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O setor da graduação ocupa a grande maioria da formação da Universidade de Cabo Verde. A sua dinâmica é muito ativa e tem-se demonstrado através dos diversos eventos realizados na academia, no âmbito de cursos e disciplinas, mas também através do aumento do leque de cursos de licenciatura, com especial destaque para o Mestrado Integrado em Medicina, que tem trazido estudantes de diversos países para estudar em Cabo Verde.

Uni-CV: Qual era o cenário da graduação aquando da altura em que obteve a pasta?

João Cardoso: O cenário da graduação caraterizava-se pela existência de um leque diversificado de cursos nas diferentes unidades orgânicas, com alguns deles a registar um decréscimo acentuado de procura, nomeadamente os da área das Ciências Sociais e Humanas. Do ponto de vista da gestão, o sistema apresentava-se estável, mas carecendo de alguns ajustes para se adaptar às mudanças na instituição, sobretudo com a implementação dos novos Estatutos, mas também sentia-se a necessidade de alguma adaptação aos desafios do país. É neste contexto que foram adotadas algumas medidas de natureza organizativa e de funcionamento, destacando-se a montagem do sistema informático de gestão académica, que contribuiu para uma melhoria significativa no funcionamento dos Serviços Académicos e na qualidade do serviço que é prestado aos estudantes e ao público em geral. No que se refere aos desafios do país, importa destacar o alargamento das ofertas formativas a nível da graduação.

Uni-CV: Como tem sido a agenda do Pró-reitor para a Graduação e CESP estes três últimos anos?

JC: Tem sido uma agenda muito intensa, mas muito enriquecedora. Tendo em conta o peso da graduação na dinâmica diária da instituição, pois é o ciclo de estudos que representa maior peso na população estudantil da universidade, mas também a diversidade de processos associados ao setor, as ações desenvolvidas a nível da graduação acabam por ter caráter muito transversal e, consequentemente, entrelaçam-se intensamente com as ações a nível de outros setores, nomeadamente os da cooperação, infraestruturas e equipamentos, recursos humanos (nomeadamente a gestão do serviço docente), entre outros. Deste modo, a agenda da Pró-reitoria da Graduação tem se caraterizado por contactos permanentes com os serviços centrais e com as unidades orgânicas, bem como com entidades externas, tendo em vista a mobilização de parcerias nos diversos domínios de interesse para o desenvolvimento da graduação e da instituição no seu todo.

Uni-CV: Qual tem sido a evolução da pasta da graduação?

JC: O setor da graduação tem registado uma evolução muito positiva. Em termos de oferta formativa, surgiram muitos cursos novos, destacando-se o curso de Mestrado Integrado em Medicina que, pela sua natureza, representa não só um marco para a Universidade de Cabo Verde, mas também para o país. Associado ao alargamento das ofertas formativas e visando uma resposta inovadora ao aumento da procura, foi introduzido o sistema de candidatura on-line, que constitui uma revolução muito interessante na prestação de serviço ao público pela Uni-CV. Do ponto de vista da gestão do setor, designadamente no que respeita à gestão dos cursos, houve também mudanças na organização com a adoção de um novo figurino de organização das áreas disciplinares e das coordenações de curso.

Na gestão da graduação no presente mandato, importa também destacar o processo de revisão curricular, que se encontra em fase de conclusão. Trata-se de um processo muito complexo e determinante para o futuro da instituição.

Uni-CV: Qual prevê que seja o futuro para a graduação?

JC: O futuro da Uni-CV anuncia ser muito promissor, tendo em conta o percurso feito pela instituição ao longo destes dez anos que se seguiram à sua criação. Hoje temos uma instituição que goza de um grande prestígio interno e externo. Este é um facto que se pode constatar pelo número de parceiros internos e externos, incluindo instituições de ensino superior, empresas, instituições públicas e organismos internacionais, bem como pela intensidade da agenda de extensão ao longo dos anos. Quem consulta o site da Uni-CV percebe isso de imediato. Por conseguinte, considerando a experiência acumulada e as potencialidades que a instituição criou, tanto em termos de recursos humanos (ex: elevado número de docentes adquiriam o grau de doutor), que se carateriza por uma população muito jovem, como em termos das infraestruturas e equipamentos (instalações novas, laboratórios com equipamentos de elevado padrão, etc.), bem como do quadro normativo (nomeadamente os novos Estatutos e os regulamentos criados ou revistos), só pode haver uma grande confiança no futuro da nossa instituição. Porém, não se pode perder de vista um dos grandes desafios da graduação que é reduzir a taxa de reprovações e de abandono escolar. Por outro lado, há que estar ciente dos desafios que a conjuntura interna e externa do país nos coloca, destacando-se sobretudo o maior desafio para a gestão da Uni-CV que é conseguir a sustentabilidade financeira da instituição.

Uni-CV: E do CESP?

JC: O CESP constitui um ciclo complementar à graduação (complementar no sentido da missão) e que ainda carece de alguma atenção tendo em vista a sua consolidação. O cenário atual carateriza-se por uma redução de cursos em funcionamento, derivado sobretudo da entrada de outras instituições no ensino superior profissionalizante, contrastando com a situação de monopólio que a Uni-CV detinha até finais de 2014. Em termos organizativos, foi criada uma unidade funcional que se dedica especificamente à coordenação deste ciclo – o Gabinete de Coordenação Geral dos CESPs.

 Uni-CV: O que considera que poderá ser melhorado no seu setor?

JC: Fazendo uma retrospetiva do exercício do cargo e uma avaliação global do percurso da universidade nos seus dez anos de existência, julgo que a aposta na informatização deve ser prosseguida, assim como a melhoria na articulação entre as diferentes orgânicas de modo a permitir uma maior sinergia. Um outro aspeto a ser melhorado tem a ver com a comunicação com o exterior, sobretudo com a camada jovem e com os estudantes dos outros subsistemas (básico e secundário), bem como com os atores do mercado laboral, nomeadamente com as empresas. Temos em curso algumas ações neste sentido, destacando-se as atividades da Casa da Ciência junto das escolas do ensino básico e do ensino secundário, bem como a experiência piloto na ENG visando a articulação com o mercado, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Uni-CV: Que bjectivos quer alcançar antes do final do bject mandato?

JC: De entre vários bjectivos, uns de grande alcance e outros de curto prazo, eu destacaria apenas dois: concluir o processo de revisão curricular para estabilizar os ciclos de estudos e para normalizar os processos de gestão dos cursos, e reduzir a taxa de reprovações na graduação.

Uni-CV: Como se pode reduzir a taxa de reprovações?

JC: Para além de algumas medidas de natureza pedagógico-didática que os docentes poderão adotar a nível das unidades curriculares, outras medidas precisam ser equacionadas, nomeadamente a institucionalização de um programa de ensino tutorial nas disciplinas que apresentam taxas elevadas de reprovação.

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