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Resultado de um estudo publicado, recentemente, na Revista de Relações Internacionais da PUC Minas, pelo docente e investigador da Faculdade de Ciências Sociais, Humanas e Artes da Uni-CV, João Paulo Madeira, concluiu que Cabo Verde deve continuar a trabalhar a fim de se ancorar em economias emergentes e em ascensão, fazendo da multipolaridade uma ferramenta de oportunidades, apesar dos constrangimentos estruturais como a descontinuidade geográfica, secas cíclicas, escassa população e precariedade dos recursos naturais.

O investigador parte da hipótese da afirmação e projeção de que um país com parcos recursos naturais, geograficamente limitado e dependente de fluxos financeiros externos, necessita de aproveitar as suas caraterísticas geográficas com vista a colmatar as necessidades internas e, paralelamente, projetar-se para além das próprias fronteiras; da habilidade do país em se ajustar às “janelas de oportunidades” no sistema internacional.

Por norma, os pequenos Estados insulares necessitam da colaboração de outras potências, com vista a debelar fragilidades e adotar modelos de desenvolvimento que possibilitem a redução das desigualdades sociais e assimetrias regionais, inclusão social, política e económica. Em Cabo Verde estes aspetos não têm sido diferentes, na medida em que o país apostou numa política externa realista que espelhasse, no cenário internacional, uma identidade forte e coerente, defendendo de forma firme e consistente os seus interesses.

O sistema internacional é atualmente caraterizado por uma multiplicidade de centros de poder que tem dado aos países africanos a oportunidade de desempenhar um papel importante no equilíbrio mundial, visto que estes são fontes de dinamização do crescimento económico, especialmente os países que têm demonstrado capacidade de superar a pobreza e as desigualdades sociais. O compromisso de Cabo Verde para com os congéneres africanos passa pela reestruturação da sua política externa, apostando na diversificação de polos de cooperação e encorajamento da sua integração regional. Isto requer que o arquipélago fomente a participação pela via do diálogo, do entendimento e do acordo contribuindo, deste modo, para o reforço da confiança recíproca entre os Estados da região. Cabo Verde é um país que se situa numa região que pode, efetivamente, servir como plataforma para estimular o surgimento de novas cooperações nos domínios económico, político e cultural.

O artigo pode ser acedido aqui.

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