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O setor da graduação ocupa a grande maioria da formação da Universidade de Cabo Verde. A sua dinâmica é muito ativa e tem-se demonstrado através dos diversos eventos realizados na academia, no âmbito de cursos e disciplinas, mas também através do aumento do leque de cursos de licenciatura, com especial destaque para o Mestrado Integrado em Medicina, que tem trazido estudantes de diversos países para estudar em Cabo Verde.

Uni-CV: Qual era o cenário da graduação aquando da altura em que obteve a pasta?

João Cardoso: O cenário da graduação caraterizava-se pela existência de um leque diversificado de cursos nas diferentes unidades orgânicas, com alguns deles a registar um decréscimo acentuado de procura, nomeadamente os da área das Ciências Sociais e Humanas. Do ponto de vista da gestão, o sistema apresentava-se estável, mas carecendo de alguns ajustes para se adaptar às mudanças na instituição, sobretudo com a implementação dos novos Estatutos, mas também sentia-se a necessidade de alguma adaptação aos desafios do país. É neste contexto que foram adotadas algumas medidas de natureza organizativa e de funcionamento, destacando-se a montagem do sistema informático de gestão académica, que contribuiu para uma melhoria significativa no funcionamento dos Serviços Académicos e na qualidade do serviço que é prestado aos estudantes e ao público em geral. No que se refere aos desafios do país, importa destacar o alargamento das ofertas formativas a nível da graduação.

Uni-CV: Como tem sido a agenda do Pró-reitor para a Graduação e CESP estes três últimos anos?

JC: Tem sido uma agenda muito intensa, mas muito enriquecedora. Tendo em conta o peso da graduação na dinâmica diária da instituição, pois é o ciclo de estudos que representa maior peso na população estudantil da universidade, mas também a diversidade de processos associados ao setor, as ações desenvolvidas a nível da graduação acabam por ter caráter muito transversal e, consequentemente, entrelaçam-se intensamente com as ações a nível de outros setores, nomeadamente os da cooperação, infraestruturas e equipamentos, recursos humanos (nomeadamente a gestão do serviço docente), entre outros. Deste modo, a agenda da Pró-reitoria da Graduação tem se caraterizado por contactos permanentes com os serviços centrais e com as unidades orgânicas, bem como com entidades externas, tendo em vista a mobilização de parcerias nos diversos domínios de interesse para o desenvolvimento da graduação e da instituição no seu todo.

Uni-CV: Qual tem sido a evolução da pasta da graduação?

JC: O setor da graduação tem registado uma evolução muito positiva. Em termos de oferta formativa, surgiram muitos cursos novos, destacando-se o curso de Mestrado Integrado em Medicina que, pela sua natureza, representa não só um marco para a Universidade de Cabo Verde, mas também para o país. Associado ao alargamento das ofertas formativas e visando uma resposta inovadora ao aumento da procura, foi introduzido o sistema de candidatura on-line, que constitui uma revolução muito interessante na prestação de serviço ao público pela Uni-CV. Do ponto de vista da gestão do setor, designadamente no que respeita à gestão dos cursos, houve também mudanças na organização com a adoção de um novo figurino de organização das áreas disciplinares e das coordenações de curso.

Na gestão da graduação no presente mandato, importa também destacar o processo de revisão curricular, que se encontra em fase de conclusão. Trata-se de um processo muito complexo e determinante para o futuro da instituição.

Uni-CV: Qual prevê que seja o futuro para a graduação?

JC: O futuro da Uni-CV anuncia ser muito promissor, tendo em conta o percurso feito pela instituição ao longo destes dez anos que se seguiram à sua criação. Hoje temos uma instituição que goza de um grande prestígio interno e externo. Este é um facto que se pode constatar pelo número de parceiros internos e externos, incluindo instituições de ensino superior, empresas, instituições públicas e organismos internacionais, bem como pela intensidade da agenda de extensão ao longo dos anos. Quem consulta o site da Uni-CV percebe isso de imediato. Por conseguinte, considerando a experiência acumulada e as potencialidades que a instituição criou, tanto em termos de recursos humanos (ex: elevado número de docentes adquiriam o grau de doutor), que se carateriza por uma população muito jovem, como em termos das infraestruturas e equipamentos (instalações novas, laboratórios com equipamentos de elevado padrão, etc.), bem como do quadro normativo (nomeadamente os novos Estatutos e os regulamentos criados ou revistos), só pode haver uma grande confiança no futuro da nossa instituição. Porém, não se pode perder de vista um dos grandes desafios da graduação que é reduzir a taxa de reprovações e de abandono escolar. Por outro lado, há que estar ciente dos desafios que a conjuntura interna e externa do país nos coloca, destacando-se sobretudo o maior desafio para a gestão da Uni-CV que é conseguir a sustentabilidade financeira da instituição.

Uni-CV: E do CESP?

JC: O CESP constitui um ciclo complementar à graduação (complementar no sentido da missão) e que ainda carece de alguma atenção tendo em vista a sua consolidação. O cenário atual carateriza-se por uma redução de cursos em funcionamento, derivado sobretudo da entrada de outras instituições no ensino superior profissionalizante, contrastando com a situação de monopólio que a Uni-CV detinha até finais de 2014. Em termos organizativos, foi criada uma unidade funcional que se dedica especificamente à coordenação deste ciclo – o Gabinete de Coordenação Geral dos CESPs.

 Uni-CV: O que considera que poderá ser melhorado no seu setor?

JC: Fazendo uma retrospetiva do exercício do cargo e uma avaliação global do percurso da universidade nos seus dez anos de existência, julgo que a aposta na informatização deve ser prosseguida, assim como a melhoria na articulação entre as diferentes orgânicas de modo a permitir uma maior sinergia. Um outro aspeto a ser melhorado tem a ver com a comunicação com o exterior, sobretudo com a camada jovem e com os estudantes dos outros subsistemas (básico e secundário), bem como com os atores do mercado laboral, nomeadamente com as empresas. Temos em curso algumas ações neste sentido, destacando-se as atividades da Casa da Ciência junto das escolas do ensino básico e do ensino secundário, bem como a experiência piloto na ENG visando a articulação com o mercado, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Uni-CV: Que bjectivos quer alcançar antes do final do bject mandato?

JC: De entre vários bjectivos, uns de grande alcance e outros de curto prazo, eu destacaria apenas dois: concluir o processo de revisão curricular para estabilizar os ciclos de estudos e para normalizar os processos de gestão dos cursos, e reduzir a taxa de reprovações na graduação.

Uni-CV: Como se pode reduzir a taxa de reprovações?

JC: Para além de algumas medidas de natureza pedagógico-didática que os docentes poderão adotar a nível das unidades curriculares, outras medidas precisam ser equacionadas, nomeadamente a institucionalização de um programa de ensino tutorial nas disciplinas que apresentam taxas elevadas de reprovação.

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O Serviço de Documentação e Edições tem trabalhado no sentido de recuperar o património histórico a nível documental da Uni-CV, um trabalho que de acordo com a sua diretora, “é a memória da instituição que é necessário preservar”. Paralelamente, as Edições Uni-CV têm tido uma grande evolução, tendo já ultrapassado de seis dezenas, numa década de publicações em versão impressa e eletrónica.


Uni-CV: Quais são as competências do Serviço de Documentação e Edições?
Dra. Elizabeth Coutinho: O Serviço de Documentação e Edições têm por função fazer a gestão corrente em matéria de bibliotecas, documentação e edições, competindo-lhe nomeadamente, recolher, sistematizar, gerir e disponibilizar a todos os sectores da universidade, informação ou documentação de carácter científico, técnico e cultural, necessário ao desempenho das funções. Também ao serviço cumpre participar em sistemas ou redes de informação bibliográfica, científica e técnica de acordo com os interesses da universidade. O serviço gere os recursos bibliográficos e documentais da Uni-CV e também programa e realiza atividades editoriais nomeadamente de coedição, publicação, distribuição de livros, de revistas, ordens informativas, obras científicas literárias e culturais. As Edições na Uni-CV são o serviço editorial da universidade com o papel de estimular a investigação científica e divulgar os seus resultados, contribuindo assim para ampliar e divulgar o conhecimento que se faz na academia por professores, investigadores e mesmo por instituições académicas parceiras como resultado de trabalhos conjuntos.

Uni-CV: Quando foi realizada a primeira edição na Uni-CV e quantos livros já editaram até agora?
EC: Poderemos dizer que, o embrião, foi a Revista de Estudos Caboverdianos (REC), lançada em 2005 pela então Comissão Instaladora da Universidade de Cabo Verde, uma publicação periódica, de caracter pluridisciplinar, albergando artigos de investigação científica aplicada, tendo por objeto Cabo Verde e/ou os cabo-verdianos. Contudo, a primeira edição com a chancela das Edições Uni-CV foi o livro "Da Cidade da Ribeira Grande à Cidade Velha em Cabo Verde", publicado em 2007, da autoria do professor investigador Fernando Pires. Até hoje já foram publicados, em versão impressa e eletrónica, mais de sessenta títulos.

Uni-CV: Onde podemos encontrar os livros editados pelas Edições Uni-CV?
EC: As Edições da Uni-CV, na sua versão impressa, estão disponíveis ao público na Universidade de Cabo Verde (Escola Grande, Campus do Palmarejo e Reitoria da Uni-CV/Mindelo) e num conjunto de livrarias, quer no Mindelo, quer na Praia. Na Praia, temos as Edições Uni-CV à venda nas livrarias Nhô Eugénio, Neves, Pedro Cardoso, Berdiana e na Biblioteca Nacional. No Mindelo, podem ser encontradas nas livrarias A Semente, Terra Nova e no Centro Cultural do Mindelo. Gostaríamos de poder chegar a livrarias do interior de Santiago e noutras ilhas, nomeadamente no Sal e Santo Antão. As publicações em versão eletrónica podem ser consultadas a partir do site da Uni-CV.

Uni-CV: Quais as áreas que são mais abordadas pelas Edições Uni-CV?
EC: Na verdade, a área que tem merecido mais produção é a de Ciências Humanas e Socias, todavia também temos publicações ligadas às Ciências e Tecnologia e às Ciências Agrárias e Ambientais. O conjunto de publicações que já demos à estampa conta com uma variedade temática grande. Desde logo as que refletem análises de diferentes aspetos da realidade social cabo-verdiana. Dispomos ainda de títulos na área da linguística, filosofia e património cultural material e imaterial. Também temos livros que refletem o processo de ensino-aprendizagem e a prática e reflexão de docentes. Oferecemos ainda publicações que visam divulgar as investigações realizadas por estudantes da Uni-CV em universidades brasileiras, no âmbito do programa de iniciação científica (Anais do Congresso da Iniciação Científica da Universidade de Cabo Verde) e revistas, designadamente a Revista de Estudos Caboverdianos, a Revista de Ciência e Tecnologia e a Revista Desafios, esta em associação com a Cátedra de Amílcar Cabral, para além de Atas de Congressos e de Conferências.
De realçar que as Edições Uni-CV têm um papel de liderança a cumprir na academia como veículo de difusão do conhecimento, da arte e da cultura, inserindo-se também no conjunto das acções da Uni-CV junto à comunidade circundante, disponibilizando, ao público externo à universidade, o conhecimento adquirido com o ensino e a pesquisa desenvolvidos dentro da universidade.
Devemos sublinhar que, ao nível das Edições Uni-CV, há uma prática de publicação que se traduz num trabalho meritório de parceria com o Gabinete da Comunicação e Imagem e com os seus designers, responsáveis pela conceção gráfica das publicações. Essa parceria é responsável pelo enorme salto dado, em termos de quantidade e de qualidade da nossa produção.

Uni-CV: Como é composto o Repositório Digital da Uni-CV?
EC: O Repositório Digital é um sistema de informação que recorre a uma determinada tecnologia e que se organiza de uma forma específica. Os documentos passíveis de serem depositados no Repositório Digital, vão desde artigos, posters, relatórios científicos e técnicos, livros ou capítulos de livros, resumos, teses de doutoramento, dissertações de mestrado e trabalhos de final de curso de licenciatura, com o seu devido mérito.

Uni-CV: Com que finalidade foi criado o Repositório Digital?

EC: O Repositório Digital foi criado em 2013, com o objetivo de organizar de forma sistemática a investigação na Uni-CV, promover a sua integração numa única plataforma, difundir e dar visibilidade à investigação realizada na academia, inventariar, valorizar e preservar a memória intelectual, académica, científica e cultural da academia e também construir um sistema como instrumento de monitorização. Na verdade, este processo acabou por sofrer uma paralisação relacionada, sobretudo, com uma ausência de critérios para a sua alimentação e uma necessidade de regulamentação específica, o que neste momento está ultrapassado.

Uni-CV: O que tem sido feito para a dinamização do Repositório Digital?
EC: Sobre a liderança da Pró-Reitora para Pós-graduação e Investigação, foi criada uma comissão responsável pelo Repositório Digital da Universidade de Cabo Verde. Essa comissão reúne docentes como pontos focais das diferentes escolas e faculdades, a Direção dos Serviços de Documentação e Edições, a Direção dos Serviços Técnicos e a Pró-Reitora para a Pós-graduação e Investigação. Já está ultimada a proposta de Regulamento do Repositório para a qual contámos com a colaboração e apoio da Universidade do Porto. Igualmente de referir que a dinamização do Repositório depende da maior ou menor consolidação do sistema integrado de informação da universidade, cujo processo está em desenvolvimento. Por outro lado, estamos conscientes de que a redinamização do Repositório vai implicar a promoção de campanhas de sensibilização, de divulgação da ciência e sessões de esclarecimento em relação, sobretudo, àquilo que se denomina de Open Acess, ou acesso aberto à informação.

Uni-CV: Os serviços também gerem as bibliotecas. Poderia caraterizar a dinâmica atual deste serviço e como são enriquecidas?
EC: As nossas bibliotecas estão dispersas pelas diferentes escolas e faculdades: no Campus do Palmarejo, na ENG, na Escola de Ciências Agrárias e Ambientais em S. Jorge dos Órgãos, também na Faculdade de Engenharia e Ciências do Mar e na Faculdade de Ciências Socias e Humanas, na Uni-CV/ Pólo do Mindelo. Aqui na Escola Grande, onde estamos, temos um Centro de Documentação mais virado para as pós-graduações, a Mediateca do Instituto de Língua Francesa, que é uma biblioteca que serve sobretudo os amantes da língua francesa, mas que oferece um conjunto diverso de materiais audiovisuais e outros e o núcleo bibliográfico da Cátedra Amílcar Cabral. De assinalar ainda que no Instituto Camões, no Campus de Palmarejo, dispomos de um centro de documentação.
As nossas bibliotecas têm sido alimentadas, sobretudo, por doações de universidades parceiras, mas também por iniciativas de antigos professores e colaboradores que pretendem com isso marcar a sua ligação à universidade, através da doação de livros, de coleções. Em termos de aquisições, tem sido mais difícil devido a constrangimentos orçamentais. No entanto, as bibliotecas não contam apenas com o recurso do livro e revistas impressas. Temos também recursos bibliográficos online. Os nossos estudantes, através do portal da biblioteca, podem ter acesso, por exemplo, a bibliotecas eletrónicas, designadamente à B-ON, para a qual a Uni-CV tem uma licença para aceder a um determinado número de artigos e de revistas. Lamentamos que a mesma não seja amplamente utilizada, já que este é um grande privilégio da/para a Uni-CV. Temos ainda o acesso online à Open Edition.

Uni-CV: No que consideram que poderiam melhorar?
EC: Obviamente que gostaríamos de anualmente dispor de orçamento para comprar novos livros para atualização dos nossos acervos e para acedermos a recursos bibliográficos online de qualidade e que exigem o pagamento de inscrição e de utilização. Pese embora seja previsto, não tem sido disponibilizado.
Por outro lado, as nossas bibliotecas precisam de mais e melhor equipamento informático, de mobiliários adequados e de diversificar a oferta em termos de recursos (audiovisuais e em formato digital, tais como CD-ROM e DVDs e CD’s). Acreditamos que a passagem para o novo Campus da Universidade de Cabo Verde, a ser construído de raiz, irá permitir-nos dar um salto de qualidade, nomeadamente em termos ambientais, de oferta de espaços para nomeadamente consulta, leitura, formação e lazer dotados de equipamentos adequados para os servidores e para os utilizadores.
Também temos necessidade de melhorar o nível de capacitação dos nossos recursos humanos, porque nesta área da informação e da documentação a capacitação periódica e focalizada é fundamental. As oportunidades para o pessoal que trabalha nas bibliotecas não têm sido muitas e nem regulares. Entretanto estamos a procurar apostar nas possibilidades que se abrem em termos de programas internacionais de mobilidade para pessoal não docente, para que nomeadamente os técnicos superiores possam, por exemplo, fazer uma mobilidade de três meses numa biblioteca de uma universidade no estrangeiro, como forma também de abertura de horizontes e de crescimento pessoal.
O reforço de parcerias nacionais e internacionais é também algo que pretendemos melhorar e tirar mais proveito.
O Portal da Biblioteca e a gestão das bibliotecas estão intrinsecamente relacionados com o Sistema Integrado de Informação da Uni-CV. Temos estado a trabalhar com os Serviços Técnicos no sentido dessa integração e auguramos que, nesse aspeto, o ano de 2017 seja um ano de charneira.

Uni-CV: Quais são as estratégias para ultrapassar os constrangimentos?
EC: Desde logo apostar na formação dos nossos funcionários, nomeadamente aproveitando programas de mobilidade internacional e estarmos atentos ao que parceiros como a Biblioteca Nacional e o Arquivo Histórico Nacional promovem, para que possamos criar sinergias e promover mais ocasiões de capacitação e de crescimento profissional.
Há alguns aspetos regulamentares a ultrapassar, já propostos, mas ainda não aprovados em sede própria, para que a atividade editorial e o funcionamento das bibliotecas possam conhecer uma alavancagem e se trabalhe com critérios, normas e instâncias de decisão adequados.
As Edições Uni-CV são uma fonte de receitas para a universidade. O resultado da venda das Edições reverte para um fundo editorial, criado para o efeito, que se destina a apoiar a edição de obras, segundo determinados critérios. A regulamentação deste fundo é de grande importância para que se possa perspetivar uma certa sustentabilidade na atividade.
A implementação do Sistema Integrado de Informação da Uni-CV trará importantes impactos no nosso serviço, com reflexos claros na qualidade do serviço prestado à comunidade académica e na interface com parceiros e com o exterior.
Estamos muito expectantes relativamente à dinamização do Repositório Científico Digital e muito empenhados para que, em 2017, este possa ser um resultado alcançado, com impactos na academia.
Um aspeto importante do Serviço de Documentação e Edições está relacionado com a vertente arquivos. Iniciou-se o processo com um núcleo de arquivo onde foram identificados e tratados os documentos das instituições que antecederam a Uni-CV, desde 1980. O trabalho foi feito sob a liderança da professora e investigadora, agora aposentada, Adriana Carvalho. Está-se a pretender fazer agora o tratamento dos arquivos da Universidade de Cabo Verde relativos ao período de 2006 ao presente, para que se possa resgatar e reconstruir, com objetividade, a memoria e a história da Universidade de Cabo Verde. Há que preservar os testemunhos da memória do ensino superior e da universidade pública de Cabo Verde, fonte de pesquisa para alunos, professores, historiadores, pesquisadores, entre outros.

O Sistema de Gestão Global Integrado deverá estar completamente operacional em 2017. Podendo ser utilizado nesse ano para avaliações de desempenho. Para isso os Serviços Técnicos estão a realizar formações para explicar os diferentes conceitos do aplicativo, que de acordo com o seu Diretor, vai beneficiar em muitos os mecanismos de trabalho da academia.

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Uni-CV: O que é o Sistema de Gestão Global Integrado?

Dr. Celestino Barros: Sistema de Gestão Global Integrado é um sistema desenvolvido para a Uni-CV pela Quality Alive em parceria com os Serviços Técnicos. O Sistema vai gerir toda a parte da qualidade da Uni-CV, isto quer dizer, a avaliação docente, não docente, todos os planos estratégicos e operacionais, permitirá também a realização de mapeamento de processos, criando assim o conceito de workflow ou fluxo de trabalho.

Uni-CV: Quais são os fins da implementação desse sistema na Uni-CV?

CB: Foi um dos compromissos da atual equipa reitoral, desbloquear, sobretudo, o processo da promoção na carreira na Uni-CV, mas isto envolve um conjunto de outros processos pendentes. Ter critérios para avançar na carreira docente é mais simples porque é feito através de novas habilitações académicas, mas a parte não docente é mais complexa porque ainda não há uma capacitação através de graus e diplomas que sejam reconhecidos em Cabo Verde e que permitam a promoção na carreira, fazendo com que hoje tenhamos o cenário em que temos muitas pessoas com processos pendentes. Nessa perspetiva, decidiu-se gerir essa parte da qualidade da Uni-CV, sobretudo com processos de implementação das avaliações feitas com base no currículo, no que o funcionário vai construindo no dia-a-dia e assim será possível ter subsídios suficientes para a tomada de decisão. Isto seria uma primeira razão.

Uma segunda razão tem a ver com a própria avaliação das universidades em que com a automatização das próprias tarefas permitirá uma gestão mais facilitada, fazendo com que os processos tramitem pela via digital de forma mais rápida e clara. Portanto se formos ver as vantagens são enormes. Além dos pontos enumerados, ainda há a questão da disponibilização de instrumentos que poderão facilitar os processos da criação de documentos estratégicos, como são os planos estratégicos ou operacionais. Com o SGGI a criação desses documentos resume-se basicamente a relatórios. Assim criam-se os planos operacionais e pede-se subsídios aos envolvidos nos processos e depois manda-se imprimir o relatório e com ele temos um plano estratégico. Essas são as mais-valias de uma forma muito geral.

Uni-CV: Qual o plano de formação que propõem para a comunidade?

CB: Este aplicativo é transversal a todas as pessoas da Uni-CV e todas as pessoas vão ter acesso a ele, porque vai permitir desbloquear as informações pessoais de cada um. Efectivamente para as pessoas o poderem utilizar têm de estar capacitadas. Embora o grosso do trabalho da utilização do SGGI esteja na parametrização com a própria aplicação, ou seja, que sejam realizados um conjunto de processos no backoffice para que quando as pessoas tiverem acesso ao sistema já tenham lá o que precisam para executar as suas funções.

A ideia da formação é conseguir abranger todo o público da Uni-CV com sessões não muito longas, em que pretendemos mostrar conceitos relacionados com a avaliação do respetivo perfil, seja docente e não docente, e depois mostrar como contribuir na elaboração de planos estratégicos e operacionais e como acompanhar a gestão de processos. Não é possível dar todos estes tópicos numa única sessão, teremos inúmeras sessões, onde vamos abordar isso tudo. Provavelmente também surgirão ocasiões onde teremos de repetir o próprio processo, porque efetivamente a avaliação só faz sentido quando toda a gente se apropria dela e todos conhecem as regras por que serão avaliados.

O que se está a discutir neste momento em termos de avaliação, sobretudo no que toca ao pessoal não docente, vai basear-se em dois grandes momentos: num primeiro momento numa autoavaliação e depois na avaliação descendente, numa segunda fase, em que os dirigentes vão avaliar os seus funcionários.

Uni-CV: Do lado dos Serviços Técnicos já têm a completa apropriação do sistema?

CB: Sim. Em termos do domínio já temos na sua totalidade, é claro que a equipa do outro lado está sempre disponível para retirar qualquer dúvida. Portanto, estamos capacitados para ministrar quaisquer formações.

Uni-CV: A sua integração total como sistema de trabalho na Uni-CV será para quando?

CB: O sistema é enorme e vai beber informações noutros sistemas. A data de integração prende-se basicamente com a agilidade que queremos dar a este processo. Inicialmente, a nossa equipa foi desafiada a desenvolver a parte da qualidade da Uni-CV, só que temos outros desafios que foram lançados anteriormente e como esses desafios ainda não estão concluídos achámos por bem, de forma a agilizar esse processo, contratar uma empresa parceira para auxiliar nesse processo e foi dessa forma que surgiu a Quality Alive. O aplicativo foi construído à imagem do Sistema de Informação Integrada (SII), desenvolvido por nós, no sentido de a plataforma estar integrada e para que as pessoas tenham apenas uma senha de acesso em qualquer dos sistemas de gestão da Uni-CV.

A ideia é que os utilizadores façam os primeiros testes de acesso em 2017, o que significa que a integração da plataforma terá de estar concluída nessa altura e a integração total pretendemos que seja em 2018.

Uni-CV: Como será realizada a avaliação de desempenho?

CB: O sistema é um instrumento e o instrumento está operacional. Agora o processo de avaliação está a ser discutido neste momento, portanto quais os parâmetros que deverão ser usados.

Neste momento, com base no próprio regulamento de avaliação, posso dizer que para o caso da avaliação docente, a avaliação será feita com base na informação que o docente vai inserir na plataforma. O docente vai preencher o seu próprio currículo com as informações da atividade que ele realizou no período em que vai ser avaliado e a avaliação vai basear-se num conjunto de critérios. Novamente no caso dos docentes os parâmetros avaliados serão a investigação, o ensino e a extensão.

Em função do preenchimento do currículo e das regras definidas na aplicação e da validação por parte da comissão da avaliação poderá obter-se uma percentagem de avaliação do docente.

Outra questão que está a ser debatida é a avaliação dos docentes pelos estudantes, a pergunta que se coloca é se essa avaliação deve ou não contar para a avaliação docente. O que se definir será acatado pelo sistema que consegue submeter-se a esse processo.

Para a avaliação do pessoal não docente o processo é diferente. Aqui já temos o conceito de grupos funcionais em que foram identificados 27 diferentes na Uni-CV, ou seja, cada grupo corresponde a um número de pessoas que desenvolvem as mesmas funções. Essa divisão vai permitir-nos ter um organograma funcional da instituição.

Neste momento já temos próximo de 700 utilizadores no sistema.

Uni-CV: Quem são as pessoas que já usaram o SII?

CB: Neste momento os principais utilizadores são os docentes e os funcionários. Não significa que os estudantes não o venham a usar, mas para os estudantes o processo será diferente e não terão de o usar no dia-a-dia.

Relativamente aos não docentes, é necessário definir as funções que cada grupo funcional deverá desempenhar, que estão caraterizadas por cinco pontos: Requisitos da função (conjunto de caraterísticas que os candidatos e empossados nos cargos devem respeitar); Conhecimento (capacidade cognitiva para definir as situações, elaborar diagnósticos e escolher planos de conduta); Competências (evidências que diferenciam os níveis de desempenho de uma função, demonstradas em conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos mais adequados à plena realização das atividades); Comportamento (conjunto de ações observáveis que permite verificar uma determinada competência); Objetivos individuais (resultados mensuráveis, relacionados com o desenvolvimento de uma atividade específica, desempenhada por um funcionário, ou por uma equipa num determinado período de tempo, definidos com base no plano de atividades e cuja avaliação permitirá aferir os contributos individuais para a concretização dos resultados).

 E depois colocamos as ponderações para cada uma destas categorias. Assim que ficar definido, será aplicado de forma igual para cada grupo funcional. Isto é tudo aplicado com base nos regulamentos.

É nisto que estamos a trabalhar agora, é um processo lento que exige articulação com os Recursos Humanos.

Uni-CV: O sistema de avaliação SGGI é baseado em que documentos?

CB: Regulamento de Avaliação do Pessoal Docente e não Docente, Plano Estratégico, Estatutos da Uni-CV e o documento de Descrição dos Conteúdos Funcionais das categorias profissionais dos grupos de pessoal técnico e administrativo do quadro de pessoal da Uni-CV, que foi aprovado pelo Conselho administrativo.

Uni-CV: Em que períodos será realizada?

CB: É a instituição que define o período da avaliação de forma global, mas isso deverá estar no regulamento das avaliações que for aprovado: que avaliações serão feitas, quando e de que modo. O que os regulamentos atuais preveem é a avaliação anual, no entanto, os regulamentos ainda não foram aprovados.

Uni-CV: Porque houve esta necessidade de avaliar a comunidade da Uni-CV?

CB: Na Universidade ainda temos alguma dificuldade de definição do que fazemos, e muitas vezes, acabamos envolvidos em muitos projetos. Depois chegamos a um determinado período em que verificamos que as nossas próprias funções não foram executadas. Isto por que muitas vezes desenvolvemos tarefas que outras pessoas deveriam fazer. O sistema vai permitir disciplinar isto porque as funções de cada um ficarão bem definidas e cada um terá a responsabilidade de lhes dar seguimento sob pena de não ser bem avaliado, com base em informações e métricas claras. Será possível verificar o desempenho de cada um em cada período com base nos critérios estipulados. Isto vai disciplinar os processos de progressão e promoção na carreira, portanto vai justificar estes processos.

Todas as tarefas em que participarmos ficarão registadas no sistema e portanto haverá uma gestão do currículo profissional, criando maior visibilidade sobre o desempenho de cada um.

Uni-CV: Quais são os benefícios para a aplicação deste sistema de qualidade?

CB: Os benefícios serão a Integração dos Sistemas, a Padronização dos Processo, a informação vai tornar-se de mais fácil acesso o que vai permitir uma tomada de decisões de forma mais rápida, haverá uma diminuição da redundância, as pessoas vão poder focar-se na sua atividade principal, daí o aumento da produtividade e a redução de custos. 

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Um grupo de estudantes da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) e da Faculdade de Engenharia e Ciências do Mar (FECM) vão participar no concurso de programação da Google Hash Code 2017, como um dos 447 concorrentes dos 68 países participantes. A primeira ronda de qualificações começa no dia 23 de fevereiro e vai ter lugar na sala 224 do Campus do Palmarejo. O professor Isidoro Gomes é o orientador do projeto:

Foto ISIUni-CV: O que motivou a participação?
Professor Isidoro Gomes: A participação neste concurso de programação permite-nos familiarizar os nossos estudantes com problemas reais de engenharia onde a solução está em programação, isto num ambiente de elevada complexidade e de competição, promovido por uma das maiores empresas tecnológicas a nível global que é a Google. A Uni-CV, enquanto Hub Organizer, fica assim associada a uma das maiores competições de programação em todo o mundo. Queremos que os nossos alunos se sintam desafiados.

Uni-CV: Com que projeto vão participar?
IG: Vamos participar na fase de competição online que decorrerá esta quinta-feira, durante 4 horas consecutivas. O problema a resolver nessa primeira ronda é decidir como cortar uma pizza partindo de princípio que se quer apenas uma determinada quantidade de tomate e cogumelos em cada fatia.

Uni-CV: Qual é a equipa participante?
IG: Vamos ter uma equipa na FECM, em São Vicente e 3 equipas na FCT, na Praia, sob a minha orientação.

Uni-CV: O que significa para a equipa participar neste concurso?
IG: É preciso criar o gosto pela programação na nossa academia. Os programadores são dos profissionais liberais mais bem pagos por este mundo fora. Não se pode esquecer que quem dominar a programação tem emprego garantido em qualquer parte do mundo. O desenvolvimento das nações, pelo menos, ainda na próxima década, dependerá da informática e da eletrónica. E os programadores terão sempre a «chave do sucesso». Portanto, mesmo que a equipa não passe à ronda seguinte, ficará sempre com um «vínculo» a uma das maiores empresas do setor, a Google, já para não falar na experiência em trabalhar sob pressão e na partilha e enriquecimento dos chamados network.

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A Diretora Executiva dos centros norte-americanos Wellesley Centers for Women, Layli Maparyan, esteve em Cabo Verde para intervir na conferência “Igualdade de Género e Desenvolvimento”, realizada pelo Centro de Investigação e Formação em Género e Família (CIGEF), no dia 19 de novembro, no auditório da Reitoria, no Plateau. De passagem pela Uni-CV, afirmou que “o CIGEF é uma instituição muito poderosa”, e por isso na calha estão outros projetos de trabalho com o centro da Uni-CV.

Uni-CV: A que trabalho se dedicam os Wellesley Centers for Women in Wellesley College?
Layli Maparyan: Os Wellesley Centers for Women são dos maiores e mais antigos centros académicos de estudo sobre as questões relacionadas com o Género nos Estados Unidos. Tradicionalmente focamo-nos em pesquisas com capacidade de desenvolver as questões relacionadas com mulheres, jovens, comunidades e famílias na agenda política. Procuramos fazer um trabalho que seja revelador em termos da perspetiva teórica, ou formas de colocar a teoria de investigação em ação. Neste momento temos cinco grandes áreas de investigação porque temos cerca de 21 investigadores que juntamente com a sua equipa formam cerca de mais de uma centena de colaboradores nos centros. A primeira área de estudo é a Educação, que inclui temas como puericultura, educação multicultural, aprendizagem socio-emocional e alguns tipos de estímulos à educação.
Também estudamos a Segurança Económica, que entendemos primeiramente como direcionada às mulheres e famílias. Prevenção da depressão é outra área. A quarta área é Desenvolvimento adolescente, em que duas das áreas de maior aprofundamento têm sido a sexualidade adolescente e outra é o uso de redes sociais pelos adolescentes e como isso os afeta psicologicamente. E a nossa quinta área de estudo é Violência Baseada no Género.

Uni-CV: Na sua perspetiva como especialista, como descreve o feminismo atualmente a nível mundial?
LM: trabalho na Wellesley Centers for Women sempre foi inspirado no feminismo, nunca tivemos uma definição de feminismo porque reconhecemos que diferentes homens e mulheres têm diferentes versões de trabalho sobre o feminismo, mas a ideia é que devem sempre promover a igualdade de género e a justiça social numa variedade de níveis tal como o bem-estar humano.
O meu trabalho tem sido aprofundado na área do "womanismo", que é uma perspetiva social diferente que teve como pioneiras mulheres de ascendência africana com origens no feminismo, também nas mulheres europeias e americanas, mas as mulheres negras sempre tiveram o seu próprio estilo de promoção da mudança social. Portanto o nosso centro incorpora estas duas definições.
No que toca à relevância sobre o Feminismo e "Womanismo" na atualidade, eu penso que é absolutamente essencial porque faz a contraposição entre os diferentes tipos de sexismo e violência do género que ocorre em todo o mundo, por isso é uma perspetiva que nos ajuda a ver o mundo de forma diferente e a fazer diferentes tipos de perguntas, ouvir as vozes das mulheres e compreender as necessidades das jovens. Portanto sem as vozes críticas do feminismo e do "womanismo" o nosso discurso seria mais fraco e as mulheres e as jovens estariam mais vulneráveis.

Uni-CV: Esta é a segunda vez que viaja a Cabo Verde. Em que situação considera que Cabo Verde está em termos do feminismo e "womanismo"?
LM: Fiquei muito impressionada quando vim a Cabo Verde em julho de 2013 para conhecer tantas mulheres e organizações feministas diferentes a trabalhar nestas questões de género. Em adição a isso, foi a altura em que conheci a Clementina Furtado, Diretora do CIGEF e muitas outras pessoas engajadas em instituições que trabalham a favor da igualdade de género. O que aprendi foi que por Cabo Verde ser um país pequeno e todas as pessoas se conhecerem, podem criar sinergias muito eficientes de trabalho. Ouvindo as mulheres, também aprendi que há problemas que têm sido difíceis de ultrapassar como por exemplo o apoio financeiro parental e outras questões relacionadas com a violência baseada no género. Mas o que sinto é que não apenas as mulheres estão a trabalhar nessas questões como também há cada vez mais homens preocupados com estas questões e a quererem trabalhar em colaboração com as mulheres no sentido de fazerem progressos. Portanto eu inspiro-me em Cabo Verde e muitas vezes penso no que aprendi cá que posso usar nos EUA, o que posso partilhar para podermos trabalhar melhor.

layli maparyan redimencionada grupo

Uni-CV: O que acha do trabalho do CIGEF?
LM: Quando ouvi falar do CIGEF pensei que seria como a irmã mais nova do Wellesley Centers for Women, porque nós somos um centro enorme e com muitos anos de estudo e o CIGEF é mais recente, mas o nosso âmbito de estudo é o mesmo: fazer pesquisas que promovam a condição social das mulheres com conexão com diferentes agentes no governo, na sociedade civil ou no meio ativista. São mulheres comuns que estão a trazer a união das pessoas com esse objetivo de forma inovadora com o trabalho académico, mas também com uma extensão muito maior que a universidade. O que depreendi é que o CIGEF é uma instituição muito poderosa, por isso imediatamente quis fazer uma parceria com a instituição. Fiquei muito agradecida por a Clementina querer trabalhar connosco e até agora, a Clementina já foi aos EUA para representar o CIGEF e já estamos a fazer grandes projetos. Agora vamos juntar-nos para fazer um simpósio em fevereiro sobre "Género, justiça social e empoderamento feminino" e parte da razão por que cá estou é para que possamos terminar alguns pormenores para planear o evento.
Esta também é a primeira parceria internacional que o Wellesley Centers for Women realiza.

 

O Centro de Investigação e Formação em Género e Família (CIGEF) da Universidade de Cabo Verde organizou o Fórum “Igualdade de Género e Desenvolvimento”, no sábado, dia 19 de novembro, no auditório da Reitoria, no Plateau.

A Diretora do CIGEF, Professora Doutora Clementina Furtado afirmou que este fórum procura mostrar que há possibilidade de dialogar no sentido de promover a igualdade entre os homens e as mulheres, mas o único problema é que continuam mais mulheres do que os homens a participar nestes debates, e acrescentou ainda “este é o nosso calcanhar de Aquiles”.

“Queremos mostrar que é possível trabalhar em pé de igualdade para o desenvolvimento de uma nação”, sublinhou a diretora do CIGEF.

O Fórum contou com a presenças de palestrantes como a Doutora Layli Maparayan, Directora Executiva da Wellesley Centers for Women (Wellesley College, EUA), Drª. Graça Sanches, e a Professora Mestre Carmelita Silva.

A docente da Uni-CV foi a primeira a fazer a sua explanação com o tema: “Da dominação masculina à desconstrução da "naturalização” das desigualdades de género: Uma análise a partir da observação de comportamentos e escuta de relatos de mulheres e homens em situação de violências na Rede Sol”, na qual afirmou que as mulheres têm que se unir ainda mais e vestir-se de liderança precisamente para combater a violência social e mundial.

“Há uma pressão do país, a partir das organizações internacionais sobre as instituições públicas que de certa forma tem vindo a fazer com que estas instituições criem um conjunto de políticas e medidas que reprimam os comportamentos violentos”, acrescentou.

A ativista de género e galardoada com o “Prémio Humanitário Pan-Africano sobre a Igualdade de Género e Advocacia 2016”, Drª Graça Sanches, apresentou a “importância da participação das mulheres na vida política”. “A democracia é a participação política e representação social, como é que podemos dizer que exercemos a pró-democracia se as mulheres que representam metade da população estão, no caso de Cabo Verde, no parlamento apenas a 23%”, questionou a ativista.

“Em Cabo Verde, em termos legais, não temos nada que diga que o homem e a mulher têm direitos diferentes, a nossa constituição fala sempre na igualdade entre os cidadãos” acrescentou.  

“Temos de assumir que muitas vezes nós, as mulheres, não apoiamos a candidatura de outras mulheres a determinados cargos. Mesmo tendo uma mulher na liderança, o sistema político, a forma como está organizado, não permite que a decisão seja tomada unilateralmente, às vezes, porque as listas vêm das bases, e as estruturas partidárias nas bases são dominadas pelos homens” frisou a Drª Graça Sanches.

cigef conferencia

A Diretora Executiva da Wellesley Centers for Women (Wellesley College, EUA), Doutora Layli Maparayan, abordou o tema “The best practices at Wellesley College - how Women have contributed for success of her College” (As melhores práticas na Wellesley College – Como têm as mulheres contribuído para o sucesso da instituição).

 “Existem estudos que afirmam que os seres humanos quando ficam mais velhos ficam mais individualistas, mas querem mais relações sociais”, apontou a Doutora Layli Maparayan.

“Eu acredito porque nós já fizemos muito trabalho e já temos alguns resultados, mas muito trabalho ainda está por vir, e é por isso que nós temos sempre aproveitado os espaços e diálogos para podermos partilhar experiências e ver onde estão os ganhos, os desafios, são muitos, mas acredito que em tempo vamos dar uma boa resposta. Já conseguimos alguns ganhos quanto ao acesso à educação, à saúde, mas o grande problema será trabalhar a mentalidade das pessoas (homens e mulheres)” sublinhou a diretora do CIGEF.

O evento foi moderado pela Professora Doutora Maria de Lurdes Gonçalves e contou com as presenças do Administrador-Geral, Dr. Mário Lima, estudantes e outros convidados. 

Equipa Reitoral recebeu Diretora Executiva da Wellesley Centers for Women

montagem encontro equipa reitoral layli maparyan

A Equipa Reitoral da Universidade de Cabo Verde recebeu a Diretora Executiva da Wellesley Centers for Women, Dra. Layli Maparyan, que foi acompanhada pela Diretora do Centro de Investigação em Género e Família (CIGEF), a Prof. Dra. Clementina Furtado, no dia 18 de novembro, sexta-feira, na sala de reuniões da Reitoria, no Plateau.

A convite do CIGEF, a Diretora Executiva da Wellesley Centers for Women, foi uma das conferencistas no fórum “Igualdade de Género e Desenvolvimento”, que se realizou no dia 19 de novembro, no auditório da Reitoria da Uni-CV.

O encontro contou com a presença do Administrador-geral, Dr. Mário Lima, o Vice-reitor para as áreas de Relações Internacionais e Cooperação, o Professor Doutor António Lobo de Pina, e da Pró-reitora para a Pós-graduação e Investigação, a Professora Doutora Sónia Silva.

 

 

 Uni-CV realiza fórum "Igualdade de Género e Desenvolvimento"

O Centro de Investigação e Formação em Género e Família da Universidade de Cabo Verde organiza o Fórum “Igualdade de Género e Desenvolvimento”, no auditório da Reitoria, no Plateau, pelas 8h30.

O evento conta com a honrada presença de Layli Maparayan, Directora Executiva da Wellesley Centers for Women (Wellesley College, EUA), que vai abordar o tema “The best practices at Wellesley College - how Women have contributed for success of her College” (As melhores práticas na Wellesley College – Como têm as mulheres contribuído para o sucesso da instituição).

A nível nacional, participarão também Graça Sanches, activista de género e Galardoada com o “Prémio Humanitário Pan-Africano sobre a Igualdade de Género e Advocacia 2016”, com o tema “A Importância da participação da Mulher na Política”. Da Uni-CV, a Professora Doutora Carmelita Silva, que foi a primeira Directora do CIGEF e é actual colaboradora e especialista nas questões de Género e Violência Baseada no Género em Cabo Verde, abordará o tema “Da dominação masculina à desconstrução da "naturalização” das desigualdades de género: Uma análise a partir da observação de comportamentos e escuta de relatos de mulheres e homens em situação de violências na Rede Sol”.

A atividade, que se realiza no âmbito da comemoração do 10º aniversário da Universidade de Cabo Verde visa estabelecer um diálogo sobre a igualdade de género e o processo de desenvolvimento.

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