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O evento de arranque no Projeto RESISTANCE que se realizou sob o lema: Theoretical framework and state of the art e que contou com a participação dos Professores António Correia e Silva e Lourenço Gomes, enquadra-se na primeira missão destes Docentes/Investigadores da Uni-CV, no âmbito do projeto referido. Teve lugar num dos auditórios da Universidade de Évora, no emblemático edifício do Colégio do Espírito Santo, nos dias 12 e 13 de julho. O evento que se constituiu num grande momento de intercâmbio de equipas de investigação e internacionalização de universidades, contou com a participação de mais de 50 pesquisadores de treze IES de Portugal, Espanha, Alemanha e zonas de influência ibérica, de entre as quais, figura a Universidade de Cabo Verde.

Imagem2.png Na sua comunicação, o Prof. Doutor António Correia e Silva, um dos oradores na Mesa Redonda 1 – Enquadramentos teóricos e historiográficos da resistência, começou por saudar o projeto, realçando a sua pertinência tanto no campo científico como político. Argumentou que o conceito de resistência é quase a condição de se poder fazer a História dos povos do sul. O seu grande ganho é possibilitar o resgatar da invisibilidade, dando protagonismo aos pobres,  subalternos e aos dominados. Por isso, não admira que o conceito tenha surgido cedo nos projetos políticos emancipatórios. No caso de Cabo Verde, cabe constatar que foi Amílcar Cabral quem tematizou, abertamente, o tópico de resistência, dividindo-o em resistência cultural, política e armada. O seu objetivo era desnaturalizar o poder colonial, mostrando-o problemático ao longo do tempo. A historiografia dos primeiros tempos, após à independência, absorveu o paradigma de resistência e tendeu a explicar todos os conflitos sociais, na perspetiva de resistência anti-colonial.

Foi preciso tempo, para que o paradigma anti-colonial fosse compatibilizado com o estudo de outras resistências e esta corrente, hoje prevalecente.

Imagem1.png Por seu turno, o Prof. Doutor Lourenço Gomes que discursou na Mesa Redonda 2 – Categorias sociais sob escrutínio, iniciou a sua apresentação, abordando conceitos sobre o tema proposto. Mostrou que tem havido um esforço no sentido da revisão de conceitos quanto à significação tradicional de escravatura e tráfico de pessoas escravizadas que visa ultrapassar os enviesamentos da realidade, nesta matéria. Salientou o facto de Joseph Ki-Zerbo ter-se fundamentado acerca da inexatidão de certas visões sobre a escravidão, ao que se lhe seguiu, na mesma linha, José Capela, especialista português em estudos sobre a escravatura. Este, no seu posicionamento, defende não ser possível perceber a escravatura tradicional africana, a partir de categorias mentais sobre o mesmo fenómeno, elaboradas pelos europeus. A intervenção permitiu ainda discutir os contributos mais recentes em estudos sobre o assunto, produzidos, nomeadamente, por estudiosos cabo-verdianos. Foi ainda exposta uma proposta de abordagem metodológica para a investigação sobre o tema que incidirá em pesquisas sobre as memórias da resistência de grupos sociais escravizados, através do património edificado, podendo, alternativamente, aplicar-se a mesma metodologia a uma análise das revoltas de escravos, ocorridas na primeira metade do século XIX em Cabo Verde.

Os dois investigadores que estão em missão de um mês em Portugal, participaram, logo à chegada à capital portuguesa, no Colóquio sobre Subjetividades escravas, realizado nos dias 2, 3 e 4 de julho, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, evento em que o Prof. António Correia e Silva enquanto membro da organização, usou da palavra no ato de encerramento. Além de atividades académicas, os mesmos docentes prosseguem as respetivas missões com atividades científicas e de investigação, até ao dia 3 de agosto.

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