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A Universidade de Cabo Verde recebeu o 1º Seminário Internacional "A condição feminina, identidade, vulnerabilidade e inclusão social", organizado pelo Centro de Investigação e Formação em Género e Família (CIGEF). As conferências tiveram lugar no Auditório da Reitoria da Universidade nos dias 3 e 4 de Novembro. A abertura do seminário teve a participação do Ministro do Ensino Superior, António Correia e Silva, e da Reitora da Universidade, Judite Nascimento. Os dois dias reuniram diversos especialistas sobre o tema.

No primeiro dia estiveram em debate as relações de género, poder e violência. Marcelo Galvão e Sílvia Canaan Stein, dois professores da Universidade Federal do Pará, colocaram em debate a autonomia afetiva e financeira das mulheres em situação de violência doméstica e familiar. Os professores Rita Conde e Jorge Dias apresentaram o tema: "Vitimização múltipla e exclusiva social: Vulnerabilidade feminizada". Carmelita Silva, uma das representantes do CIGEF, apresentou o estudo: "Ordi Txeu, tratu Mofinu: Narrativas de mulheres vítimas de violência conjugal em Cabo Verde".

A tarde do primeiro dia do seminário foi composta por uma mesa redonda composta por Luísa Amandia Timas, Ana Maria Freire e Adelsia Almeida que apresentaram a agenda de género do Município da Praia. Na segunda mesa redonda o tema foi dedicado ao "Género e Música" pelas mãos de Carmem Barros Furtado e Juliana Bráz Dias. A última mesa do dia debateu a "Violência no namoro", tema apresentado pelos professores Janilsa Gonçalves e Jorge Dias. O dia terminou com a discussão dos temas apresentados.

No segundo dia do seminário, o primeiro painel foi dedicado ao "Género, Música e Sexualidade". Foi analisada a imagem da mulher cabo-verdiana na música e colocada a tese "A carne é fraca? Afetividade e sexualidade entre cabo-verdianas", por Juliana Braz Dias e Andréa de Souza Lobo, professoras da Universidade de Brasília. 

Na segunda metade da manhã foram apresentados casos de estudo sobre “Género e Migrações”. Anilda Veiga, professora da Uni-CV esteve responsável pelo tema "Mulheres de Emigrantes: reconfiguração identitária - O caso das Mulheres de Pilão Cão", e Eufémia Rocha, também da Universidade de Cabo Verde e representante do CIGEF, trouxe o tema "Feitiçaria, uma questão de género?".

Na conferência de encerramento, foi colocada sobre a mesa a questão "A Transformação do Mundo Rural: Possibilidades subjetivas do território Feminino em Cabo Verde", por Lourdes Gonçalves, professora da Uni-CV.  O primeiro Seminário Internacional sobre “Condição Feminina” terminou com o incentivo à investigação sobre o tema por Elsa Fortes, do CIGEF, e Sónia Silva, Pró-reitora da Uni-CV.

“Ainda persistem os estereótipos culturais que estão na base da atribuição de papéis sociais de género diferentes aos homens e mulheres e, como resultado disso, os homens continuam a ser os principais detentores do poder de decisão. Apesar da emancipação das mulheres e sua inserção no mercado laboral, elas não deixaram de ser responsáveis pelas tarefas domésticas. Pelo contrário, houve uma acumulação das mesmas, pelo que temos uma duplicação ou, por vezes triplificação das”, afirmou Clementina Furtado, responsável do CIGEF e organizadora do seminário.

“É preciso apostar cada vez mais em estudos sobre as famílias cabo-verdianas assim como se está a fazer para o género”, concluiu.

 

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