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O auditório do Campus do Palmarejo ficou pequeno para receber os novos estudantes que vão, agora, iniciar o seu percurso académico. Chegaram de diferentes pontos do país, trouxeram expectativas e sonhos distintos, e na passada sexta-feira, dia 4 de outubro, reuniram-se para receber as boas-vindas da Universidade de Cabo Verde.

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“Sejam bem-vindos a esta nobre casa do saber e da ciência”. Foi com esta frase que os novos estudantes foram recebidos pela Reitora da Universidade de Cabo Verde, Judite Medina do Nascimento, num discurso em que destacou que “... cada um e cada uma, no sentido de, em cada passo ou ação, estarem conscientes da responsabilidade de salvaguardarem, acarinharem e reforçarem a boa imagem e a marca da nossa Universidade”. E acrescentou que “apesar de todo o esforço por todos despendido até agora, a nossa Universidade está a enfrentar desafios que nos demandam um esforço acrescido para a garantia da elevação da qualidade e para a procura da excelência”.

Numa intervenção presenciada pelos membros dos diversos órgãos da universidade e do Governo, Judite Medina do Nascimento afirmou que a Uni-CV concentra cerca de 42% de todos os estudantes do Ensino Superior em Cabo Verde e só tem a comparticipação direta do Estado no seu orçamento de 34% o que se revela comprovadamente insuficiente para os desafios com que se depara no dia-a-dia. Para a reitora “é necessário continuarmos a negociar com o Governo de Cabo Verde uma estrutura de financiamento mais sustentável e que garanta a perenidade do desenvolvimento da Universidade Pública”.

A fragmentação do polo 2, em São Vicente, também levanta o desafio de reestruturação de toda a Universidade, repensando a sua orgânica e o sistema administrativo, de forma a capitalizar o potencial representado pelas delegações da Uni-CV nesse polo, garantindo a sustentabilidade e a perenidade do mesmo. A Reitora da Uni-CV pede à Comunidade Académica do polo 2 um reforço acrescido do seu empenho individual e coletivo, no sentido da minimização dos impactos negativos que possam advir desta mudança.

Judite Medina do Nascimento apela o empenho da comunidade académica para a prossecução dos seguintes programas: Reestruturação orgânica da Uni-CV; Construção de uma aliança eficaz entre a Uni-CV, o Estado, a sociedade civil e o setor privado; Implementação da política de internacionalização através da intensificação da mobilidade académica, do intercâmbio científico e da internacionalização dos ciclos de estudo oferecidos pela Uni-CV; Promoção e execução da política de integração e inovação tecnológica; Reestruturação do sistema de investigação e extensão universitária; Promoção de um ambiente académico saudável e equilibrado, favorável ao estudo, à produção académica e científica e ao trabalho; e Planificação cuidada da transferência para o novo Campus Universitário que exigirá muita entrega e abnegação de todos os membros da comunidade académica, afim de maximizar a eficácia dessa migração delicada de pessoas, equipamentos e bens, mas igualmente dos sistemas informáticos.

Por fim, a Reitora da Uni-CV dirigiu-se para o Secretário de Estado para a Educação, Amadeu Cruz, frisando que o Plano Plurianual de Atividades da Uni-CV é coerente com o Plano de Desenvolvimento Sustentável (PEDS) e prevê respostas aos desafios da nação. Judite Medina do Nascimento reafirmou abertura e disponibilidade da Uni-CV em estabelecer uma aliança firme e eficaz com o Governo de Cabo Verde no quadro do Contrato-Programa em curso de negociação. “Contamos fortemente com o Governo de Cabo Verde e com a sua abertura em negociar um maior equilíbrio no sistema de financiamento que garanta efetivamente a sustentabilidade e perenidade da Universidade Pública de Cabo Verde”, concluiu.

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Seguiu-se a intervenção do Secretário de Estado para a Educação, Amadeu Cruz, que saudou os estudantes e professores da Universidade de Cabo Verde. As calorosas saudações estenderam-se a toda comunidade académica cabo-verdiana, desejando um novo ano de sucessos a todos os níveis.

O Secretário de Estado para a Educação enalteceu o trabalho da Universidade de Cabo Verde visando a promoção da comunidade científica e da reconfiguração do modelo organizacional e governança no contexto que se mostra necessário imprimir novas abordagens para aproveitar as oportunidades que emergem da evolução do conhecimento, mas também das perspetivas de inserção em redes de internacionalização no sistema de ensino superior.

“Estamos cientes que o atual sistema de bolsas de estudo, a fundo perdido, está longe de corresponder às necessidades e expetativas dos jovens cabo-verdianos. Apesar do enorme crescimento de bolsas de estudo atribuídas no ano académico 2018/19, apenas 25% dos estudantes universitários beneficiaram, o que, mesmo assim, representa um investimento público na ordem de meio milhão de contos garantido no orçamento de Estado”.

“O Governo de Cabo Verde reconhece que a Universidade de Cabo Verde tem feito um esforço acrescido, mas também estamos conscientes que é preciso fazer muito mais nesse domínio. O Governo entende que a investigação aplicada poderá ser um dos motores de qualificação do sistema de ensino superior e, ao mesmo tempo, poderá ser indutora de transferência de tecnologias e propiciadora de inovação empresarial com ganhos de produtividade e competitividade para a economia nacional”.

Por fim, Amadeu Cruz frisou que no quadro de contrato-programa entre a Uni-CV e os Ministérios de Finanças e de Educação foi possível consensualizar igualmente o quadro orçamental da Uni-CV para 2020 que comtemplará um aumento efetivo do financiamento público.

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A Presidente da Associação Académica dos Estudantes da Universidade de Cabo Verde, Cíntia Barros, também esteve presente no ato de abertura e avançou que “Investir no ensino superior é investir na coesão social qualificada e capaz de gerar e promover elo com o tecido empresarial, investir no ensino superior é oferecer a Cabo Verde e aos cabo-verdianos ferramentas para o seu crescimento contínuo”.

“Em Cabo Verde, as famílias dão grande contributo para as despesas com a educação superior dos seus filhos e no país onde os rendimentos são muito reduzidos face aos custos do ensino superior, onde os Serviços da Ação Social de uma universidade pública precisam gritantemente de mais apoios”, acrescentou.

Cíntia Barros apelou ao Governo de Cabo Verde que dê um pouco mais de atenção a este setor que é muito necessário, apoiando os jovens a se tornarem grandes ativos e geradores de mudanças de que Cabo Verde precisa.

Terminados os discursos e recebidos “oficialmente” na única instituição de Ensino Superior Pública em Cabo Verde, os novos estudantes vão, nos próximos anos, partilhar os corredores das faculdades e escolas da Uni-CV. Este é o momento que simboliza o arranque oficial de um percurso que se espera de sucesso na Universidade de Cabo Verde.

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