PD.jpgOs investigadores da Universidade de Cabo Verde, Davidson Arrumo Gomes, Secretário da Cátedra de Amílcar Cabral e Paulino Oliveira Do Canto, estudante do Mestrado em Integração Regional Africana, participaram na conferência internacional Amílcar Cabral: O “Combatente Anónimo” pelos Direitos Fundamentais da Humanidade, no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, Portugal, nos dias 1, 2 e 3 de março.

“O legado de Amílcar Cabral reproduzido em jovens líderes comunitários cabo-verdianos”, foi o tema apresentado pelos investigadores.

Resumo da Comunicação

Amílcar Cabral constitui uma referência para África e para o mundo. Os valores ideológicos por ele defendidos passaram de geração em geração e espelharam-se num novo modelo de pensar África. Uma nova África capaz de caminhar por si mesma, com mais e melhor autonomia sob os mais diversos prismas e realidades sociais, desde a política, à cultura, e aos valores humanos da cidadania. O seu pensamento é fonte de inspiração sociocultural e política a uma juventude que luta permanentemente para mais e melhores oportunidades por via da promoção do desenvolvimento comunitário ou local. Neste trabalho, a reprodução do legado de Cabral por jovens líderes comunitários cabo-verdianos será compreendida a partir da relação que se estabelece entre as suas preocupações, questionamentos ideológicos e culturais, e o exemplo inspirador das realidades atuais de jovens líderes do concelho de Santa Cruz e da cidade da Praia. Este trabalho tem como principal objetivo analisar a reprodução imaginaria do legado de Amílcar Cabral nos jovens líderes comunitários e a sua materialização na definição de projetos que impulsionam o desenvolvimento local, fazendo jus à mobilização de recursos que permitam reivindicar as melhores condições de vida dos cidadãos. A metodologia que consubstancia a comunicação apresentada tem por base a pesquisa bibliográfica e documental e a análise de conteúdo das entrevistas realizadas a jovens líderes comunitários da cidade da Praia e do concelho de Santa Cruz.  

De reportar que é a segunda vez que o Secretário da Cátedra Amílcar Cabral apresenta uma comunicação na Universidade Nova de Lisboa. A primeira vez foi por ocasião do 1º Congresso da Associação Internacional de Ciências Sociais e Humanas em Língua Portuguesa – XII CONLAB, que decorreu em Lisboa, de 1 a 5 de Fevereiro de 2015, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. O referido artigo foi publicado no Livro das atas do CONLAB. Tendo como o título " Dinâmicas de Participação Política e Cívica de uma Diáspora Africana em África: o caso dos imigrantes guineenses em Cabo Verde”, em parceria com Professora Doutora Eufémia Rocha (Uni-CV) e Miguel de Barros, sociólogo e investigador de INEP (Guiné – Bissau).

Num discurso pronunciado na Organização das Nações Unidas (ONU) em 1971, Amílcar Cabral apresentou-se como um “combatente anónimo” que lutava pelos direitos fundamentais das populações da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, assim como de toda a humanidade. Tal posicionamento não foi circunstancial, pois Cabral assumiu a condição de “combatente anónimo” pela humanidade em inúmeras outras ocasiões, afirmando bater-se pela dignidade, pelo progresso e pela felicidade humana.

Em resultado da projeção internacional que alcançou, Amílcar Cabral teve relevância não somente para as histórias nacionais da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. A sua figura ultrapassou a dimensão africana, como demonstrado pela sessão de homenagem realizada pela ONU aquando do seu assassinato, em que o seu carisma foi destacado por inúmeros intervenientes. Neste sentido, torna-se pertinente refletir no modo como o seu percurso se desenvolveu através da interação entre a agenda política interna (de índole anticolonial e emancipatório) e a constituição de redes de apoios e de contatos com atores internacionais, mobilizados a partir dos mais diversos quadrantes geográficos, políticos e ideológicos. Aliás, a metabiografia de Cabral não poderá nunca perder de vista a cumplicidade desta relação, sob pena de não se apreender, com a devida justeza, a heterogeneidade do seu modo de criar agenciamentos políticos. Tratar-se, pois, de pensar a sua figura como multifacetada, tendo dinamizado uma multiplicidade prolífica de tópicos políticos, teóricos (por vezes polémicas!), culturais, académicos e sociais.

A popularização da expressão Cabral ka Morrê (Cabral não Morreu) evidencia a persistência do seu legado, constatando-se atualmente um aumento de estudos que lhe são dedicados em diversas disciplinas e em diferentes realidades geográficas.

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