendo duas que contornavam a adega, uma na parte entre os dois edifícios e a outra a contornar o edifício mais moderno (figura 2). A velocidade média da frente de lavas nas localidades da Portela para Bangaeira foi de cerca de 10 metros/hora.

Ambas galgavam a encosta da Portela para a Bangaeira com um velocidade considerável (que se deveu ao declive acentuado da encosta) e com muita fluidez. Ao chegar à Bangaeira as escoadas davam origem a uma única escoada que deslocava-se a  menor velocidade devido à ausência de inclinação (localidade plana). O avanço das lavas era de 5m/minuto na encosta e cerca de meio metro/minuto na Bangaeira.

À noite, por volta das 19 horas, foi observado o seguinte cenário: No cone mantinha-se a formação da coluna eruptiva de baixa altura, deslocando-se preferencialmente para as localidades de Portela e Bangaeira, a norte da Chã das Caldeiras, ou para a parte leste, consoante a direção do vento. Continuidade das emissões estrombolianas (explosões de gases, piroclastos e escoamento de lavas  viscosas na base do cone vulcânico). A efusão de lavas ocorria através de, pelo menos, duas bocas eruptivas com a formação de 4 línguas de lavas que escoavam, uma em direção ao Monte Saia e as outras três em direção ao norte da Chã.

Na Portela observou-se 6 escoadas de lava ativas (figura 3), quatro dos quais apresentavam grande extensão e escoavam a velocidades consideráveis. Estas seis escoadas apresentavam o seguinte cenário: uma de grande dimensão escoava na estrada, outra, também de grande dimensão, na parte de trás da estrada onde existia a delegação municipal, duas pequenas línguas junto à igreja católica, uma entre os dois edifícios da adega e a última a contornar o lado direito da adega. Estas duas últimas escoavam em direção à Bangaeira e confluíam numa única escoada que percorria a encosta a velocidade considerável. No entanto, ao chegar à parte plana da Bangaeira diminuía de velocidade.

No dia 15 de Dezembro (segunda feira), continuidade das emissões estrombolianas no foco emissor principal e em mais 2 pequenos focos, com libertação de gases (fumarolas de cor branca) e cinzas, escórias, bombas e spatter, formando-se colunas eruptivas com altura relativamente pequenas (500 m). Projeção de piroclastos na cratera principal através da ocorrência de pequenas explosões com algum estrondo (figura 4).

Desenvolvimento de três novas frentes de lavas de pequenas dimensões com direção à Portela e uma em direção ao Monte Saia, de maior dimensão. Estas escoadas lávicas estão sendo alimentadas através de túneis lávicos subterrâneos. Das seis escoadas observadas no dia 14 de Dezembro na Portela somente 3 continuaram ativas. Destas três línguas de lavas ativas, duas confluíam num canal que escoava em
direção à Bangaeira e deslocavam-se a uma velocidade considerável visto encontrarem se numa encosta cujo declive propiciava o rápido avanço das lavas enquanto a terceira  deslocava-se a uma velocidade menor. As três escoadas estavam a ser alimentadas por uma única escoada que percorre a estrada e se dividia nas três línguas. Parte da adega e a igreja católica foram destruídas bem como algumas casas e cisternas.

Na Bangaeira a velocidade do canal de lava era muito lenta pois o local de escoamento é plano. Comparativamente à noite de domingo a lava avançou cerca de 100 metros em aproximadamente 12 horas. Do Monte Saia pode-se observar que a escoada lávica que se desloca em direção a este monte tinha percorrido um caminho considerável tendo coberto alguns campos de cultivo (figura 7). A fluidez destas escoadas era visível nas lavas consolidadas que deram origem a lavas pahoehoe e encordoadas. Do ponto de observação era percetível o cheiro a enxofre no ar e emissão de gases através da cratera principal e de mais duas pequenas bocas eruptivas. Observou-se a existência de um pequeno túnel no sopé do vulcão que estava a alimentar algumas frentes de lava.

No dia 16 de Dezembro (3ª feira) o vulcão apresentava continuidade das emissões estrombolianas (com ligeiro aumento de densidade da coluna eruptiva formada por gases e piroclastos – cinzas, spatter e bombas; escoamento de lavas fluídas na base do cone vulcânico através de um pequeno túnel). Observa-se pequenas explosões com estrondos.

No percurso para Portela verificou-se a reativação de algumas frentes de lava (figura 9). Na Portela as três escoadas lávicas continuavam ativas e duas confluíam num canal de lavas que escoa em Bangaeira. Este canal em 24 horas percorreu cerca de 1 Km na Bangaeira e escoava ao lado da escoada que provocou a destruição da Bangaeira no sopé da bordeira. Este canal apresentava uma extensão máxima de 8 m e mínima de 3m. Algumas escoadas consolidadas abriram pequenos túneis que derramavam lavas na
encosta para Bangaeira (figura 10).

Figura 1 tunel lavico numa das escoadas aparentemente consolidadas junto a Adega

Figura 1 . Túnel lávico numa das escoadas aparentemente consolidadas junto à Adega.

No final do dia fez-se observações do Monte Beco tendo sido constatado o seguinte: na parte de frente do cone viam-se pequenas explosões com emissão de gases, cinzas e lapilli. Várias línguas de lavas estavam ativas e eram alimentadas por lavas que escoavam em pequenos túneis. Estas escoadas ativas deslocavam-se e direção ao Monte Saia.

Anexos

Figura 2 aspeto da coluna eruptiva a entrada da Cha das Caldeiras

Figura 2. Aspeto da coluna eruptiva à entrada da Chã das Caldeiras.

 

Figura 3 Duas escoadas lavicas a contornar a Adega em direcao a Bangaeira

Figura 3. Duas escoadas lávicas a contornar a Adega em direção à Bangaeira.

Figura 4 Varias escoadas lavicas observadas a noite na Portela

Figura 4. Várias escoadas lávicas observadas à noite na Portela.

Figura 5 Aspeto da coluna eruptiva a chegada da Cha das Caldeiras

Figura 5. Aspeto da coluna eruptiva à chegada da Chã das Caldeiras.

Figura 6 Duas escadas ativas a contornar a Adega

Figura 6. Duas escadas ativas a contornar a Adega.

 Figura 7 Escoada lavica que deslocou-se para Bangaeira

 Figura 7. Escoada lávica que deslocou-se para Bangaeira.

Figura 8 Escoada lavica e direcao a Monte Saia

Figura 8. Escoada lávica e direção a Monte Saia.

Figura 9 Aspeto da coluna eruptiva a chegada em Cha das Caldeiras

Figura 9. Aspeto da coluna eruptiva à chegada em Chã das Caldeiras.

Figura 10 Reativacaoo de algumas frentes de lava perto de Boca Fonte

Figura 10. Reativação de algumas frentes de lava perto de Boca Fonte.

Figura 11 Distancia percorrida pelo canal lavico na Bangaeira

Figura 11. Distância percorrida pelo canal lávico na Bangaeira.

 


 

Informação da actividade eruptiva da ilha do Fogo nos dias 9 a 13 de Dezembro

 

GEOQUÍMICA (GASES)

Na actual fase de actividade vulcânica com um processo eruptivo em curso e com a presença de uma pluma vulcânica, o objetivo do programa geoquímico do Observatório Vulcanológico de Cabo Verde (OVCV) é monitorizar a emissão do dióxido de enxofre (SO2) associado à pluma vulcânica.

 Os resultados obtidos nos dias 9 a 13 de dezembro reflectem uma taxa de emissão de dióxido de enxofre (SO2) para a atmosfera através de plumas vulcânicas na consequência da atividade eruptiva alcançando um valor de 7.246a 10.382toneladas diárias (tabela 1).

 O conhecimento sobre a taxa de emissão de gases vulcânicos reflete o número, profundidade e conteúdo de magma volátil existente dentro de um sistema vulcânico é uma importante ferramenta de monitoramento para elucidar as mudanças na atividade vulcânica. Estas medidas estão a ser realizadas mediante o uso de sensores ópticos remotos tipo miniDOAS de Instituto Vulcanológico de Canárias (INVOLCAN) em posição móvel terrestre (montado num carro). Para calcular estes valores precisa-se de dados de  valores velocidade e direcção do vento para Fogo proporcionados pelo Centro VAAC Toulouse.

 

img 1A composição química dos gases vulcânicos é controlado pelo conteúdo de voláteis no magma e as condições do processo de desgaseificação, e seu conhecimento é um indicador importante para avaliar o processo magmático no subsolo e as condições de desgaseificação, ambas de grande ajuda para a monitorização da atividade vulcânica.

Foram estimadas através de medições, cerca de 23.000 toneladas por diade H2O e cerca de 10.000 toneladas por dia de CO2, bem comoavaliada a AET (temperaturade equilíbrio aparente) da coluna eruptiva no sentido de estimar a temperatura do magma  (resultados preliminaresde 1.265ºC).

Tabela 1- Taxas de Emissão de SO2

 

 

 

Dias

Emissão de SO2 (toneladas/dia)

Distâncias percorridas pelo carro nas medições

Locais de medição de SO2

09/12/2014

7.246

12 km

Salto e Campanas

10/12/2014

10.382

15 km

Achada Mentirosa  e Fajãzinha

12/12/2014

7.731

15 km

Achada Santo António hasta Atalaya Trás

13/12/2014

8.971

15 km

Patim hasta Atalaya

Obs: Pequenas (< 200 toneladas diárias), moderadas (200-1000 toneladas diárias) e grandes (>1000 toneladas diárias). Estas duasúltimas são típicas da desgasificação directa do magma.

 GEOLOGIA/VULCANOLOGIA

No dia 9 de Dezembro (3ª feira) verifica-se uma velocidade média da frente de lavas nas localidades da Portela/Bangaeira com cerca de 10-20metros/hora. A actividade vulcânica mantém-se relativamente calma com formação de colunas eruptivas com alturas baixas, deslocando-se preferencialmente para as localidades de Portela e Bangaeira. Continuidade das emissões estrombolianas(explosões de gases, piroclastos e escoamento de lavas viscosas na base do cone vulcânico).

No dia  de 10 de Dezembro (4ª feira), continuidade no foco emissor principal e em 2-3 pequenos focos, de libertação de gases e cinzas (fumarolas de cor escura), escórias, bombas, formando-se colunas eruptivas com altura de 500-1000 metros.Projecção de piroclastos a 30-40 metros de altura, tendo a cratera principal atingindo o diâmetro médio de 60 metros. Observa-se, o desenvolvimento de uma nova frente de lavas com direcção a Portela.

 Dia 11 de Dezembro (5ª feira),verificou-se a continuidade das emissões estrombolianas(com ligeira diminuição da coluna eruptiva formada por gases e piroclastos; escoamento de lavas viscosas na base no cone vulcânico). Observa-se um fluxo de lava com cerca de 250 metros de comprimento (distância da base do cone vulcânico até Monte Saia), com 360ºC.Medições à noite (a partir das 18 horas) com a câmara térmica no ponto de observação de Monte Beco, indicam que as temperaturas das fumarolas estão em cerca de 160ºC, na frente de lavas entre Monte Beco e Monte Saia, de 420ºC, e das lavas a saírem do túnel lávico na base do cone vulcânico, cerca de 450ºC.

img 2

Dia 12 de Dezembro (6ª feira),com continuidade das emissões estrombolianas(com ligeira diminuição e aumento da coluna eruptiva formada por gases e piroclastos, de cor escura, alcançando os 2 km de altura. Não se observa escoamento de lavas na base do cone vulcânico. Apenas se observa um pequeno canal de lava com cerca de 1 metro de largura em direcção a Monte Beco e outro fluxo com cerca de 250 metros de comprimento (canal analisado no dia anterior).

Lavas estagnadas em Bangaeira (norte) e com velocidade muito reduzida na entrada de Bangaeira (sul), situação que se manteve no dia 13 de Dezembro (sábado).

 

 

 

 

VISITAS AOS CENTROS DE ACOLHIMENTO DOS MOSTEIROS E DE ACHADA FURNA

img 3img 4

 

No dia 9 de Dezembro, no período da tarde, realizou-se uma visita ao Centro de Acolhimento de Mosteiros, com alojamento de 170 pessoas. O centro de acolhimento está organizado em alas, em que as mulheres e crianças se encontram em alas separadas dos homens. Realizam várias atividades de ocupação e lazer tais como renda, costura, culinária, hidroponia e jogos para as crianças. Para além de atendimento médico e psicológico, têm acesso a televisão, internet e telefone. As crianças e adolescentes assistem às aulas na escola e no liceu dos Mosteiros.

 No período da tarde do dia 11 de Dezembro, realizou-se uma visita ao Centro de Acolhimento de Achada Furna que contempla 93 agregados familiares com cerca de 496 pessoas; sendo 6 agregados familiares no centro (79 pessoas) e 87 agregados fora do centro de acolhimento, alojados em casas construídas depois da erupção vulcânica de 1995.

 


 Informação da actividade eruptiva da ilha do Fogo nos dias 5 a 8 de Dezembro

 Relatório da actividade vulcânica na ilha do Fogo - Tenerife - 2014/12/05

DSC03627

Pluma vulcânica da recente erupção do Fogo.

WP 20141204 0 13

 

GEOQUÍMICA (GASES)

Na actual fase de actividade vulcânica com um processo eruptivo em curso e com a presença de uma pluma vulcânica, um objetivo do programa geoquímico do Observatório Vulcanológico de Cabo Verde (OVCV) é monitorizar a emissão do dióxido de enxofre (SO2) associado a pluma vulcânica.  Os resultados obtidos no dia 4 de dezembro reflectem uma taxa de emissão de dióxido de enxofre (SO2) para a atmosfera através de plumas vulcânicas na conseqüência de uma atividade eruptiva alcançando um valor médio de 6.749 toneladas diarias. A taxa de emissão de dióxido de enxofre (SO2) continuou relativamente alta assim que esperar o processo eruptivo continuar. Os taxas de emissão de dióxido de enxofre (SO2), durante os dias anteriores a 04 de dezembro foram 8.350 (28/11/2014), 11.926 (29/11/2014), 9.514 (30/11/2014), não há dados devido a problemas instrumentais (01/12/2014), 11.041 (02/12/2014), 3.628 (03/12/2014) toneladas diárias. O conhecimento sobre a taxa de emissão de gases vulcânicos reflete o número, profundidade e conteúdo de magma volátil existente dentro de um sistema vulcânico e é uma importante ferramenta de monitoramento para elucidar as mudanças na atividade vulcânica. Estas medidas se estão realizando mediante o uso de sensores ópticos remotos tipo miniDOAS de Instituto Vulcanológico de Canárias (INVOLCAN) em posição móvel terrestre (montado num carro). Para calcular estes valores necessita-se, ainda, dos dados de  valores de velocidade e direcção do vento para o Fogo proporcionados pelo Centro VAAC Toulouse.

WP 20141204 092A equipa OVCV/INVOLCAN  fez a avaliação dos primeiros resultados preliminares sobre a taxa de emissão dos dois componentes principais de gases vulcânicos, vapor de água (H2O) e dióxido de carbono (CO2), e os resultados alcançados são 23.000 e 10.000 toneladas por dia, respectivamente, em 30 de novembro de 2014. Os primeiros resultados preliminares obtidos nestas taxas de emissão por cientistas da Universidade INVOLCAN e Cabo Verde (Uni-CV) foram obtidos com o uso combinado de sensores ópticos remotos do tipo miniDOAS e multisensores de gáses portáteis que a INVOLCAN instalou à sua chegada a Cabo Verde para esta missão científica juntando-se à equipa da UniCV que já estava no terreno desde o início da erupção. Utilizando sensoriamento remoto óptico em posição móvel terrestre (veículos) estimou-se a taxa de emissão de dióxido de enxofre (SO2) na atmosfera pela erupção do Fogo, enquanto que usando multisensores de gáses portáteis conseguiu-se establecer as relações vapor de água/dióxido de enxofre (H2O/SO2) e dióxido de carbono/dióxido de enxofre (CO2/SO2) da pluma vulcânica que são necessários para calcular as emissões de vapor de água (H2O) e dióxido de carbono (CO2).

A proporção de dióxido de carbono, dióxido de enxofre (CO2/SO2) na pluma vulcânica foi de 1,5 (relação molar) no último 30 de novembro de 2014, um valor típico de gases vulcânicos com forte assinatura magmática. Para a relação vapor de água/dióxido de enxofre (H2O/SO2)  o valor foi de 8,5 (relação molar). O risco óbvio envolvido para que os vulcanólogos se aproximem da boca eruptiva para melhores registos das relações descritas acima, a fim de fazer estimativas sobre a taxa de emissão dos dois componentes principais de gases vulcânicos, vapor de água (H2O) e dióxido de carbono (CO2), recomenda realizar estas medições da composição química dos gases directamente da pluma vulcânica, que poderia ser feito em um voo de helicóptero ou avião, porque eles podem se aproximar da pluma vulcânica em locais remotos da boca eruptiva, sem risco para os cientistas. Além disso, o uso de sensoriamento remoto óptico na posição de ar em movimento (helicóptero) permite medir com precisão a taxa de emissão de dióxido de enxofre (SO2) para o processo eruptivo atual.

A composição química dos gases vulcânicos é controlado pelo conteúdo de voláteis no magma e as condições do processo de desgaseificação, e seu conhecimento é um indicador importante para avaliar o processo magmático no subsolo e as condições de desgaseificação, ambas de grande ajuda para a monitorização da atividade vulcânica


GEOLOGIA/VULCANOLOGIA

WP 20141204 019Continuidade das emissões estrombolianas (explosões de gases, piroclastos e escoamento de lavas, spatter).
No dia 2 de Dezembro, por volta das 4h da manhã, aumentou o fluxo de escoadas de lavas, que alcançou o centro de Portela destruindo várias casas, a Escola Básica, várias cisternas e currais, duas unidades hoteleiras (Pedra Brabo e Casa Amarelo), o Posto Sanitário e a Delegação da Câmara Municipal.

Verificou-se à chegada na Chã das Caldeiras a existência de 5 bocas eruptivas com emissão de gases, cinzas e lavas. A velocidade das lavas era de 30metros/10minutos cerca de seis vezes superior ao primeiro dia, tendo estagnado a cerca de 150 metros da Adega. As escoadas de lavas atingiram a altura média de 10 metros.

No dia 3 de Dezembro, continuidade das emissões estrombolianas (explosões de gases, piroclastos e escoamento de lavas ligeiramente fluidas); as lavas avançaram com menor velocidade em comparação ao dia anterior, apesar de continuarem activas. A espessura média das escoadas de lavas atingiu 11-12 metros.

Na madrugada de 4 de Dezembro, foram sentidos de tremores de terra na Chã das Caldeiras, Estância Roque e Relva, durante a madrugada. Na Chã das Caldeiras, no cone vulcânico, sentiu-se fortes explosões, e observou-se um aumento significativo do volume de escoamento de lavas, sendo estas mais fluidas. No período da manhã foi observada pela equipa, uma frente de lavas com cerca de 6 metros de largura tendo atingindo no final do dia, 100 metros, direcção nordeste, com velocidade de 1-3 metros/minuto e a uma distância média de 2 km do Polivalente. O escoamento de lavas, na base do cone vulcânico através de um túnel lávico, permite observar a fluidez e velocidade considerável do rio de lavas havainas.


 

  Atividade eruptiva da ilha do Fogo dos dias 2 a 4 de dezembro

 


 

 Atividade eruptiva da ilha do Fogo dos dias 30 de novembro e 1 de dezembro

 

Observatório Vulcanológico de Cabo Verde, OVCV (UniCV)

Veja imagens e videos sobre a erupção da ilha do fogo

Figura 1Segundo o protocolo interno a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) para o seguimento da atividade eruptiva iniciada na ilha do Fogo no passado 23 de novembro de 2014, e uma vez avaliados os dados adquiridos pelo programa de vigilância vulcânica do Observatório Vulcanológico de Cabo Verde (OVCV), uma entidade promovida pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), se informa sobre a continuidade do processo eruptivo tipo estromboliano com a formação de escoadas de lavas e piroclastos de queda em Chã das Caldeiras, assim como com episódios de tipo vulcaniano e hawaiano. A fração mais fina dos piroclastos de queda (cinzas vulcânicas) foram e poderão continuar a ser observadas em distintos pontos na ilha do Fogo.

O Observatório Vulcanológico de Cabo Verde (OVCV) nasce no âmbito do protocolo de Colaboração entre a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), Laboratório de Engenharia Civil de Cabo Verde (LEC), Serviço Nacional de Proteção Civil (SNPC) e Instituto Tecnológico y de Energias Renovables (ITER) das ilhas Canarias assim como no âmbito do projeto FOGO, cofinanciado pela Agência Espanhola de Cooperação para o Desenvolvimento (AECID), MAKAVOL, cofinanciado pelo programa da União Europeia MAC 2007-2013, e VIGILÂNCIA VULÂNICA, cofinanciado pelo Cabildo Insular de Tenerife.
O programa de vigilância vulcânica do Observatório Vulcanológico de Cabo Verde (OVCV) é um programa multidisciplinar que contempla a monotorização de parâmetros geofísicos, geoquímicos, geodésicos e vulcanológicos, com apoio da cooperação internacional.

 GEOFÍSICA (SISMICIDADE)
Na atualidade, o OVCV não pode proporcionar informações sobre a atividade sísmica associada a este processo eruptivo na ilha do Fogo na sequência de os equipamentos terem sido transferidos para o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG), pelo Laboratório de Engenharia Civil de Cabo Verde (LEC, parceiro do projeto MAKAVOL), os sismógrafos reabilitados pelo projeto MAKAVOL.
As instituições ou pessoas interessadas em conhecer a atividade sísmica associada ao atual processo eruptivo devem contactar com o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG).

 GEOFÍSICA (TERMOGRAFIA/TERMOMETRIA)
Na atual fase de atividade vulcânica com um processo eruptivo em curso esta a realizar estudos de termografia mediante o uso de uma câmara térmica portátil do Instituto Vulcanológico de Canarias (INVOLCAN). As observações com a termografia permitiram medir temperaturas refletidas de 960ºC nas escoadas de lava que destruíram o centro de visitantes do Parque Natural de Fogo e monitorizar a dinâmica da erupção.

 GEODÉSIA (DEFORMAÇÃO)
Nas últimas semanas anteriores ao processo eruptivo não foram registrados deslocamentos horizontais e verticais significativos através da rede GPS instrumental permanente do OVCV instalada na ilha do Fogo pelo projeto MAKAVOL, composta por 4 antenas GPS diferenciais, e operativa graças a um convénio de cooperação entre o Cabildo Insular de Tenerife e a Universidade de Cabo Verde. Estes resultados são coerentes com as observações realizadas através de satélite pelo Consorcio NORUT/PPO.Labs/Univ. Leeds (COMET) que também descarta que o foco deste processo eruptivo se encontra relacionado com uma fonte magmática a pouca profundidade, entre 5-15 quilómetros.

 

Figura 2

 

GEOQUÍMICA (GASES)
Na atual fase de atividade vulcânica com um processo eruptivo em curso e com a presença de uma pluma vulcânicas que alcança aproximadamente os 4 km de altura, um dos objetivos do programa geoquímico do Observatório Vulcanológico de Cabo Verde (OVCV) e monitorizar a emissão do dióxido de enxofre (SO2) associado a pluma vulcânica. Os resultados obtidos no dia 30 de novembro refletem uma taxa de emissão de dióxido de enxofre (SO2) para a atmosfera através de plumas vulcânicas na consequência de uma atividade eruptiva alcançando um valor médio de 9,514 toneladas diárias. As medidas realizadas nos dias 28 e 29 de novembro apresentavam um valor medio de 8.350 e 11.926 toneladas diárias, respetivamente. Problemas instrumentais não permitem avaliar a emissão do dióxido de enxofre (SO2) no dia 1 de dezembro.

Estas medidas se estão realizando mediante o uso de sensores óticos remotos tipo “miniDOAS” de Instituto Vulcanológico de Canarias (INVOLCAN) em posição móvel terrestre (montado num carro). Para calcular estes valores se necessita de ainda os dados de valores velocidade e direção do vento para Fogo proporcionados pelo Centro
VAAC Toulouse.

GEOLOGIA/VULCANOLOGIA
Continuidade das emissões estrombolianas assim como com episódios de tipo vulcaniano e hawaiano, com aumento significativo no período vespertino.
Destruição total por uma frente de lavas de direção N-S, da sede do Parque Natural do Fogo, por volta das 07:00 horas, em que a espessura das lavas atingiu os 5 metros.
Durante a manhã de 30 de novembro identificaram-se 6 focos emissores (passagem de um foco central e um secundário menor para fissural). No período da tarde de 30 de novembro apenas 4 focos emissores se encontravam ativos, com emissão de lavas hawaianas com sentido a Portela, tendo estas diminuído a velocidade no período da tarde.
As frentes de lavas na Portela (frente de direção N-S) apresentam alturas a variar entre 5-18 metros de altura, encontrando-se a frente de lavas a 25 metros da Pensão Pedra Brabo e a 70 metros da Escola Básica e com velocidade ≤ 1metro/hora.

Na zona de Scória em Portela, ocorre o avanço da frente de lavas, de direção N-S, com velocidade reduzida (≤ 1 metro/hora), cortando no final da tarde um pequeno troco da estrada que liga Boca Fonte a Portela. Ocorre chuva de cinzas em Portela, no período da tarde 1 de dezembro.

 


 Atividade eruptiva da ilha do Fogo dos dias 28 e 29 de novembro

 28/11/2014 – 6º dia e 29/11/2014 – 7º dia

vulcao fig 1No dia 28 de Novembro (6º dia) à entrada da Chã das Caldeiras observaram-se fortes explosões com muito ruído; a coluna eruptiva apresentava cerca de 800 metros; a erupção mantinha o estilo estromboliano com emissão de jatos contínuos de lava com muitas explosões (muitos volatéis – gases, piroclastos e spatter).

 

Seguiu-se a escoada de Portela onde se fez a medição da temperatura e de CO2. Realizaram-se observações e medidas do comprimento, largura e espessura dos fluxos de lava, recolha de amostras, que permitirão uma cartografia das lavas, com apoio ao recurso de aparelhos GPS. O comprimento das lavas medidas entre as extremidades dos fluxos com cerca de 4,8 km.

A espessura da frente da escoada de lava variava entre os 1,5 m e 10 metros. As temperaturas ambiente entre 26, 5ºC e as medidas na lava variavam entre 29ºC e 80ºC. Os gases (CO2) apresentavam-se valores baixos na orden dos 0.2 ppm, não apresentando riscos para a saúde.

Por volta das 18h, foi observado do Monte Beco que a erupção tinha aumentando de intensidade e a cratera apresentava uma dimensão consideravel. Da cratera escoavam 5 línguas de lavas para além de jactos contínuos de gases, piroclastos e spatter.

 

 

 

 

 

vulcao fig 2 vulcao fig 3

Foi colocada uma câmara WEB, graças a cooperação del ITER/INVOLCAN (ilhas Canárias), na entrada da Chã das Caldeiras, na estação da CVMóvel, para monitorizaçao visual directa da erupção vulcânica. Posteriormente estará disponível nas páginas WEB da Uni-CV, SNPC e INVOLCAN.

No 7º dia (29/11/2014) à entrada da Chã das Caldeiras observou-se que a erupção mantinha a mesma intensidade que a do dia anterior (6º dia) (Imagem 1).

 Observou-se que a emissão de SO2 teve um aumento considerável, sendo verificado através da coloração azulada da nuvem de gases emitida (Imagem 2).

vulcao fig 4
Figura 4. Coluna de gases onde se nota a coloração azulada

Em Portela verificou-se que a escoada lávica estava ativa e que movimentava a uma velocidade extremamente lenta. Junto à sede do PNF fez-se a recolha de amostras de lava e de gases (imagem 3). Verificou-se que as lavas estavam ativas em alguns pontos, encontrando-se incandescentes, tendo avançado poucos metros apresentando cerca de 800ºC. As lavas que estavam encostadas à parede da sede estavam com calor latente mas não se tinham movido.

vulcao fig 5
Figura 5. Recolha de amostras de lavas.

Monte Beco – deste monte observou-se a erupção das 15 às 19 horas. Notou-se que a cratera tinha aumentado de tamanho, possivelmente por causa de colapsos laterais, e que a boca eruptiva que se encontrava a leste da cratera, a menor, tinha-se coalescido à mesma. Observou-se inicialmente 3 línguas de lavas que apresentavam uma intensidade considerável. A língua localizada a leste da cratera era a que apresentava maior movimentação e maior extensão em termos de dimensão. Durante o tempo de observação atingiu a base do cone do Pico Novo tendo coberto lavas antigas (imagem a seguir). A segunda língua, mais pequena em termos de extensão, dividia-se em duas línguas que escoavam em direções diferentes, uma para oeste com desvio para norte (Portela) e outra para sul (Cova Tina – Monte Beco) (imagem a seguir). A terceira escoada é alimentada por uma pequena fonte parecida a uma fratura que terá sido preenchida pelas lavas e escoava em direção à Portela. Esta fonte apresentava um fluxo contínuo e intenso (imagem a seguir). Estas duas últimas escoadas estavam a alimentar o fluxo de lavas que escoa em direção à Portela. Isto terá provocado a reativação deste fluxo.

vulcao fig 6
Figura 6. Imagens da câmara térmica tirada do Monte Beco.

Da cratera principal continuavam a ocorrer explosões continuas e constantes, que se intercalavam entre explosões mais fortes e mais fracas. Estas explosões continuaram a formar a nuvem de gases, piroclastos e spatter para além das lavas. A temperatura das lavas rondavam os 1000ºC.

Por volta das 16:40 houve um aumento da explosividade e ocorreu uma explosão vulcaniana, essencialmente constituída por cinzas e gases que atingiu a altura de cerca de 6km. Seguiu-se uma chuva de cinzas, areias e lapilli (Imagem 5).

vulcao fig 7
Figura 7. Explosão vulcaniana, nuvem de cinzas e gases.

Até às 19 horas, altura em que saímos da Chã das Caldeiras, a erupção apresentava explosões contínuas com a produção de nuvem de gases, piroclastos e spatter para além da lava que aumentou consideravelmente de intensidade.

A queda de areias e lapilli tem sido contínua na localidade de Cova Figueira e também foram sentidos abalos sísmicos em Tinteira.


Atividade eruptiva da ilha do Fogo do dias 27 de novembro 

27/11/2014 – 5º dia

 1Os trabalhos iniciaram-se juntamente com a equipa do Instituto Tecnológico de Energias Renováveis de Tenerife (ITER) constituída pelos seguintes elementos:

• Nemésio Perez – Coordenador da equipe
• Gladys Melian
• Pedro Hérnandez
• Samara Dionis
• José Barranco

E do Centro de Vulcanologia e avaliação de Riscos Geológicos da Universidade de Lisboa: Doutorando Jeremias Cabral.

Os objetivos da missão técnica do ITER é apoiar a equipe caboverdiana na medição e avaliação dos gases e de temperatura.

Queda de cinzas vulcânicas em Patim e S. Filipe.

No foco emissor observa-se a projecção balística de piroclastos: areias, lapilli (2-64 mm), blocos e bombas (> 64 mm), de gases (CO2, SO2, H2S, HCL), com fumarolas de cor acastanhada (devido à presença de carbono e fragmentação dos piroclastos), azulada clara, branca e amarela.

A norte de Monte Beco, desloca-se uma frente de lavas aa com cerca de 1m/hora e cerca de 30 a 40 metros de largura.

 

 

 

 

 

 

 

3

No período da manhã, em Portela, o avanço das lavas era de 1-2metros/horas e com temperaturas de 860ºC.
Às 19h, o avanço das lavas (lado N) em Portela, estava a 30 metros de distância da Pensão Pedra Brabo e a 120 metros de distância da Escola Básica de Chã das Caldeiras, em Portela.

Às 17h45, no foco emissor, observou-se a passagem do alinhamento fissural para a formação de uma cratera maior com cerca de 100 metros de diámetro e outra menor com cerca de 20 metros de diámetro. Registo de continuidade das explosões estrombolianas (gases e piroclastos) e formação de spartter (projecção de lavas em altura e expraimento).
Deslocação de um segundo fluxo de lavas, em que cerca de 5 horas terá se deslocado cerca de 100 metros. Ocorrência de um pequeno fluxo na base do cone vulcânico.
Formação de um terceiro fluxo lávico que acabou por se fundir ao segundo fluxo e continuidade da emissão de gases. Aumento da velocidade da deslocação dos fluxos de lavas com projecção de piroclastos.

Com a camara térmica registou-se temperaturas de 1000º C no cone vulcânico e cerca de 860º a 900º c nos fluxos de lavas.

 

Anexo

HABITAÇÕES DESTRUÍDAS PELA ACTIVIDADE VULCÂNICA DE 23 DE NOVEMBRO DE 2014

 

tabela destruicao

 

Obs:

  • 15 Casas de moradias
  • 14 Cisterna;
  • Em cada habitação havia cancelo para criação de animais;
  • 2 Casas de campo – pequenas casinhas de 6 – 8 m2, construídas nos campos de cultivos.
  • 1 Contentor.
  • Sede do Parque Natural – empurrada pelas lavas apenas na parte traseira, uma destruição de cerca 8 a 10%, no dia 24/11/2014 pelas 19:20mn.
  • Furo de água e Gerador de bombagem, inaugurado recentemente, destruída na madrugada de dia 25/11/2014.
  • A maioria das habitações foi destruída na noite de 25/11/2014, devido ao rápido avanço das lavas, facilitado pela topografia da superfície.

Cidade de Cova Figueira, 28 de Novembro de 2014 – 08:16mn.


 Atividade eruptiva da ilha do Fogo dos dias 26 de novembro

 

 26/11/2014 – 4º dia

Libertação de gases (CO2, SO2, H2S, HCL) com a formação da coluna eruptiva a dirigir-se para S-SW.

Nas proximidades da Portela, continua a deslocação das duas frentes de lavas, uma deslocando-se mais para Sul - área designada de Scoria, e outra frente de lavas em direcção a Portela.

No ínicio da manhã constatou-se a distância de 30-40 metros entre a estrada secundária, e a frente de lavas na zona de Scoria (figura 2).

 

larvas zona scoria 

Ás 6h10, as lavas atingiram as imediações da primeira casa a Sul de Portela, sendo a velocidade das lavas de 2 metros/hora e com altura média de 7-8 metros (figura 3).

 zona portela 

Ao meio da manhã, constatou-se a destruição de seis casas em Portela.

Observou-se também o reinicio ou reactivação da 6ª boca eruptiva; nos focos emissores observam-se gases incolores, de cor acastanhada, explosões piroclásticas e emissão de fluxos de lava aa (figura 4).

area cultivo No período da tarde, 15 casas destruidas, para além de algumas cisternas, currais de animais e áreas de cultivo.

Ás 19h a frente de lavas (frente mais a norte) em direcção a Portela, aumentou ligeiramente a velocidade para 4 metros/hora.

 

Tabela sucinta – Comparação entre a Erupção vulcânica de 1995 e a Erupção vulcânica de 2014 ( primeiros días)

Erupção 1995

Erupção 2014

Dia 2/4

Reativação da conduta e estoiro do rolhão de um cone pré-existente situado no flanco SW – fractura com a formação de coluna eruptiva – 4500m.

23/11

Inicio da actividade vulcânica ao longo de uma fissura NNE-SSW no flanco leste do Pico Novo, com formação de quatro bocas eruptivas com emissão de gases, piroclastos e lavas. Coluna eruptiva atinge a altitude de 6000m. Chuvas de cinzas entre Cova Tina e Monte Beco. Fluxo de lavas do tipo aa deslocam-se entre Monte Cova Tina e Monte Beco.

Dia 3/4

Activação de um foco emissor localizado a 500m a NE de Monte Beco; Bocas de Entrada

24/11

Formação de mais três bocas eruptivas com emissão de gases, e emissões estrombolinanas.

Chuvas de cinzas na Portela.

Desenvolvem-se mais duas frentes de lava, uma com sentido a Ilhéu de Lorna/Cova Tina e outra frente em direcção à localidade de Portela.

4/4 a 8/4

As atividades desenvolvidas nos días 2/4 e 3/4 mantêm-se abrindo-se um terceiro conjunto de bocas alinhadas definindo uma fissura eruptiva de 1995 com materiais piroclásticos, derrames aa e algunas lavas pahoehoe. Fissura foi sendo selada.

25/11 a 26/11

Atividade explosiva em cinco bocas eruptivas com emissão de gases, e emissões estrombolinanas.

O terceiro fluxo de lavas aa alcança a localidade de Portela.

Avanço das lavas na zona de Portela com velocidades médias de 1-3 metros/hora a 8-10 metros/hora.

 


 

   4ª dia da erupção vulcânica

fig 5

Neste 4ª dia da erupção vulcânica, a equipe da Universidade de Cabo Verde e a equipe da TCV realizou uma longa caminhada pela Chã das Caldeiras, na recolha de informações, fotografias e filmagens; cerca de 4 horas desde Monte Beco até à localidade de Portela, devido à impossibilidade de transporte por carro."

 

 


 

Atividade eruptiva da ilha do Fogo dos dias 25 de novembro

Relatório: 3º dia da Erupção vulcânica da ilha do Fogo (25/11/2014)

 

fig 1

A equipa da Universidade de Cabo Verde, liderada pela professora Sónia Silva, realizou um relatório científico sobre o terceiro dia da erupção vulcânica na ilha do Fogo.

"O avanço das lavas, entre Monte Beco e Monte Saia, desloca-se ligeiramente a cerca de 1metro/hora, e com altura de 5 metros. As explosões apresentam-se mais reduzidas em termos de intensidade da explosividade (figura 1).

Nas proximidades da Portela, fez-se em duas frentes, uma deslocando-se  para Sul área de Scoria, e outra frente em direcção a Portela.
No período da manhã constatou-se o avanço das lavas a cerca de 9-10 km/hora a 50 m da 1ª casa situada  na Portela e a 300 m do Centro da Portela (referência – Escola básica).
A altura média das lavas tinha cerca de 3 metros no período da manhã.
No período da tarde, por volta das 16h, as lavas avançaram com cerca de 16 metros/hora de velocidade já com uma espessura média de 5 metros. Cconstatou-se um aumento muito significativo na altura nas duas frentes de lavas (figuras 2 e 3).

 

fig 2

 

fig 3

A velocidade e volume das frentes de lava aumenta ou diminui tendo em conta o volume de lavas emitidas no foco emissor; a velocidade também está relacionada com a  irregularidade da topografía, aumentando em superficie topográfica plana e em áreas ligeiramente deprimidas, e diminuindo quando existe aumento da inclinação da topografia.

De se referir que a explosividade diminuiu até ao período da tarde, comparativamente aos dois primeiros dias de erupção, tanto em quantidades de gases visíveis, como na formação das explosões constituidas por gases leves, apresentando os gases cores mais atenuadas.

Duas pequenas crateras localizadas no foco emissor (mais a norte do flanco do Pico do Vulcão) cessaram a sua atividade, observando o seu enchimento com produtos piroclásticos.

Não se fez sentir chuvas de cinzas e areias vulcânicas na localidade da Portela.

Às 18h iniciaram-se novamente as explosões nas 5 bocas eruptivas com a formação de nuvens ardentes (gases e piroclastos).

No período da noite foi visível a 2 km de distância da Portela, a incandescência das lavas apresentando um clarão avermelhado muito intenso, em especial na área de S. Pedro e nas proximidades da sede do Parque Natural.

Várias dezenas de famílias foram deslocadas para as áreas de Monte Amarelo e localidade de Scoria com as suas mobílias e pertencentes. As pessoas estavam muito consternadas e preocupadas com a situação (figura 4).

fig 4

Na figura 5, observa-se o avanço das lavas  e destruição parcial de uma parede da sede do Parque Natural do Fogo.

 


 

Informação sobre a actividade eruptiva no dia 24 de Novembro

 

Relatório: 2º dia da Erupção vulcânica da ilha do Fogo

A equipa de especialistas em geologia e química da Universidade de Cabo Verde, a professora Sónia Silva e a professora  Nadir Cardoso, fizeram um relatório sobre o desenvolvimento da erupção na ilha do Fogo no segundo dia da crise.

"No período da manhã em direcção à Chã das Caldeiras, concretamente na zona de Monte Grande observam-se cinzas nas folhas das árvores, nos solos, telhados e reservatórios de água, situação idêntica observada no 1º dia de erupção em S.Filipe.

WP 20141124 017

 

 WP 20141124 060Entre Monte Saia e Monte Beco observa-se uma extensão de fluxos de lavas, com cerca de 2 km de avanço em direcção à bordeira, aproximadamente de direcção oeste e com espessura de 4-5 metros.

Mantiveram-se as explosões com a formação de seis bocas eruptivas alinhadas na direcção NE-SW, com emissão de gases e produtos piroclásticos. Inclusive cerca das 11h formou-se a 6ª boca eruptiva situada mais a norte do flanco do Pico do Vulcão.

 

 

 

 

 

 

WP 20141124 067

Nas proximidades da Sede do Parque Natural do Fogo, no inicio da tarde, as lavas com velocidade de cerca de 50 metros/hora, apresentando características mistas de lavas pahoehoe (na base) e aa (no topo), avançaram em sentido à Sede do Parque, numa direcção norte, estando estas a uma distância média de cerca de 80 metros.

Ocorreram quedas constantes de cinzas e lapilli vulcânicas, tendo sido também necessária a intervenção das autoridades militares para tentar afastar a população das frentes de lava.

 

 

 

 

 

WP 20141124 024

Por volta das 16h20, observou-se a formação da 7ª boca eruptiva, situada mais a norte do flanco do Pico do Vulcão,  com intensa libertação de gases de cor castanha escura a esverdeada, e de cinzas e bombas. As diversas crateras eruptivas constituem colunas com mais de 100 metros de altura com projecção de piroclastos com cerca de 30 metros.

O fluxo de lava em direcção ao Ilhéu de Lorna teve um avanço de cerca de 1,5 km no período da tarde, tendo estagnado.

 

Os principais impactes que têm resultado da erupção vulcânica são essencialmente os seguintes:
-    Cerca de quatrocentas pessoas desalojadas das localidades de Portela e Bangueira;
-    Interrupção  de troços das estradas principal e alternativa;
-    Impactes económicos: realojamentos dos desalojados em áreas de menor risco, tais como Mosteiros, Achada Furna e Monte Grande;
-    Impactes na saúde: algumas queixas de tonturas; dores de cabeça; ansiedade; sensibilidade e/ou irritação ocular;
-    Impactes na atmosfera: Diminuição do tráfico aéreo devido à fraca visibilidade; maior concentração de gases tóxicos e cinzas vulcânicas."

 

WP 20141124 056



 

Atividade eruptiva da ilha do Fogo dos dias 23 de novembro


Primeiro dia da erupção do vulcão do Fogo

A Universidade de Cabo Verde está representada na ilha do Fogo através das professoras investigadoras em geologia e química, Doutora Sónia Silva e Doutora Nadir Cardoso, que estão a estudar mais informações sobre a erupção que ocorreu na ilha no sábado passado, dia 23 de Novembro.

"A Universidade de Cabo Verde em estreita colaboração com Instituto Tecnológico de Energias Renováveis de Tenerife (ITER) e de outras instituições científicas nacionais e internacionais que aderiram a essa colaboração vem reforçar a capacidade de investigação científica de estudantes e docentes das Universidades de Cabo Verde no domínio da vulcanologia e áreas afins. Por outro lado pode ser melhorada a capacidade de intervenção preventiva do Serviço Nacional de Protecção Civil, baseada num melhor e mais profundo conhecimento dos fenómenos vulcânicos.

É neste contexto que,  reconhecida a importância do projecto Reduzindo o Risco Vulcânico na Macaronésia, Cabo Verde apresentou a sua candidatura ao financiamento pelo Programa de Cooperação Transnacional MAC 2007 – 2013 (Projeto MAKAVOL) em que participaram as instituições acima referidas e o Observatório Vulcanológico e Geofísico da Universidade dos Açores.

Atualmente o programa de vigilância vulcânica que está a ser desenvolvido pela Universidade de Cabo Verde em parceria com o Serviço Nacional de Protecção Civil e o Instituto Tecnológico das Energias Renováveis das Canárias (ITER), e Instituto Vulcanológico das Canárias (INVOLCAN), contempla o levantamento e interpretação de dados geodésicos (deformação da crosta terrestre) e dados geoquímicos. A rede geodésica é constituída por 4 estações GPS (figura 1) que transmitem os dados por uma rede ADSL. Para além de uma rede instrumental que visa a redução do risco vulcânico, tem-se realizado a capacitação dos recursos humanos, realização de congressos, visitas de estudos à ilha do Fogo e publicações.

fig 1

O programa geoquímico consiste na medição da emissão de H2S e CO2 difuso na cratera do Vulcão do Fogo. Desde 2007, tem-se realizado várias campanhas com o objectivo de se realizar a avaliação da evolução temporal e espacial do fluxo difuso de CO2 e H2S, assim como a sua relação com a actividade vulcânica. Para além deste aparelho existe na Chã das Caldeiras uma estação geoquímica permanente para recolha de radão (Rn) e CO2 (figura 2). Baseado no algoritmo de simulação gaussiana (sGs), como método de interpolação e por meio do programa GSLIB constróem-se mapas de fluxo difuso de CO2 e H2S que permitem a avaliação da evolução espacial dos gases no solo da cratera.

fig 2 1 
Para além destes equipamentos, a Uni-CV, dispõe de uma sala de Vigilância Vulcânica, no Departamento de Ciência e Tecnologia no Campus do Palmarejo (sala 302), onde se encontram instalados os monitores de controle do programa SEISCOM em que se recebe dados sísmicos mundiais transmitidos em tempo real através de uma rede ADSL (figura 3).

fig 3 1

 
Alguns meses antes geocientistas da Universidade de Cabo Verde e do Instituto Vulcanológico das Canárias, registaram emissões anómalas de dióxido de carbono (CO2) conforme figura 4. Nas campanhas de Março a Agosto de 2014, verificou-se um acréscimo significativo de 330 toneladas/dia de CO2.

fig 4 1
 

Este aumento do dióxido de carbono (CO2) tinha sido interpretado, pela equipa científica Canaria-Caboverdiana, como um claro sinal geoquímico percursor da erupcão do Vulcão do Pico do Fogo que se iniciou esta manhã de domingo, 23 de novembro de 2014.

A erupção vulcânica da ilha do Fogo de 2014, teve início no dia 23 de Novembro, antecedido por abalos sísmicos de forte intensidade no sábado dia 22 de Novembro pelas 20h. Segundo informações locais os mesmos terão sido sentidos pelas populações na Chã das Caldeiras, na passada quinta-feira, dia 20 e na Cova Figueira no dia 21.
A actividade vulcânica estará relacionada possivelmente pela reativação de falhas tectónicas, e estoiro de rolhão de um cone pré-existente, nas proximidades do Pico Novo (Erupção de 1995). O estilo de erupção, do tipo estromboliano, iniciou-se com uma fase explosiva caracterizada com a libertação de gases e piroclastos (cinzas), formando uma coluna eruptiva com cerca de 6 km (analisada cerca das 15h, por voo aéreo).
De seguida iniciou-se uma fase efusiva, marcada por fluxos de lava que se iniciaram às 10h, tendo alcançado a estrada principal da Chã das Caldeiras às 12h. Formaram-se cerca de quatro bocas eruptivas em círculo nas proximidades do Pico Novo (Erupção de 1995).
As lavas seguiram-se em duas direcções, uma na direcção SE, em direcção de Cova Tina, do tipo aa, tendo cortado a estrada alternativa às 22h15. Outro fluxo de lavas do tipo pahoehoe, que seguiu na direcção SW, para Monte Beco, a atingir espessuras de 5-6m. Cerca das 19h30, os dois fluxos de lavas já apresentavam cerca de 1, 5 km por volta das 19h30, e às 21h50, com cerca de 1,8 km de avanço. Nesta fase, particularmente intensa, violentas explosões projectaram piroclastos de maiores dimensões (bombas e escórias) atingindo altitudes de 4 metros.
Comparando os estilos eruptivos que caracterizaram a erupção vulcânica de 1995, pode-se considerar a de 2014, mais violenta em termos de perigosidade, uma vez que nesta, logo no primeiro, dia sucedeu-se a libertação de gases e lavas.
Na área de Cova Tina (Chã das Caldeiras), a emissão de cinzas faz-se sentir com maior intensidade, e na tarde de domingo, dia 23, foram sentidos cerca três abalos sísmicos na Chã das Caldeiras.
Os Principais impactes que advêm da erupção vulcânica são essencialmente os seguintes:
1.    Cerca de um milhar de pessoas desalojadas das localidades de Portela e Bangueira;
2.    Estragos em estradas e moradias;
3.    Na agricultura, com severos efeitos negativos, pela destruição de terrenos fertéis;
4.    Impactes económicos: realojamentos dos desalojados em áreas de menor risco;
5.    Impactes na saúde: doenças relacionadas com vias respiratórias por inalação de gases altamente tóxicos, doenças de pele;
6.    Impactes na atmosfera: Diminuição do tráfico aéreo devido a fraca visibilidade; maior concentração de gases tóxicos e cinzas vulcânicas.

Na ilha do Fogo encontram-se duas professoras/investigadoras da Universidade de Cabo Verde, Doutora Sónia Silva Victória, geóloga e Drª Nadir Cardosos, química que se deslocaram à ilha do Fogo, Chã das Caldeiras com o intuito de estudar a geología, vulcanologia e gases relacionados com a Erupção vulcânica de 2014.

Sónia Silva Victória
Nadir Alves Cardoso


ANEXOS

fig 5 1
Foto 1 – Panorama da erupção vulcânica às 16h, 23 de Novembro de 2014.

Foto 1 - Panorama da erupção 2

Foto 2 – Panorama da erupção vulcânica às 17h, 23 de Novembro de 2014.

17

 

Foto 3 – Panorama da Erupção vulcânica às 17h, 23 de Novembro de 2014.

15

Foto 4 – Panorama da Erupção vulcânica às 15h, 23 de Novembro de 2014. 

 

Pin It